Monday, October 30, 2006

Pegadas no México

Foram encontradas 13 pegadas fossilizadas, de seres humanos, no norte do México. A estimativa é que sejam datadas de cerca de 10.000 a 15.000 anos atrás. Se esta datação for confirmada, estes serão os registros arqueológicos da presença de seres humanos mais antigos do continente. Cada pegada tem 27 cm de comprimento e 2 cm de profundidade, e estão espalhadas por cerca de 10 metros.

Wednesday, October 25, 2006

Impagável

Se você tem conhecimento de filosofia e lê em inglês, este site é impagável: "I can´t see clearly now" vira "I can´t think clearly now"; "Garota de Ipanema" vira uma brincadeira com Sócrates, "The Gadfly Athenaios"; "Take a walk at the wild side", de Lou Reed, vira "Make a talk on the Ryle side"; "My way" passa a ser "Paradoxes"; "Yesterday", dos Beatles, vira "Recherché"; "Kung-Fu Fighting" vira "Goldstein's Writing" e "Feelings", de Morris Albert, vira "Vegan".

Não deixe de ouvir.

Para ter uma idéia do que vai encontrar neste site, fiz uma tradução rápida e despretenciosa da versão de Garota de Ipanema:

Baixinho e careca, feio e de nariz adunco,
Lá vem a mosca varejeira de Atenas fazer perguntas,
e quando ele pergunta, todo mundo responde "hã?"

Apesar de mais parecer um sofista,
ele se preocupa com a verdade, ele se importa com a justiça,
mas quando faz perguntas, todo mundo responde "hã?"

Como posso conhecer os universais? Qual é a natureza da virtude?
A alma é imortal? É real o que você pensa que conhece?
Pergunte a Eutífron!

Baixinho e careca, feio e de nariz adunco,
Lá vem a mosca varejeira de Atenas fazer perguntas,
e no entanto são só perguntas...

"Hã?" "hã-hã?" "hã?" "Hã-hã-hã?" "Hã?"
"Hã-hã-hã?" "Hã?" "Hã-hã-hã?" Hã?"
"Hã-hã-hã-hhhhhããããããã, hããããã hã-hã-hã?"
só perguntas... perguntas...

Tuesday, October 24, 2006

E-books

Para quem se interessa por livros virtuais, o site ateus.net tem uma boa coleção. Veja o índice clicando no título.

Monday, October 23, 2006

Inútil fundamental

Ah, a filosofia!

Sempre tão fundamental, tão essencial, sempre "humanizadora", "humanizante" ou qualquer coisa do gênero, sempre tão necessária para que se possa pensar (sic!), ou pensar criticamente, ou radicalmente, ou qualquer coisa do gênero, sempre tão importante para não nos deixarmos levar por ideologias, fantasias, superstições, irracionalidade, erro, má-fé... e no entanto tão inútil para quem precisa se alimentar, vestir, trabalhar, se divertir, viver dignamente, ter o Vectra do ano, uma cobertura nos Jardins, uma casa na praia, viagens à Grécia, ao Egito, à Europa filosofante, ao mundo das idéias.

Tão imprescindível, claro, para que possamos enxergar paradoxos, contradições, contrasensos, ilogicidade.

Mas o maior paradoxo é ela própria hoje: tão fundamental, e tão inútil.

O mesmo se pode dizer dos filósofos.

Saturday, October 21, 2006

Cabeças redondas

Já ouviu falar dos "cabeças redondas"? Se não, vou apresentá-los a você. Eram aqueles sujeitos que, no parlamento inglês do século XVII, se recusavam a usar perucas. Por isso a cabeça redonda: não tinha aqueles volteios todos das perucas brancas, cheias de cachos.

Os cabeças redondas representavam a nobreza rural, puritana, desejosa de aumentar suas terras simplesmente estendendo as cercas para um pouquinho mais além, e que brigava no parlamento (sem peruca, lembre-se) para controlar o poder até então absoluto dos monarcas.

A propósito, Oliver Cromwell, líder da revolução puritana que depôs o rei Carlos I, também era um cabeça redonda. Quando a monarquia voltou ao trono na figura de Carlos II, nove anos depois, os puritanos fugiram para a América sem perucas. E fizeram o inferninho em Salém.

Tuesday, October 17, 2006

Delíros de Rousseau (6): Pobreza natural

Aproveitando ainda que estou falando de Rousseau, sempre divertidíssimo, lembrei que no início do Emílio Rousseau afirma que seu jovem educando deve ser rico. O pobre não precisa de educação porque, como está mais próximo da natureza, se educa sozinho. A sua educação já é perfeita, porque o filho do pobre é criado com o pé no chão, solto, etc. Então posso dizer: o rico, ao contrário, é criado preso em casas, quartos, escolas caras. Logo, o pobre, por estar mais próximo do chão, está mais próximo da natureza (terra) de dois modos fundamentais: mora em barraco (que é mais baixo que um prédio) e vive de pé no chão (portanto, está mais sujeito a vírus, bactérias, vermes e outras cositas más que a natureza tão generosamente partilha com o homem). Para usar as palavras de Rousseau, "o pobre pode tornar-se homem por si mesmo; só o rico precisa aprender a ser homem".

Não é por nada não, mas acho que Marx diz algo parecido. :-))))

Sunday, October 15, 2006

Delírios de Rousseau (5): Felicidade Caraíba

E já que estamos falando em Caraíbas, vamos ao Emílio, de Rousseau. Aqueles Caraíbas que são respeitados pelos animais selvagens (vide post anterior sobre o assunto), não sentem ciúme e amam docemente justamente porque não são civilizados, obviamente também são imensamente felizes. Ou pelo menos são "metade mais felizes do que nós" (Emilio I). Por que será? Rousseau explica, no mesmo parágrafo: tudo isso se deve ao fato de que as parteiras moldam a cabeça das crianças recém-nascidas e os filósofos moldam nossas cabeças já bem nascidas.

O que terá sua época pensado disso? Sinceramente, não sei. O que sei é que Rousseau é mais um filósofo a compactuar com as parteiras.

Friday, October 13, 2006

Delírios de Rousseau (4): Antídoto para o ciúme

Os séculos XVII e XVIII tiveram um interesse especial pelos nativos encontrados na América, a julgar pelo número de vezes que são citados nos textos de filosofia e pela menção ao estado de natureza. Dentre esses povos, os Caraíbas, da Venezuela, merecem destaque. Rousseau usa as observações dos naturalistas de sua época para afirmar, em algumas passagens do Segundo Discurso, que os Caraíbas são os que mais se aproximam do suposto Estado de Natureza. Isto é, são o povo menos civilizado do planeta. Por isso mesmo, diz Rousseau, são justamente o povo mais calmo nos seus amores e o menos sujeito ao ciúme (confira no Segundo Discurso).

Sendo assim, concluo eu, o ciúme está suficientemente bem explicado.

Tuesday, October 10, 2006

Envie seu presente para o futuro

Sabe aquela história de guardar uma mensagem numa garrafa e jogá-la ao mar? Pois é, agora você pode guardar seu passado e seu presente para o futuro. Faça assim: descreva uma semana de sua vida em detalhes: quanto pesa, o que faz, onde trabalha, quais são suas características físicas, quais são suas preferências, os filmes a que assistiu, os livros que leu, projetos para o futuro, etc. Depois vá ao site do Yahoo! e guarde suas anotações lá, para serem abertas no ano 2020. Se der sorte, seu presente ainda pode acabar no espaço, nas mãos de um ET. O Yahoo! pretende enviar tudo para o espaço, literalmente, no dia 8 de novembro.

Saturday, October 07, 2006

Rato, queijo e Chocolate Quente

Quer ver um rato dançando em frente a um queijo em uma ratoeira? Não? Que pena; é divertido.

Mudou de idéia? Clique no título. Ao menos a gente prestigia o esforço do criador da animação.

Thursday, October 05, 2006

Por que?

Ninguém pode negar que é algo inusitado a USP oferecer cursos de Latim e Grego, se levarmos em conta a crise por que estão passando as humanidades, mas estranho mesmo é que o curso de Latim tenha tido um aumento de 154% na procura, nos últimos cinco anos.

Certo, latim desenvolve o raciocínio lógico e aumenta a compreensão da língua nativa, mas em termos bem práticos, serve para ler Horácio no original, ensinar frases de efeito para advogados e... e é só.

Puxa. Por que há tão pouco interesse pela filosofia?

Sobretudo, o que nós, professores de filosofia, podemos fazer para começar a ensinar latim?

Wednesday, October 04, 2006

Criaturas Marinhas (2): Homem-peixe

Clique no título. Este homem-peixe provavelmente rendeu alguns trocados a seu criador. Ao menos é feio o bastante para parecer real.

Monday, October 02, 2006

Criaturas marinhas (1): Sereia

O tsunami de 2004 deixou algumas lembranças na praia. Clique no link e veja a sereia. Bom é que ela já veio assim, mumificada, e prontinha prá ser vendida no e-bay.

Saturday, September 30, 2006

Bonecos cartesianos

Havia, nos jardins reais da Paris do século XVII, uma espécie de Disneylândia: alguns bonecos colocados no centro de uma fonte produziam sons e respondiam à aproximação de seres humanos com movimentos dos braços, das mãos ou da cabeça, assustando os visitantes, por parecerem estar vivos. Mas estes movimentos eram, na verdade, efeito de um mecanismo muito simples: quando os visitantes se aproximavam dos bonecos para vê-los melhor, pisavam inadvertidamente em uma perda ou tabuinha que fazia o mecanismo funcionar.

Mas o que tudo isso tem a ver com Descartes?

Ele usou os bonecos do parque de diversões como modelo para descrever o corpo humano: a força das águas que emergia das fontes dos jardins reais era capaz de, sozinha, mover várias máquinas. Descartes supôs então que o corpo humano era movido também por uma espécie de sistema hidráulico: os tendões e nervos seriam o encanamento; o coração seria a fonte de água e o cérebro seria algo com um tanque de armazenamento da água. Como uma caixa d'água, entende?

A respiração seria a encarregada de manter tudo isso funcionando.

Trocando em miúdos, nossos corpos seriam basicamente líquido em movimento.

Êta raciocínio analógico!

E não é que tem lá seu sentido?

Thursday, September 28, 2006

Maratona da natureza humana

Já dizia o sábio Thomas Hobbes:

A comparação da vida do homem com uma corrida, se bem que não possa ser sustentada ponto por ponto, resulta tão forte para o nosso propósito, que por ela se pode ao mesmo tempo ver e relembrar quase todas a paixões que mencionamos. Mas não devemos supor que esta corrida tenha outro fim, nem outra utilidade, que ir sempre adiante;

assim,

fazer esforço, é o apetite;
ser indolente, é a sensualidade;
considerar os que ficam atrás é a glória;
considerar os que estão à frente é a humildade;
perder terreno olhando para trás, a vanglória;
ser reservado, o ódio;
voltar atrás, o arrependimento;
ter fôlego, a esperança;
estar lasso, o desespero;
tentar ultrapassar o que o precede, a emulação;
suplantar ou arruinar, a inveja;
estar resolvido a passar outro numa paragem prevista, a coragem;
passar outro numa paragem imprevista, a cólera;
passar facilmente, a magnanimidade;
perder terreno em pequenos obstáculos, a pusilanimidade;
cair de repente, é a disposição para chorar;
ver um outro cair, a disposição para rir;
ver ultrapassar alguém que não queríamos que o fosse, é a piedade;
ver alguém ultrapassar quando o não queríamos, é a indignação;
manter-se muito junto dum outro, é amar;
ajudar aquele que se mantém perto, é a caridade;
ferir-se por precipitação, é a vergonha;
estar sempre ultrapassado, é a miséria;
ultrapassar sempre o que o precede, é a felicidade
abandonar a corrida, é morrer.


Thomas Hobbes, Elementos de Lei Natural e Política

Wednesday, September 27, 2006

Verdade apodítica?

Falando sério: se há algo que não entendo em filosofia é a tal da verdade apodítica, que prescinde de demonstração. Não faz parte do conceito de razão a demonstração? Então como posso aceitar que uma verdade autoevidente, o que quer que isso signifique, seja racional? Eu quero dizer: se o ponto de partida de toda demonstração é uma verdade indemonstrável, então o ponto de partida da razão é a não-razão.

Eu disse que não entendia. :-)))

Tuesday, September 26, 2006

Ideogramas egípcios

Veja em http://www.youtube.com/watch?v=tpLfFMhyGPc

Friday, September 22, 2006

Só nuvem

Disco voador? Cristo? Círculo de luz? Invasão de pernilongos? Fim do mundo? Nossa Senhora?

Nuvem.

Clique no título e confira.

Thursday, September 21, 2006

Astrólogos encontram abrigo

A astrologia já tem um porto seguro: a Universidade de Brasília. Se você quiser fazer um curso de extensão em astrologia, ou simplesmente estudar o assunto a sério e ainda ganhar um título acadêmico para isso, agora você pode. Vá a Brasília. Mas vá logo, porque os cursos são concorridíssimos.

Não é lindo que a comunidade científica tenha finalmente aberto os olhos para esse conhecimento milenar?

Tuesday, September 19, 2006

Democracia

Já dizia Aristóteles que o melhor governo é a aristocracia (o melhor governo é certamente o governo dos melhores).

Como a aristocracia tende a degenerar em oligarquia (o governo dos ricos), a oligarquia tende a degenerar em monarquia (porque os ricos elegem alguém para governar) e a monarquia tende a degenerar em tirania (quando o monarca governa em seu próprio interesse, e não no interesse dos governados), o melhor regime de governo acaba sendo mesmo a democracia (originalmente o governo dos pobres), porque só ela tende ao melhor.

Trocando em miúdos, por minha conta e risco: a democracia é o melhor governo porque não pode ser pior do que é. :-))

E viva o liberalismo!