Monday, November 20, 2006

Você é sensitivo?

Você sabe, antes de atender, quem está do outro lado da linha quando o telefone toca?

Já sonhou com alguém que não via há muito tempo e logo reencontrou essa pessoa?

Conegue visualizar com os olhos da mente onde estão objetos e pessoas?

Sabe o que alguém vai dizer antes que comece a falar?

Sabe o que um tal Tickle vai servir para os amigos no jantar que preparou?

Adivinhou que desenho há sob uma carta virada, sem nunca tê-la visto antes?

Sabe de que cor são os olhos do tal Tickle?

Acertou quando disse que o tal Tickle acabou de comprar um carro usado?

Respondeu "não" a todas as perguntas?

Então você um sensitivo!

Vá por mim: qualquer um que fizer o teste linkado no título deste post é sensitivo só de ter feito o teste. Eu respondi "não" a tudo - a maior parte das perguntas eu nem li, porque o teste é longo e chato, então marquei logo "never" e "no". O que não podia ser "never" e "no", chutei, e olhe só!, descobri que tenho uma enorme habilidade para visitar, com a mente, lugares desconhecidos. Isso significa que sou capaz de ajudar a polícia a encontrar fugitivos. Não é ótimo?

Pensando bem, há boas chances de que eu seja mesmo sensitiva. Saí chutando as respostas ou dizendo "não" e mesmo assim acertei! Pois então. E mais: meus poderes recém-descobertos me dizem que basta fazer o teste para ser sensitivo.

Saturday, November 18, 2006

Resposta ao Anônimo (a)

Anônimo (a):

Ainda refletindo sobre a passagem que destacou.

Considerando apenas o objeto: supondo um existente qualquer, numa série finita de manifestações. Em sua primeira aparição, o objeto é obviamente desconhecido para o sujeito. Se a série de aparições for finita, em algum momento o objeto será conhecido inteiramente. Se isso fosse possível, então aquela primeira aparição, quando o objeto era desconhecido, não poderia se repetir (o que é conhecido não pode aparecer como desconhecido).

Então, há quatro possibilidades:

1. O objeto nunca aparece, de nenhum modo.
2. O objeto se mostra imediata e inteiramente ao sujeito.
3. O objeto se revela progressivamente, em uma série finita de aparições, até se revelar inteiramente.
4. O objeto nunca se revela inteiramente.

O primeiro caso é facilmente descartado, porque se o objeto nunca aparecesse ao sujeito, não haveria conhecimento, e basta a afirmação “a é diferente de b” para negar esta hipótese.
O segundo também não é possível, porque implicaria que sujeito e objeto são estáticos, o que sabemos não ser o caso.
O terceiro é absurdo porque, uma vez conhecido o objeto, cessam as aparições (neste caso a ciência algum dia saberia tudo e não haveria nada mais a ser descoberto). Mas o ponto principal é que só conhecemos um objeto quando o conhecemos inteiramente, o que não pode ser (pelas razões apresentadas anteriormente).
5. O quarto item é o único aceitável. Neste caso, é forçoso que a série de aparições seja infinita, porque se o objeto se revela parcialmente a cada momento, só o conhecemos parcialmente. Uma nova aparição sempre é possível.

Wednesday, November 15, 2006

A lógica da loteria

Nunca consegui ter disciplina suficiente para jogar na loteria, ou para checar o resultado, e nunca acreditei na possibilidade de ganhar. Mas isso mudou há três anos. Quero dizer, passei a considerar que posso talvez quem sabe ganhar. A disciplina continua a mesma.

Minha irmã, que joga há mais de dez anos, sempre argumentou a favor da loteria literalmente usando a falácia de Monte Carlo: "o fulano ganhou; logo, serei a próxima. Apostei e acertei quatro números. Logo, da próxima vez acertarei cinco". Eu sempre argumentei que o raciocínio é falacioso; que os resultados são aleatórios, que ninguém vai ganhar da próxima vez porque quase ganhou antes, etc, mas nunca adiantou muito. Ela continuava jogando toda semana, invariavelmente, e então... ganhou. Não ficou rica; ganhou apenas o suficiente para comprar uma casa, reformá-la e mobiliá-la. E então, o golpe final em minha lógica: "Viu? Ganhei! Eu não disse que estava chegando perto?"

Mas o que mais a irritou, quando ganhou, foi o cálculo que tentei fazer dos custos, o que inevitavelmente reduziria o benefício: "quantos anos você jogou? Quanto apostou por semana? Então, você gastou tanto e obteve tanto. Diminuindo o quanto gastou do que ganhou, na verdade seu ganho foi x, muito abaixo do valor do prêmio".

A resposta veio com o fato: "Ganhei, não foi? Então?"

Pois é. Então.

Ela continua jogando, e lá vem a falácia de Monte Carlo outra vez: se ganhou uma vez, vai ganhar novamente. Argumentei que a possibilidade de ganhar novamente é remotíssima, mas ela acha que está chegando mais perto, que está quase lá e que, se meus argumentos falharam uma vez, é porque não são bons mesmo.

Lamentavelmente, contra fatos não há argumentos.

Sunday, November 12, 2006

Loteria lógica

Tive uma idéia absolutamente imbecil ontem, mas ainda não consegui me livrar dela. Fiquei me perguntando se posso usar as tabelas de verdade da lógica para testar a probabilidade de ganhar na loteria.

O raciocínio foi o seguinte: se tenho uma variável, há 50% por cento de chance de acertar (já que ela é ou verdadeira ou falsa). Se tenho duas variáveis, então (considerando somente a tabela do conjuntor, que é o caso), só há uma possibilidade em quatro. Se são três variáveis, uma possibilidades em oito. Se há quatro variáveis, então há uma possibilidade em dezesseis, e assim por diante. Então, aplicando o raciocínio à megasena, por exemplo: eu aposto cinco palpites. A possibilidade de ocorrer aquela combinação específica (por exemplo, 2 - 7 - 12 - 21 - 46) é de 1 para 16, o que daria uma média razoável. Mas então percebi que tenho de levar em consideração o conjunto de apostas possíveis, e não somente a combinação específica que apostar, o que daria uma média infinitamente maior. Como a matemática não é meu forte, desisti da empreitada, mas ainda acho que é possível, só com a lógica, calcular de algum modo as minhas chances e, quem sabe, desistir logo da idéia de ganhar na megasena e parar de jogar dinheiro fora.

Eu avisei que a idéia não era lá grande coisa. :-))

Friday, November 10, 2006

Comedores de batata estragada

Parece brincadeira, mas não é. Relendo os Manuscritos Econômico-Filosóficos de Marx, encontrei esta observação:

"O irlandês não conhece outra necessidade senão a de comer e, mais precisamente, a de comer batatas, e para sermos mais exatos, a de comer batatas estragadas, a pior espécie de batata". (Col. Os Pensadores, p. 23).

Não duvido que uma batata estragada seja a pior espécie de batata, mas de onde terá vindo essa informação no mínimo curiosa? Já que Marx viveu - e morreu - em Londres, deve ter absorvido a opinião dos ingleses sobre os irlandeses rebeldes, que têm a grama mais verde do planeta e, claro, as batatas menos suculentas.

Wednesday, November 08, 2006

Leilão de baleia

Você já pensou em ser dono de uma baleia? Ora, por que não? Querer é poder! Ou melhor, querer é poder no e-bay.

O "Mercado Livre" americano, e-bay, está leiloando os direitos sobre uma baleia. Qualquer um pode comprar, e nem é tão caro assim: com exíguos vinte dólares iniciais, você pode participar do leilão e, quem sabe, arrematar o produto. Se pensar bem, verá que suas chances são até boas. Afinal, quem quer comprar baleia hoje em dia, né?

Mas não precisa se preocupar com o lugar onde vai colocá-la. A baleia continuará no mar. Ela apenas passará a ser sua, e nenhum pescador poderá matá-la. Se acontecer de um desavisado matar sua baleia, você ainda poderá processá-lo.

E aí? Não é um bom negócio? Se a baleia continuar viva, você será responsável pela sua preservação. Se a matarem, você ainda ganha dinheiro com isso. Mas não fique muito entusiasmado. Nenhum pescador que se preze tem lá muito dinheiro, e as baleias são muito parecidas.

Monday, November 06, 2006

Qualificação sobrenatural

Ando assistindo ao programa "Psychic Detectives", da Discovery e fico me perguntando: se os médiuns, ou coisa que o valha, são capazes de resolver todos os crimes, que necessidade temos de detetives? Devíamos, isto sim, despedir todos os investigadores e contratar "sensitivos" para ocupar o lugar deles.

Eu só queria saber por que esses "psychics" não descobrem quem sequestrou o bebê de Livingstone, quem matou a "Princess Doe", quem foi "Jack O Estripador", e outros crimes sem solução da história. Mas já sei: é que a "energia de morte" já sumiu no espaço, o espírito já passou dessa para melhor e eles - os "psychics" - não têm como provar que estão certos.

Fazer o quê. Mas o que há de realmente insuportável nesse programa é a emoção dos sensitivos diante do fantasma do morto: "Ela está aqui agora, conosco, se despedindo de nós, agora que a justiça foi feita", e coisas do gênero.

O mais intrigante é a alegação de que há médiuns "qualificados" e falsos médiuns. O que "qualificaria" um médium? A estatística?

Seria patético, se não fosse trágico.

Monday, October 30, 2006

Pegadas no México

Foram encontradas 13 pegadas fossilizadas, de seres humanos, no norte do México. A estimativa é que sejam datadas de cerca de 10.000 a 15.000 anos atrás. Se esta datação for confirmada, estes serão os registros arqueológicos da presença de seres humanos mais antigos do continente. Cada pegada tem 27 cm de comprimento e 2 cm de profundidade, e estão espalhadas por cerca de 10 metros.

Wednesday, October 25, 2006

Impagável

Se você tem conhecimento de filosofia e lê em inglês, este site é impagável: "I can´t see clearly now" vira "I can´t think clearly now"; "Garota de Ipanema" vira uma brincadeira com Sócrates, "The Gadfly Athenaios"; "Take a walk at the wild side", de Lou Reed, vira "Make a talk on the Ryle side"; "My way" passa a ser "Paradoxes"; "Yesterday", dos Beatles, vira "Recherché"; "Kung-Fu Fighting" vira "Goldstein's Writing" e "Feelings", de Morris Albert, vira "Vegan".

Não deixe de ouvir.

Para ter uma idéia do que vai encontrar neste site, fiz uma tradução rápida e despretenciosa da versão de Garota de Ipanema:

Baixinho e careca, feio e de nariz adunco,
Lá vem a mosca varejeira de Atenas fazer perguntas,
e quando ele pergunta, todo mundo responde "hã?"

Apesar de mais parecer um sofista,
ele se preocupa com a verdade, ele se importa com a justiça,
mas quando faz perguntas, todo mundo responde "hã?"

Como posso conhecer os universais? Qual é a natureza da virtude?
A alma é imortal? É real o que você pensa que conhece?
Pergunte a Eutífron!

Baixinho e careca, feio e de nariz adunco,
Lá vem a mosca varejeira de Atenas fazer perguntas,
e no entanto são só perguntas...

"Hã?" "hã-hã?" "hã?" "Hã-hã-hã?" "Hã?"
"Hã-hã-hã?" "Hã?" "Hã-hã-hã?" Hã?"
"Hã-hã-hã-hhhhhããããããã, hããããã hã-hã-hã?"
só perguntas... perguntas...

Tuesday, October 24, 2006

E-books

Para quem se interessa por livros virtuais, o site ateus.net tem uma boa coleção. Veja o índice clicando no título.

Monday, October 23, 2006

Inútil fundamental

Ah, a filosofia!

Sempre tão fundamental, tão essencial, sempre "humanizadora", "humanizante" ou qualquer coisa do gênero, sempre tão necessária para que se possa pensar (sic!), ou pensar criticamente, ou radicalmente, ou qualquer coisa do gênero, sempre tão importante para não nos deixarmos levar por ideologias, fantasias, superstições, irracionalidade, erro, má-fé... e no entanto tão inútil para quem precisa se alimentar, vestir, trabalhar, se divertir, viver dignamente, ter o Vectra do ano, uma cobertura nos Jardins, uma casa na praia, viagens à Grécia, ao Egito, à Europa filosofante, ao mundo das idéias.

Tão imprescindível, claro, para que possamos enxergar paradoxos, contradições, contrasensos, ilogicidade.

Mas o maior paradoxo é ela própria hoje: tão fundamental, e tão inútil.

O mesmo se pode dizer dos filósofos.

Saturday, October 21, 2006

Cabeças redondas

Já ouviu falar dos "cabeças redondas"? Se não, vou apresentá-los a você. Eram aqueles sujeitos que, no parlamento inglês do século XVII, se recusavam a usar perucas. Por isso a cabeça redonda: não tinha aqueles volteios todos das perucas brancas, cheias de cachos.

Os cabeças redondas representavam a nobreza rural, puritana, desejosa de aumentar suas terras simplesmente estendendo as cercas para um pouquinho mais além, e que brigava no parlamento (sem peruca, lembre-se) para controlar o poder até então absoluto dos monarcas.

A propósito, Oliver Cromwell, líder da revolução puritana que depôs o rei Carlos I, também era um cabeça redonda. Quando a monarquia voltou ao trono na figura de Carlos II, nove anos depois, os puritanos fugiram para a América sem perucas. E fizeram o inferninho em Salém.

Tuesday, October 17, 2006

Delíros de Rousseau (6): Pobreza natural

Aproveitando ainda que estou falando de Rousseau, sempre divertidíssimo, lembrei que no início do Emílio Rousseau afirma que seu jovem educando deve ser rico. O pobre não precisa de educação porque, como está mais próximo da natureza, se educa sozinho. A sua educação já é perfeita, porque o filho do pobre é criado com o pé no chão, solto, etc. Então posso dizer: o rico, ao contrário, é criado preso em casas, quartos, escolas caras. Logo, o pobre, por estar mais próximo do chão, está mais próximo da natureza (terra) de dois modos fundamentais: mora em barraco (que é mais baixo que um prédio) e vive de pé no chão (portanto, está mais sujeito a vírus, bactérias, vermes e outras cositas más que a natureza tão generosamente partilha com o homem). Para usar as palavras de Rousseau, "o pobre pode tornar-se homem por si mesmo; só o rico precisa aprender a ser homem".

Não é por nada não, mas acho que Marx diz algo parecido. :-))))

Sunday, October 15, 2006

Delírios de Rousseau (5): Felicidade Caraíba

E já que estamos falando em Caraíbas, vamos ao Emílio, de Rousseau. Aqueles Caraíbas que são respeitados pelos animais selvagens (vide post anterior sobre o assunto), não sentem ciúme e amam docemente justamente porque não são civilizados, obviamente também são imensamente felizes. Ou pelo menos são "metade mais felizes do que nós" (Emilio I). Por que será? Rousseau explica, no mesmo parágrafo: tudo isso se deve ao fato de que as parteiras moldam a cabeça das crianças recém-nascidas e os filósofos moldam nossas cabeças já bem nascidas.

O que terá sua época pensado disso? Sinceramente, não sei. O que sei é que Rousseau é mais um filósofo a compactuar com as parteiras.

Friday, October 13, 2006

Delírios de Rousseau (4): Antídoto para o ciúme

Os séculos XVII e XVIII tiveram um interesse especial pelos nativos encontrados na América, a julgar pelo número de vezes que são citados nos textos de filosofia e pela menção ao estado de natureza. Dentre esses povos, os Caraíbas, da Venezuela, merecem destaque. Rousseau usa as observações dos naturalistas de sua época para afirmar, em algumas passagens do Segundo Discurso, que os Caraíbas são os que mais se aproximam do suposto Estado de Natureza. Isto é, são o povo menos civilizado do planeta. Por isso mesmo, diz Rousseau, são justamente o povo mais calmo nos seus amores e o menos sujeito ao ciúme (confira no Segundo Discurso).

Sendo assim, concluo eu, o ciúme está suficientemente bem explicado.

Tuesday, October 10, 2006

Envie seu presente para o futuro

Sabe aquela história de guardar uma mensagem numa garrafa e jogá-la ao mar? Pois é, agora você pode guardar seu passado e seu presente para o futuro. Faça assim: descreva uma semana de sua vida em detalhes: quanto pesa, o que faz, onde trabalha, quais são suas características físicas, quais são suas preferências, os filmes a que assistiu, os livros que leu, projetos para o futuro, etc. Depois vá ao site do Yahoo! e guarde suas anotações lá, para serem abertas no ano 2020. Se der sorte, seu presente ainda pode acabar no espaço, nas mãos de um ET. O Yahoo! pretende enviar tudo para o espaço, literalmente, no dia 8 de novembro.

Saturday, October 07, 2006

Rato, queijo e Chocolate Quente

Quer ver um rato dançando em frente a um queijo em uma ratoeira? Não? Que pena; é divertido.

Mudou de idéia? Clique no título. Ao menos a gente prestigia o esforço do criador da animação.

Thursday, October 05, 2006

Por que?

Ninguém pode negar que é algo inusitado a USP oferecer cursos de Latim e Grego, se levarmos em conta a crise por que estão passando as humanidades, mas estranho mesmo é que o curso de Latim tenha tido um aumento de 154% na procura, nos últimos cinco anos.

Certo, latim desenvolve o raciocínio lógico e aumenta a compreensão da língua nativa, mas em termos bem práticos, serve para ler Horácio no original, ensinar frases de efeito para advogados e... e é só.

Puxa. Por que há tão pouco interesse pela filosofia?

Sobretudo, o que nós, professores de filosofia, podemos fazer para começar a ensinar latim?

Wednesday, October 04, 2006

Criaturas Marinhas (2): Homem-peixe

Clique no título. Este homem-peixe provavelmente rendeu alguns trocados a seu criador. Ao menos é feio o bastante para parecer real.

Monday, October 02, 2006

Criaturas marinhas (1): Sereia

O tsunami de 2004 deixou algumas lembranças na praia. Clique no link e veja a sereia. Bom é que ela já veio assim, mumificada, e prontinha prá ser vendida no e-bay.