Já dizia Platão (Fédon 64a):
"O homem que realmente consagrou sua vida à filosofia é senhor de legítima convicção no momento da morte, possui esperança de ir encontrar para si, no além, excelentes bens quando estiver morto".
Só se for quando estiver morto. Mas será uma morte gloriosa e sorridente, passagem para um além-vida melhor ainda.
E o melhor de tudo é que não terá de reencarnar. Viverá eternamente na glória, ao lado de outros anjos-filósofos.
Que beleza!
Alguém ainda gostaria de matar vampiros?
Ow, eles descobriram a chave para a imortalidade!
Saturday, December 13, 2008
Thursday, December 11, 2008
O juramento de Hipócrates
Em tempos de maus médicos e estudantes de medicina piores ainda, não faz mal lembrar o juramento de Hipócrates:
"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva. Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."
"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva. Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."
Thursday, December 04, 2008
Quem inventou a dieta?
Segundo Jean-Jacques Rousseau (Segundo Discurso, col. Os Pensadores, p. 12), foi Hipócrates (460-377 a.C.), aquele grego descendente de Asclépio, o deus da medicina, e que criou o juramento proferido por todo formando de medicina, mesmo os baderneiros.
Hipócrates acreditava que o organismo humano é composto de quatro humores: sangue, fleuma, bílis amarela e bílis preta. A medicina, então, consistiria em manter o equilíbrio destes humores. A dieta teria um papel importante neste equilíbrio.
Como parece que só repetimos o que há muito já se julgava saber, fico me perguntando se não estamos eternizando um erro. Mas vá saber.
Hipócrates acreditava que o organismo humano é composto de quatro humores: sangue, fleuma, bílis amarela e bílis preta. A medicina, então, consistiria em manter o equilíbrio destes humores. A dieta teria um papel importante neste equilíbrio.
Como parece que só repetimos o que há muito já se julgava saber, fico me perguntando se não estamos eternizando um erro. Mas vá saber.
Sunday, November 30, 2008
Cuidado com as festas
Uma tal Mary Sanford, de 39 anos, bebeu vinho e dançou em volta de uma fogueira. Nada de mais, se isso não tivesse acontecido em 1662 em Connecticut. O resultado foi a condenação por bruxaria e o consequente enforcamento.
O problema, claro, não era o vinho, mas a dança. Afinal, Cristo também bebia vinho. É verdade que ele também dançou, mas uma vez só. De qualquer forma, as mulheres ciosas de seus maridos devem ter-se sentido ameaçadas pela dança. Ou os homens, ciosos de sua respeitabilidade. Ou vai ver que a dança era só o pretexto, e que outras atitudes dela já estavam incomodando os homens respeitáveis e suas esposas cuidadosas. Vá saber.
Bem. O fato é que a Assembléia Legislativa do estado de Connecticut deve absolver Sanford do "crime". Devia era indenizar os descendentes.
À parte esta história absurdamente trágica, fico me perguntando como as pessoas podem achar que a religião é capaz de tornar os homens melhores, quando o que menos importa a um fanático religioso é a vida. A sua, e a dos outros.
O problema, claro, não era o vinho, mas a dança. Afinal, Cristo também bebia vinho. É verdade que ele também dançou, mas uma vez só. De qualquer forma, as mulheres ciosas de seus maridos devem ter-se sentido ameaçadas pela dança. Ou os homens, ciosos de sua respeitabilidade. Ou vai ver que a dança era só o pretexto, e que outras atitudes dela já estavam incomodando os homens respeitáveis e suas esposas cuidadosas. Vá saber.
Bem. O fato é que a Assembléia Legislativa do estado de Connecticut deve absolver Sanford do "crime". Devia era indenizar os descendentes.
À parte esta história absurdamente trágica, fico me perguntando como as pessoas podem achar que a religião é capaz de tornar os homens melhores, quando o que menos importa a um fanático religioso é a vida. A sua, e a dos outros.
Tuesday, November 25, 2008
Sabá é logo ali
Então.
A rainha de Sabá não só existiu, como tinha um palácio também.
Lembra-se da rainha de Sabá, aquela que seduziu Salomão, ou foi seduzida por ele, e de quebra levou para sua terra um filho e a arca da aliança e ainda virou filme de Hollywood, na pele de Gina Lollobrigida?
Pois é. O lendário palácio da lendária rainha da lendária Sabá foi encontrado, claro, na Etiópia (quem ainda não sabia que ela era sabatiana-etíope?). Bem, não é que ele foi encontrado exatamente, entende? Foram encontradas, isto sim, ruínas de um antigo palácio por aqueles que estavam procurando o palácio da lendária Sabá e queriam muito encontrar o palácio da lendária Sabá. Logo, encontraram o lendário palácio da lendária rainha de Sabá. Na Etiópia.
Por enquanto é isso. É verdade que há uma relação estreita entre mitos e realidade histórica, e a rainha deve ter mesmo existido, já que alguns relatos bíblicos foram comprovados pela ciência (vide E a Bíblia tinha razão). Mas, a não ser que indícios fortes comecem a relacionar o palácio encontrado com a mãe de um dos mil filhos de Salomão, o que acho bastante improvável, o que existe por enquanto é apenas o efeito Schleimann.
A rainha de Sabá não só existiu, como tinha um palácio também.
Lembra-se da rainha de Sabá, aquela que seduziu Salomão, ou foi seduzida por ele, e de quebra levou para sua terra um filho e a arca da aliança e ainda virou filme de Hollywood, na pele de Gina Lollobrigida?
Pois é. O lendário palácio da lendária rainha da lendária Sabá foi encontrado, claro, na Etiópia (quem ainda não sabia que ela era sabatiana-etíope?). Bem, não é que ele foi encontrado exatamente, entende? Foram encontradas, isto sim, ruínas de um antigo palácio por aqueles que estavam procurando o palácio da lendária Sabá e queriam muito encontrar o palácio da lendária Sabá. Logo, encontraram o lendário palácio da lendária rainha de Sabá. Na Etiópia.
Por enquanto é isso. É verdade que há uma relação estreita entre mitos e realidade histórica, e a rainha deve ter mesmo existido, já que alguns relatos bíblicos foram comprovados pela ciência (vide E a Bíblia tinha razão). Mas, a não ser que indícios fortes comecem a relacionar o palácio encontrado com a mãe de um dos mil filhos de Salomão, o que acho bastante improvável, o que existe por enquanto é apenas o efeito Schleimann.
Saturday, November 15, 2008
Livros raros
Quer um site onde pode encontrar - e baixar - livros raros, sejam acadêmicos ou literários? Clique no título desde post. O site é o gigapedia, com livros sobretudo em inglês. Terá de se cadastrar, mas é coisa pouca. Só email, login e senha.
Faça a pesquisa marcando o "item search". Você ficará surpreso com o que pode encontrar.
Faça a pesquisa marcando o "item search". Você ficará surpreso com o que pode encontrar.
Saturday, November 08, 2008
Vá trabalhar, vagabundo
Para festejar meu retorno:
TV ligada não é só prá quem vê; é também prá quem ouve.
Ouvi outro dia, em uma novelinha teen, a diretora de uma escola dizer a um grupo de estudantes que conversava no pátio da escola, no horário da aula:
"Vá estudar, cambada. Vocês vieram aqui prá estudar, não para filosofar!".
Puxa. E eu que pensava que filosofia exige estudo, disciplina, esforço pessoal. E trabalho, muito trabalho.
Pensava também que a filosofia exigia investimento de tempo, de muito tempo.
Parece que me enganei. Filosofia é prá quem não tem o que fazer.
Ou para quem quer fugir das obrigações.
TV ligada não é só prá quem vê; é também prá quem ouve.
Ouvi outro dia, em uma novelinha teen, a diretora de uma escola dizer a um grupo de estudantes que conversava no pátio da escola, no horário da aula:
"Vá estudar, cambada. Vocês vieram aqui prá estudar, não para filosofar!".
Puxa. E eu que pensava que filosofia exige estudo, disciplina, esforço pessoal. E trabalho, muito trabalho.
Pensava também que a filosofia exigia investimento de tempo, de muito tempo.
Parece que me enganei. Filosofia é prá quem não tem o que fazer.
Ou para quem quer fugir das obrigações.
Saturday, November 01, 2008
A quem interessar possa
Se houver ainda quem leia este brogue, informo que estou de volta.
As razões para o afastamento do mundo virtual durante alguns meses são muitas, mas vou resumir todas em uma só: apelos da vida real impossíveis de ignorar. Mas como a vida não se faz apenas de realidade, eis-me de volta. Espero continuar ainda por um bom tempo me divertindo por aqui.
E vamo que vamo!
Viva o virtual!
O resto... é o que resta.
As razões para o afastamento do mundo virtual durante alguns meses são muitas, mas vou resumir todas em uma só: apelos da vida real impossíveis de ignorar. Mas como a vida não se faz apenas de realidade, eis-me de volta. Espero continuar ainda por um bom tempo me divertindo por aqui.
E vamo que vamo!
Viva o virtual!
O resto... é o que resta.
Thursday, June 26, 2008
O canto do bode
Descobri que "tragédia" em grego significa "canto do bode" (Jacqueline de Romilly, A tragédia grega, p. 17).
A autora apresenta a hipótese, recusada por ela, de que "bode" se refira aos sátiros, associados ao culto a Dioniso que, por sua vez, é um deus ligado às artes.
Lembrei da piada do bode.
Ter um bode morando na sala de casa é a verdadeira tragédia.
O resto é bobagem.
A autora apresenta a hipótese, recusada por ela, de que "bode" se refira aos sátiros, associados ao culto a Dioniso que, por sua vez, é um deus ligado às artes.
Lembrei da piada do bode.
Ter um bode morando na sala de casa é a verdadeira tragédia.
O resto é bobagem.
Friday, June 20, 2008
Meteorosofista
Você sabe o que é um meteorosofista?
Confesso que não fazia idéia, até encontrar em Kerfeld (O movimento sofista), a explicação: trata-se de um sofista superior.
Meu problema agora é saber que sofistas são superiores, superiores em quê, e quem é que decide que sofistas são superiores.
E eu que pensava que eram todos inferiores.
Confesso que não fazia idéia, até encontrar em Kerfeld (O movimento sofista), a explicação: trata-se de um sofista superior.
Meu problema agora é saber que sofistas são superiores, superiores em quê, e quem é que decide que sofistas são superiores.
E eu que pensava que eram todos inferiores.
Friday, June 13, 2008
Você pode ver fantasmas?
Aproveitando que deixei todas as minhas obrigações de lado para me ocupar com fantasmas, encontrei sem muito esforço um website em que fiz o teste para saber se tenho competência espiritual para ver fantasmas.
Clique no título deste post e faça o teste você também.
Isto, se não formos todos espiritualmente incompetentes.
Mas vá lá. As perguntas são no mínimo divertidas:
1. Você se recusaria a passar uma noite numa casa assombrada?
-- Ow, o que um possível medo de casa assombrada tem a ver com o fato de ver um fantasma? Ah... é porque eles estão lá! Dãããã!
Se for preciso ter medo de casa assombrada para ver fantasma, estou perdida. Não tenho medo de casas.
2. Você medita?
-- Não, fio. Mas o que isso tem a ver com fantasma?
3. Você usa preto 90% (ou mais) do tempo?
-- Ué, não. Por que? O preto atrai fantasmas?
Bem, chega.
O resultado?
Minhas habilidades psíquicas não estão inteiramente desenvolvidas.
Que novidade.
Cá entre nós: alguém precisa realmente fazer esse teste?
Só se for mesmo para fugir das obrigações.
Clique no título deste post e faça o teste você também.
Isto, se não formos todos espiritualmente incompetentes.
Mas vá lá. As perguntas são no mínimo divertidas:
1. Você se recusaria a passar uma noite numa casa assombrada?
-- Ow, o que um possível medo de casa assombrada tem a ver com o fato de ver um fantasma? Ah... é porque eles estão lá! Dãããã!
Se for preciso ter medo de casa assombrada para ver fantasma, estou perdida. Não tenho medo de casas.
2. Você medita?
-- Não, fio. Mas o que isso tem a ver com fantasma?
3. Você usa preto 90% (ou mais) do tempo?
-- Ué, não. Por que? O preto atrai fantasmas?
Bem, chega.
O resultado?
Minhas habilidades psíquicas não estão inteiramente desenvolvidas.
Que novidade.
Cá entre nós: alguém precisa realmente fazer esse teste?
Só se for mesmo para fugir das obrigações.
Wednesday, June 11, 2008
Como falar com fantasmas
Ops! Outro website interessantíssimo!
Ouvir fantasmas requer método.
Ver fantasmas requer método.
Consequentemente, falar com fantasmas requer método.
Com uma lógica como essa, que posso fazer?
Pensar no que dizer ao fantasma quando o ouvir ou vir, claro!
Então.
Que posso dizer a um fantasma?
Perguntar se levou um mapa do inferno?
Se passou por uma terapia espiritual?
Se ficou internado no hospital dos espíritos?
Se já aprendeu a não ser escaldado?
Se já recebeu pés?
Se já entrou no cepo?
Se já aprendeu a beber água?
Acho que seria melhor simplesmente dizer "xô!". Se ele ouvir, resolve logo o assunto.
----
No mundo da técnica, só faltava mesmo a técnica para contactar o imaginário.
Como se fosse preciso.
Ouvir fantasmas requer método.
Ver fantasmas requer método.
Consequentemente, falar com fantasmas requer método.
Com uma lógica como essa, que posso fazer?
Pensar no que dizer ao fantasma quando o ouvir ou vir, claro!
Então.
Que posso dizer a um fantasma?
Perguntar se levou um mapa do inferno?
Se passou por uma terapia espiritual?
Se ficou internado no hospital dos espíritos?
Se já aprendeu a não ser escaldado?
Se já recebeu pés?
Se já entrou no cepo?
Se já aprendeu a beber água?
Acho que seria melhor simplesmente dizer "xô!". Se ele ouvir, resolve logo o assunto.
----
No mundo da técnica, só faltava mesmo a técnica para contactar o imaginário.
Como se fosse preciso.
Tuesday, June 10, 2008
Como ver e ouvir fantasmas
Encontrei por acaso o site linkado no título que ajuda a ver fantasmas. Pensei: oba, finalmente!
Mas o site envia o esperançoso para outros websites, e não tive paciência para fazer a jornada. Queria ver fantasmas sem fazer esforço, sem ter de ler páginas e páginas de instruções. Queria ver e pronto.
Mas vai ficar para outra vez.
Vai ver que ainda não estou pronta.
Quem sabe quando aposentar eu tenha tempo para estudar a técnica.
Mas o site envia o esperançoso para outros websites, e não tive paciência para fazer a jornada. Queria ver fantasmas sem fazer esforço, sem ter de ler páginas e páginas de instruções. Queria ver e pronto.
Mas vai ficar para outra vez.
Vai ver que ainda não estou pronta.
Quem sabe quando aposentar eu tenha tempo para estudar a técnica.
Sunday, June 08, 2008
Farejador de plágios
Para ladrão de galinha, cerca. Para ladrão de carros, alarme. Para ladrão de casas (ops! assaltante), tranca.
E agora, senhoras e senhores, para ladrão de idéias, o magnífico, supreendente farejador de plágio!
Clique no link, baixe o programa e seja um feliz farejador de plágio.
Ou um infeliz plagiador farejado, se não farejar antes de plagiar.
Brincadeiras à parte, esta é uma nova ferramenta da internet. Ao menos, nova para mim.
Sem dúvida, de grande utilidade para professores.
E uma péssima idéia para quem não tem idéia.
E agora, senhoras e senhores, para ladrão de idéias, o magnífico, supreendente farejador de plágio!
Clique no link, baixe o programa e seja um feliz farejador de plágio.
Ou um infeliz plagiador farejado, se não farejar antes de plagiar.
Brincadeiras à parte, esta é uma nova ferramenta da internet. Ao menos, nova para mim.
Sem dúvida, de grande utilidade para professores.
E uma péssima idéia para quem não tem idéia.
Friday, June 06, 2008
Ode à preguiça
Sabemos que boa parte das fábulas infantis são gregas. Muitas são inspiradas em Esopo, especialmente as que têm animais falantes. Outra parte é inspirada nas histórias da mitologia (Eros e Psyché, p. ex., virou A bela e a fera).
Mas, olha que gracinha, Platão quase conta, no Fedro (259c), a história da cigarra e da formiga:
"Diz-se que outrora, antes do nascimento das Musas, as cigarras eram homens. Mas, quando as Musas surgiram e apareceu o canto, alguns dos homens dessa época sentiram-se de tal maneira arrebatados pelo prazer da música que, à força de cantar, descuidaram o alimento e a bebida e morreram sem dar por isso. Deles nasce, então, a raça das cigarras... Por muitas razões, portanto, devemos conversar, e não dormir, na hora do meio-dia".
A hora do meio-dia aqui, é claro, refere-se à idade adulta, entre a manhã (infância) e a tarde (velhice).
Então.
Mas, olha que gracinha, Platão quase conta, no Fedro (259c), a história da cigarra e da formiga:
"Diz-se que outrora, antes do nascimento das Musas, as cigarras eram homens. Mas, quando as Musas surgiram e apareceu o canto, alguns dos homens dessa época sentiram-se de tal maneira arrebatados pelo prazer da música que, à força de cantar, descuidaram o alimento e a bebida e morreram sem dar por isso. Deles nasce, então, a raça das cigarras... Por muitas razões, portanto, devemos conversar, e não dormir, na hora do meio-dia".
A hora do meio-dia aqui, é claro, refere-se à idade adulta, entre a manhã (infância) e a tarde (velhice).
Então.
Tuesday, June 03, 2008
Escrita assassina
No Fedro de Platão, Sócrates é contrário à escrita, porque entende que ela mata o pensamento. A escrita é estática, enquanto o pensamento é dinâmico. Logo, uma vez escrito, o pensamento estratifica e morre.
Trocando em miúdos, a escrita é rigor mortis do pensamento.
Ainda bem que ninguém deu ouvidos a ele.
O legislador Sólon, que tornou compulsório o ensino da leitura e da escrita, devia estar se revirando na cova.
Veja a passagem, resumida:
"Uma vez escrito, todo o discurso rola por todos os lugares, apresentando-se sempre do mesmo modo, tanto a quem o deseja ouvir, quanto a quem não mostra interesse algum, e não sabe a quem deve falar e a quem não deve (Fedro 275d-e)."
Na sequência, Sócrates argumenta que a escrita faz com que a leitura aliene o pensamento: ninguém é capaz de pensar por conta própria, já que opiniões prontas estão à disposição de qualquer um. Isto acontece com frequência, mas o problema não está na escrita, e sim em quem se serve dela para alimentar sua preguiça intelectual e escondê-la até de si mesmo.
Menos, Pratão. Menos.
Trocando em miúdos, a escrita é rigor mortis do pensamento.
Ainda bem que ninguém deu ouvidos a ele.
O legislador Sólon, que tornou compulsório o ensino da leitura e da escrita, devia estar se revirando na cova.
Veja a passagem, resumida:
"Uma vez escrito, todo o discurso rola por todos os lugares, apresentando-se sempre do mesmo modo, tanto a quem o deseja ouvir, quanto a quem não mostra interesse algum, e não sabe a quem deve falar e a quem não deve (Fedro 275d-e)."
Na sequência, Sócrates argumenta que a escrita faz com que a leitura aliene o pensamento: ninguém é capaz de pensar por conta própria, já que opiniões prontas estão à disposição de qualquer um. Isto acontece com frequência, mas o problema não está na escrita, e sim em quem se serve dela para alimentar sua preguiça intelectual e escondê-la até de si mesmo.
Menos, Pratão. Menos.
Sunday, June 01, 2008
Professor reflexivo?
Ouvi de uma colega que a nova moda entre os professores é a figura do "professor reflexivo".
Segundo a explicação, trata-se de um novo modo de conceber o educador: ele tem de pensar criticamente sua prática, sua escola e a educação como um todo. Tem de levantar dúvidas sobre seu trabalho de modo crítico e autônomo, o que é feito em reuniões em que o professor apresenta aos colegas o plano de aula, a abordagem escolhida, a metodologia empregada e os problemas que surgirem, de modo a ouvir críticas e sugestões dos colegas, e de ser capaz de elaborar, ele mesmo, críticas a seu trabalho e à sua atividade.
Não creio que essa razão, que me parece ser meramente instrumental, vá além da técnica e de um conceito de crítica que não ultrapassa o "como fazer" e se mede por resultados não qualitativos, mas quantitativos.
Ser reflexivo, no melhor sentido, significa bem mais que um exercício de crítica e auto-crítica mecânico.
Segundo a explicação, trata-se de um novo modo de conceber o educador: ele tem de pensar criticamente sua prática, sua escola e a educação como um todo. Tem de levantar dúvidas sobre seu trabalho de modo crítico e autônomo, o que é feito em reuniões em que o professor apresenta aos colegas o plano de aula, a abordagem escolhida, a metodologia empregada e os problemas que surgirem, de modo a ouvir críticas e sugestões dos colegas, e de ser capaz de elaborar, ele mesmo, críticas a seu trabalho e à sua atividade.
Não creio que essa razão, que me parece ser meramente instrumental, vá além da técnica e de um conceito de crítica que não ultrapassa o "como fazer" e se mede por resultados não qualitativos, mas quantitativos.
Ser reflexivo, no melhor sentido, significa bem mais que um exercício de crítica e auto-crítica mecânico.
Saturday, May 31, 2008
De como se dar bem no mundo inferior
Comprei esta semana uma tradução do Livro dos Mortos, dos antigos egípcios (O livro egípcio dos mortos, E.A. Wallis Budge, Editora Pensamento). Não dá nem prá pensar em ler agora. Estou ocupadíssima com outras leituras. Em todo caso, sempre tive muito interesse em ler esse material, para saber exatamente do que se trata, e não resisti de folhear o livro. Encontrei títulos no mínimo curiosos, sob um olhar alheio. Eis alguns desses títulos:
- De como fazer retroceder o comedor do burro
- De como acabar com as matanças levadas a cabo no mundo inferior
- De como não perecer e tornar-se vivo no mundo inferior
- De como não sofrer corrupção no mundo inferior
- De como não entrar para o cepo
- De como aspirar o ar entre as águas no mundo inferior
- De como beber água no mundo inferior
- De como não ser escaldado com água
- De como sair à luz no mundo inferior
- De como receber os pés e sair sobre a terra
- De como viajar para anu (heliópolis) e ali receber um trono
- De como operar a transformação num falcão
- De como conduzir um barco no céu
- De como chegar ao porto
- De como fazer recuar o crocodilo que vem buscar as palavras mágicas da alma imortal no mundo inferior
- De como sair da rede
- De como não morrer pela segunda vez
Eu até tentei ler alguma coisa das passagens relativas a esses títulos, mas não entendi lhufas. Quem sabe, quando começar do começo, venha a entender.
Por ora, tudo isso me parece o que o sofista Lícofron disse da nobreza: "Excelência imaginária".
- De como fazer retroceder o comedor do burro
- De como acabar com as matanças levadas a cabo no mundo inferior
- De como não perecer e tornar-se vivo no mundo inferior
- De como não sofrer corrupção no mundo inferior
- De como não entrar para o cepo
- De como aspirar o ar entre as águas no mundo inferior
- De como beber água no mundo inferior
- De como não ser escaldado com água
- De como sair à luz no mundo inferior
- De como receber os pés e sair sobre a terra
- De como viajar para anu (heliópolis) e ali receber um trono
- De como operar a transformação num falcão
- De como conduzir um barco no céu
- De como chegar ao porto
- De como fazer recuar o crocodilo que vem buscar as palavras mágicas da alma imortal no mundo inferior
- De como sair da rede
- De como não morrer pela segunda vez
Eu até tentei ler alguma coisa das passagens relativas a esses títulos, mas não entendi lhufas. Quem sabe, quando começar do começo, venha a entender.
Por ora, tudo isso me parece o que o sofista Lícofron disse da nobreza: "Excelência imaginária".
Wednesday, May 28, 2008
Hê pornê
Quem leu Platão sabe bem que os sofistas eram prostitutas do saber, já que vendiam conhecimento.
Mas, como bem observou o historiador Grote (e Bertrand Russell, em sua História da Filosofia), o que ninguém parece perceber é que um professor moderno, ao cobrar para ensinar, e sobretudo repetir que quem recebe para ensinar não passa de pornê do saber, está afirmando que ele próprio, o douto imitador de Platão, é uma prostituta (ou prostituto, tanto faz).
Se cobrar para ensinar é prostituição, então quem ensina sob pagamento é o quê, fio?
Lembrei daquele político americano que disse, indignado com um adversário: "Esse idiota devia ser escoiceado até a morte por um asno, e eu sou o indicado para fazer isso".
Bastante reflexivo, sem dúvida.
No sentido mais puro.
De espelho, quero dizer.
Mas, como bem observou o historiador Grote (e Bertrand Russell, em sua História da Filosofia), o que ninguém parece perceber é que um professor moderno, ao cobrar para ensinar, e sobretudo repetir que quem recebe para ensinar não passa de pornê do saber, está afirmando que ele próprio, o douto imitador de Platão, é uma prostituta (ou prostituto, tanto faz).
Se cobrar para ensinar é prostituição, então quem ensina sob pagamento é o quê, fio?
Lembrei daquele político americano que disse, indignado com um adversário: "Esse idiota devia ser escoiceado até a morte por um asno, e eu sou o indicado para fazer isso".
Bastante reflexivo, sem dúvida.
No sentido mais puro.
De espelho, quero dizer.
Saturday, May 24, 2008
Riso falso
O diabólico no riso falso está justamente em que ele é forçosamente uma paródia até mesmo daquilo que há de melhor: a reconciliação.
Theodor Adorno
Theodor Adorno
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