Friday, January 13, 2006

Cadê eu, cadê eu?

O filósofo Severino Cemitério informa:

"A razão do temor à morte é a repugnância do indivíduo em tornar-se transparente a si mesmo".

Soren A. Kierkegaard. Equilíbrio entre os estágios ético e estético no desenvolvimento da personalidade. In: Ou, ou.

Thursday, January 12, 2006

O verdadeiro nefelibata

Há uma cabeça nas nuvens.

Será um pássaro?

Um avião?

Um helicóptero?

Um urubu?

Talvez o super-homem?

O duende verde?

Zeus?

Urano?

Quem sabe o Faetonte?

A coruja de Minerva?

Não.

É apenas um ET, dizem.

Mas o que há com certeza é uma nuvem na cabeça.


Wednesday, January 11, 2006

Nefelibata (4): nativo de Stratus

As nuvens do tipo Stratus compõem o céu cinza, formando uma camada baixa, uniforme, semelhante ao nevoeiro, que pode produzir chuvisco. Consequentemente, os nativos deste signo têm forte tendência à melancolia, à depressão e à tempestade em copo d'água.

Embora sua característica mais marcante seja mesmo o apreço pelo sofrimento, os nativos de Stratus tendem a reduzir tudo a preto e branco. A disposição lacônica e reservada de um Stratus não nos permite ir além de uma análise superficial de seu temperamento e caráter.

Previsões para 2006: Alegre-se, Stratus. Os céus lhe prometem uma boa dose de nevoeiros e chuviscos para o ano. Em maio, Mercúrio estará em oposição a Marte, o que lhe garantirá o sofrimento inútil a que tem direito, mas o inferno astral só virá mesmo a partir de agosto, quando o Sol se alinhará em conjunção com Vênus. Exercite a paciência, Stratus, e todos os seus desejos serão realizados.

Cor: grafite

Vinho: tinto

Pedra: pomes

Tuesday, January 10, 2006

Educação moral e cívica

Relendo o Emílio, de Jean-Jacques Rousseau, encontrei esta pérola:

O mestre: Não se deve fazer isso.
A criança: E por que não se deve fazer isso?
O mestre: Porque é ruim.
A criança: Ruim! O que é ruim?
O mestre: O que lhe proíbem.
A criança: Que mal existe em fazer o que me proíbem?
O mestre: Punem você por ter desobedecido.
A criança: Eu faço as coisas de um jeito que ninguém fica sabendo.
O mestre: Vão espioná-lo.
A criança: Eu me esconderei.
O mestre: Vão fazer-lhe perguntas.
A criança: Eu mentirei.
O mestre: Não se deve mentir.
A criança: Por que não se deve mentir?
O mestre: Por que é ruim, etc.

Monday, January 09, 2006

Serviço de inutilidade pública

Na lista de testes inúteis que mencionei aqui, faltava este: que tipo de ídolo americano é você?

"De cantar no chuveiro a dançar no carro, todos nós somos algum tipo de ídolo americano. Descubra qual é o seu."

Muito bem. Agora só me resta fazer o teste. Em inglês, claro.

E la nave va.

Sunday, January 08, 2006

Índex

A propósito de Eram os deuses astronautas?, lembrei dos livros proibidos de minha infância e adolescência, dos livros "recomendados" e dos que ninguém me viu ler. E fiz uma lista:

Livros proibidos:

- Eram os deuses astronautas?, de Erich Von Daniken: primeiro na lista dos proibidos, mas nem precisava. É inocuo.
- Doutor Jivago: sim, por incrível que pareça, fui proibida de lê-lo. A censura doméstica o considerava imoral. Li, claro, mas só lembro de ter chorado muito. Mais nada.
- O egípcio, de Mika Waltari: este, sim, fez diferença. Ainda tenho uma viva lembrança do momento em que o egípcio encontrou o deus morto.
- O Capital, de Karl Marx: esse nem era necessário proibir, porque eu não o leria de qualquer modo. Nunca me interessou o bastante.
- Madame Bovary, O amante de Lady Chatterly, Anna Karenina, Moll Flanders, Bola de Sebo, Manon Lescaut: tudo muito imoral, segundo me disseram. Li, né.
- ...E a Bíblia tinha razão, de Werner Keller: cometia o pecado de tentar explicar os milagres da Bíblia à luz da ciência. Li, reli e mantenho em conserva.

Livros recomendados, que não precisaria ter lido:

- Pollyanna e Pollyanna moça, de Eleanor H. Porter - A praga do "jogo do contente" atormentou minha infância e adolescência. Eu achava que, se tentasse olhar o lado bom das situações adversas, tudo estaria bem.
- O pequeno príncipe. Li a biografia de Saint Exupèry constante do livro "De Proust a Camus", de André Maurois, e desenvolvi uma certa antipatia pelo homem. Só li "O pequeno príncipe" porque estava ficando chato não conhecer. Até os amigos me recomendavam. Mas não tenho talento para a doçura e já estava contaminada pela biografia do autor. Não consegui nem achar lindo.
- Coração de Vidro, de José Mauro de Vasconcelos: esse livro me deixou muito triste. Não é de se admirar que o autor acabasse se matando. Sensível demais. Doído demais.

Livros que ninguém me viu ler:

- Giovanni, de James Baldwin: para quem também lia Bárbara Cartland, este livro foi absolutamente chocante. Até então, nunca me passara pela cabeça que o amor entre dois homens pudesse ser romântico.
- Temor e Tremor, de Kierkegaard: o único livro que tive de fechar. Só retomei a leitura anos depois. Senti o edifício balançar seriamente, e eu nem tinha entendido direito.

Saturday, January 07, 2006

Atlântida, eugenia e nazismo: tudo a ver

Platão, o filósofo grego, conta-nos de uma civilização extinta no passado remoto, detentora de grande conhecimento, sabedoria, justiça social e riqueza.

Atlântida pode ser relacionada facilmente com as cinco raças de Hesíodo: houve no passado uma raça superior à nossa, mais próxima da divindade.

É aí que entra o nazismo: a espécie humana já foi superior ao que é hoje, já foi uma "raça" intelectual, moral e esteticamente superior. Onde? Em Atlântida, claro!

Não é invenção minha. Himmler, um dos generais de Hitler, achava que os arianos vieram da cidade perdida e se empenhou árduamente na tarefa maluca de descobrir, entre os alemães, algum descendente dos antigos habitantes de Atlântida.

Hitler não foi o único maluco do III Reich.

Lamentavelmente esse mito, por mais inocente que pareça, já deu ensejo a um romantismo tosco, excludente, às vezes brutal, que começa invariavelmente com uma única premissa: a recusa da condição humana.

Aliás, todo romantismo começa com a recusa da condição humana.

Friday, January 06, 2006

Nefelibata (3): nativo de Cumulonimbus

Associado à presença de nuvens escuras, prenúncio de tempestades, chuvas fortes, raios, granizo, furacões e tornados, o signo de Cumulonimbus é, naturalmente, o mais furioso do zodíaco. O nativo deste signo tem um temperamento explosivo, irascível, sanguíneo, colérico, ciumento, vingativo e sujeito tanto a rompantes de entusiasmo quanto a acessos de fúria sem razão aparente. Cumulonimbus tem pouca propensão a doenças como a depressão e a úlcera gástrica, mas deve tomar cuidado com a pressão arterial.

Conselho: Nem tudo está perdido, Cumulonimbus. Em 2006, tente exercer maior controle sobre seu temperamento.

Animal: touro

Pedra: ardósia

Thursday, January 05, 2006

Mulher de preto

Adoro filmes góticos, aqueles com fantasmas, segredos, casas velhas e abandonadas. Encontrei um muito bom: The woman in black.

Uma mulher idosa, que vivia sozinha em uma casa isolada, morre. O advogado envia um assistente para cuidar do velório e fazer um levantamento do patrimônio. Mas nada acontece como previsto.

Embora esteja repleto de todos os clichês do gênero, é um bom filme, que tem o mérito de dispensar o final feliz. A atmosfera é opressiva; o medo que o jovem advogado sente chega a ser palpável.

Apenas entretenimento, mas bom entretenimento.

Wednesday, January 04, 2006

Aula de charlatanismo do Dr. Faniken

Na adolescência, qualquer coisa que tivesse letras me encantava, mas eu tinha um fascínio especial pela aura de segredo que o livro Eram os deuses astronautas? possuía. Absolutamente fascinante e intrigante, mas inacessível para mim. Ninguém em minha família leria, ou me permitiria ler, um livro considerado "maldito", o que o tornava ainda mais fascinante.

Um dia, consegui o livro emprestado e o devorei em poucas horas, achando que ia encontrar grandes mistérios da humanidade revelados. Ledo engano. Tudo não passava de um amontoado de abobrinhas, mediocridade, charlatanismo e sensacionalismo. É que eu já não acreditava em Papai Noel (embora o Elvis ainda fosse importante para mim).

Os amigos achavam tudo possível. Eu achava que tinha perdido tempo.

Na semana passada esbarrei, por acaso, em um documentário sobre o livro, em DVD. Confesso que pensei em comprar, recuperei o bom senso em seguida e já o perdi outra vez. Vou mesmo comprar o DVD (só o DVD). Eram os deuses astronautas? não instrui, mas diverte.

A teoria mais estapafúrdia do Dr. Fon Faniken, de que me lembro (e também a mais evidentemente falsa), é a que envolve os habitantes de Atlântida: a cidade teria existido e abrigado a civilização mais avançada que já passou sobre a Terra. O segredo de tanto sucesso? A cópula!

Explico: os habitantes de Atlântida teriam sido abduzidos (y otras cositas más) por astronautas vindos do espaço. Enquanto engravidavam as terráqueas, eles ensinaram aos homens tudo o que sabiam.

Só não ensinaram os humanos a preservar a sua descendência (dos E.T.'s), já que Atlântida desapareceu. Mas sabe-se lá. De repente até ensinaram e eu é que não fiquei sabendo.

Quanto a mim, aprendi muita coisa com Erich Von Daniken, mas não sobre extraterrestres. Basicamente, aprendi algo sobre best sellers.

Tuesday, January 03, 2006

Tenha fé

Assisti recentemente ao Fator Desconhecido, do canal Discovery, programa que pretende abordar objetivamente fenômenos paranormais, comunicação com os mortos e bobagens do gênero.

A umbanda foi um dos assuntos tratados: mulheres enlouquecidas ensaiando uma dança da chuva, caindo no chão e tentando engrossar a voz. Nada disso me interessa particularmente. O que me chamou a atenção foi o argumento, de uma das mulheres filmadas, de que ela recebeu um espírito porque não poderia provocar o efeito do transe em si mesma, porque não tem lembrança do fato e porque estava inconsciente.

Supondo a semi-inconsciência e a falta de memória, o que isso prova?

Que não acreditamos no homem.

O argumento é o seguinte: o ser humano não é capaz de gerar esses fenômenos sem ajuda externa. Logo, a causa não é humana.

Mas tenha fé.

Tenha muita fé.

Monday, January 02, 2006

Fantasma residual

Às vezes os espíritos vão embora, mas deixam resíduos.

Quer saber se está diante de um fantasma, ou de resíduos de fantasmas?

Fácil, fácil.

Observe se a aparição faz sempre as mesmas coisas. Fantasma tem personalidade, tem vontade, se entedia, quer variedade. Portanto, se o seu fantasma emite sempre os mesmos sons, à mesma hora, muito provavelmente ele já foi embora. Só ficaram os resíduos.

Tente se comunicar com o espírito. Se ele não responder, pode ter certeza: ele não está lá.

É só resíduo. Algo como a presença das estrelas no céu, compreende? O que vemos é o passado do céu. Assombrações repetitivas são apenas resíduos do passado.

Simples assim.

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O assunto é sério. Clique no título.

Sunday, January 01, 2006

Nefelibata (2): nativo de Cirrus

As nuvens do tipo Cirrus são finas, delicadas, fibrosas, formadas de cristais de gelo. Portanto, as pessoas nascidas sob esse signo são elegantes, de gestos contidos, voz baixa, tez delicada. De boa estatura, geralmente altos e longilíneos, os nativos de Cirrus têm a certeza de que foram reis em outra encarnação. Seu marcado interesse pela aparência às vezes os leva a fazer julgamentos apressados. A delicadeza de trato dos nativos do sexo masculino frequentemente sugere um coração gay. O mesmo não acontece com os nativos do sexo feminino.

Conselho: em 2006, tente olhar além das aparências, Cirrus. A verdade gosta de se esconder.

Pedra: ametista

Cor: verde

Vento: Zéfiro

Saturday, December 31, 2005

Serviço de utilidade pública

Hoje é o último dia do ano. Eu poderia escrever "Feliz 2006" e ilustrar minha alegria saltitante com uma gif engraçadinha.

Poderia, mas vou continuar falando de bebida mesmo.

Algumas verdades sobre o álcool:

1. O champagne embebeda mais que o vinho, por causa das borbulhas. Elas enviam o álcool direto para o cérebro;
2. O álcool não é estimulante;
3. Você não vai ficar mais bêbado se misturar bebidas diferentes, mas certamente terá uma boa ressaca;
4. Álcool não eleva a temperatura do corpo;
5. É verdade: após alguns drinks, Tiririca vira Gianechini e Dercy Gonçalves vira Ana Paula Arósio;
6. Beber água junto com o álcool realmente evita a ressaca;
7. Vinho barato garante ressaca mais cara;
8. A barriga de cerveja não tem nada a ver com a cerveja.

Confira essas informações no site indicado no título, link "Quiz".

Friday, December 30, 2005

O álcool foi descoberto ou inventado?

Descoberto, conforme este link http://www.bbc.co.uk/science/hottopics/alcohol/index.shtml.

Acredita-se que o álcool surgiu da fermentação da água da chuva em frutas. Alguém teria esbarrado inadvertidamente em uma fruta meio madura, meio podre, caída da árvore, que havia sobrevivido a pelo menos uma chuva, e resolveu experimentar.

Bem, é o que se conta. Acredite se quiser.

O site também informa que os Babilônios já tinham, em 4300 a.C., uma bebida similar à cerveja. Na Grécia, o vinho fazia parte da refeição diária e, na Idade Média, bebia-se vinho como substituto da água, que frequentemente era contaminada.

Thursday, December 29, 2005

Bebendo muito?

Você desconfia que está passando do limite? Suspeita que pode estar bebendo demais, mas não tem muita certeza? Gostaria de saber? Apenas saber, sem compromisso?

Pois então clique no título.

Observe o teste.

Há uma pergunta no mínimo curiosa: Em qual destes países é mais provável encontrarmos mulheres abstêmias? a: Irlanda - b: Inglaterra - c: País de Gales.

O que isso tem a ver com o mistério a ser desvendado pelo teste "Estou bebendo demais?"?

Na verdade, o teste é sobre, digamos, "conhecimentos gerais" que envolvem o ato de beber... mas nem tanto. Você precisará ter algum conhecimento sobre Bridget Jones (o filme ou o diário, tanto faz) para acertar a resposta.

Pura perda de tempo. Coisa prá se fazer em fim de ano mesmo.

Tuesday, December 27, 2005

Thanks, but no thanks

Para não ser acusada injustamente de querer mudar o mundo, achei que devia pelo menos fazer uns ajustes no Papai Noel. É que não acredito em bons velhinhos, não levo os duendes a sério e acho insuportável o ar bonachão e o "ho-ho-ho".

Especialmente o "ho-ho-ho".

Enfim.

A primeira providência que o tal Noel devia tomar é emagrecer. Urgentemente.

É bom perder também os pneuzinhos.

Sugiro também mudar as músicas, que ninguém aguenta mais o "jingle bells-noite feliz-so this is Xmas".

Mas como nada é perfeito, ainda não está bom não. O tal Noel pode até ficar legal se pintar o cabelo, fizer a barba, raspar o bigode, fizer umas três lipo, malhar um pouquinho, tomar banho (isso é muuuuito importante), cortar o cabelo de vez em quando, retirar 3/4 do estômago (pode aconselhar-se com o Roberto Jefferson, que já foi Papai Noel), fizer uma plástica no nariz, não usar vermelho (nem cor-de-rosa, please!), não aparecer só uma vez por ano, não vir sempre às escondidas, emagrecer uns trinta quilinhos, ser mais alto, não usar pompom na touca (jamais!), não viver sempre de pijama, aparecer com mais frequência, demorar um pouquinho mais, ser menos discreto e mais seletivo, menos papai e mais Noel.

Aí pode até ser um Natal com Noel.

Monday, December 26, 2005

Papai Noel

Ainda no espírito do natal, quis saber que nomes o Papai Noel tem no mundo todo.

Não é lindo?

Então.

Encontrei isso aí:

Santa Claus (Estados Unidos)
Santa (Itália)
Deda Mráz (República Tcheca)
Pai Natal (Portugal)
Moş Crăciun (Romênia)
Weihnachtsmann (Alemanha)
Daidí na Nollag (Irlanda)
Le Père Noël (França e Canadá)
Papa Noel (Espanha, México e África do Sul)

Família:

A esposa, Mrs. Claus, que jamais põe os pezinhos no hemisfério sul e um priminho russo, o tal Ded Moroz.

Não é mesmo uma gracinha?

Sunday, December 25, 2005

Então é natal?

Se há algo realmente chato em fim de ano é ter de dizer "Feliz Natal" a todo mundo que encontro. Se não disser, tenho algum problema, claro.

Não é a época que acho chata, pelo contrário; chata é essa obrigação de dizer "Feliz Natal", "Boas Festas", "Felicidades", "Feliz ano novo", "Que todos os sonhos se realizem", "Feliz 2006", caixinha de fósforo, bolinha de gude, elefante cor-de-rosa e coisas do gênero.

Va lá: eu desejo tudo isso ao mundo inteiro, inclusive as bolinhas de gude, mas tenho uma preguiça danada de dizer. A gente tem de ficar repetindo esse mantra o dia inteiro, por três semanas, mais ou menos, prá todo mundo que vê: o funcionário da loja, o gerente do banco, o lixeiro, o taxista, a família, os amigos, os colegas de trabalho etc e tal. É gente demais no mundo. Será que ninguém pensa nisso?

Bem, eu penso.

Supondo uma cidade com um milhão de habitantes. Em três semanas circulando por aí, vamos supor que eu passe por, digamos, 50 mil pessoas diferentes (exagero? É só imaginar um shopping em véspera de natal). Destas, com apenas 20%, no máximo, eu mantenho algum contato circunstancial. Destas ainda, com 5% eu tenho um contato mais próximo, ainda que ocasional e, do número restante, apenas 1% eu posso dizer que conheço. Se eu somar a esse número os contatos via internet, posso chegar ao seguinte: tirando dos 50 mil iniciais os 2o% que existiram de algum modo para mim e com os quais cheguei a falar (ainda que fosse apenas "bom dia" e "feliz natal"), tenho 10 mil. A estes, somam-se os contatos da internet; digamos, umas 50 pessoas. Então eu tenho de dizer "feliz natal" 10.050 vezes. Multiplicando o número por 2, já que também tenho de dizer "Feliz ano novo", a soma chega ao absurdo de 20.100 vezes!

Credo. Não quero isso prá mim, não. Se eu dividir este resultado pelo número de segundos do dia, vou descobrir que parte do meu tempo e energia está sendo investido em dizer frases repetitivas, vazias, sem significado, puramente por obrigação social e para não parecer, digamos, esquisita.

Então, prá resolver o assunto de vez e não ter de desejar Feliz Natal a mais ninguém, repasso:

"Boas Festas...

B... ...estas!"

Ops! Engasguei.

É o vinho.

Saturday, December 24, 2005

Radiografia de lula

O projeto é ambiciosíssimo e está apenas nos seus primórdios: recolher as migalhas dos discursos lulistas, tão brilhantemente repetidos por esse país afora. Mas, apesar das dificuldades, propomo-nos a registrar humildemente neste humildíssimo brogue os discursos de nosso grande metalúgico, o maior da história depois de Lech Walesa:

ou seja,

neste país

sabe

nesse país

ou seja

em nosso país

sabe

para que a gente possa

ou seja,

para poder

sabe

para poder

ou seja

fazer com que

sabe

para poder fazer com que a gente possa

ou seja

que a gente possa

sabe

no sentido de fazer com que a gente possa

ou seja

nesse país.