Tuesday, October 10, 2006

Envie seu presente para o futuro

Sabe aquela história de guardar uma mensagem numa garrafa e jogá-la ao mar? Pois é, agora você pode guardar seu passado e seu presente para o futuro. Faça assim: descreva uma semana de sua vida em detalhes: quanto pesa, o que faz, onde trabalha, quais são suas características físicas, quais são suas preferências, os filmes a que assistiu, os livros que leu, projetos para o futuro, etc. Depois vá ao site do Yahoo! e guarde suas anotações lá, para serem abertas no ano 2020. Se der sorte, seu presente ainda pode acabar no espaço, nas mãos de um ET. O Yahoo! pretende enviar tudo para o espaço, literalmente, no dia 8 de novembro.

Saturday, October 07, 2006

Rato, queijo e Chocolate Quente

Quer ver um rato dançando em frente a um queijo em uma ratoeira? Não? Que pena; é divertido.

Mudou de idéia? Clique no título. Ao menos a gente prestigia o esforço do criador da animação.

Thursday, October 05, 2006

Por que?

Ninguém pode negar que é algo inusitado a USP oferecer cursos de Latim e Grego, se levarmos em conta a crise por que estão passando as humanidades, mas estranho mesmo é que o curso de Latim tenha tido um aumento de 154% na procura, nos últimos cinco anos.

Certo, latim desenvolve o raciocínio lógico e aumenta a compreensão da língua nativa, mas em termos bem práticos, serve para ler Horácio no original, ensinar frases de efeito para advogados e... e é só.

Puxa. Por que há tão pouco interesse pela filosofia?

Sobretudo, o que nós, professores de filosofia, podemos fazer para começar a ensinar latim?

Wednesday, October 04, 2006

Criaturas Marinhas (2): Homem-peixe

Clique no título. Este homem-peixe provavelmente rendeu alguns trocados a seu criador. Ao menos é feio o bastante para parecer real.

Monday, October 02, 2006

Criaturas marinhas (1): Sereia

O tsunami de 2004 deixou algumas lembranças na praia. Clique no link e veja a sereia. Bom é que ela já veio assim, mumificada, e prontinha prá ser vendida no e-bay.

Saturday, September 30, 2006

Bonecos cartesianos

Havia, nos jardins reais da Paris do século XVII, uma espécie de Disneylândia: alguns bonecos colocados no centro de uma fonte produziam sons e respondiam à aproximação de seres humanos com movimentos dos braços, das mãos ou da cabeça, assustando os visitantes, por parecerem estar vivos. Mas estes movimentos eram, na verdade, efeito de um mecanismo muito simples: quando os visitantes se aproximavam dos bonecos para vê-los melhor, pisavam inadvertidamente em uma perda ou tabuinha que fazia o mecanismo funcionar.

Mas o que tudo isso tem a ver com Descartes?

Ele usou os bonecos do parque de diversões como modelo para descrever o corpo humano: a força das águas que emergia das fontes dos jardins reais era capaz de, sozinha, mover várias máquinas. Descartes supôs então que o corpo humano era movido também por uma espécie de sistema hidráulico: os tendões e nervos seriam o encanamento; o coração seria a fonte de água e o cérebro seria algo com um tanque de armazenamento da água. Como uma caixa d'água, entende?

A respiração seria a encarregada de manter tudo isso funcionando.

Trocando em miúdos, nossos corpos seriam basicamente líquido em movimento.

Êta raciocínio analógico!

E não é que tem lá seu sentido?

Thursday, September 28, 2006

Maratona da natureza humana

Já dizia o sábio Thomas Hobbes:

A comparação da vida do homem com uma corrida, se bem que não possa ser sustentada ponto por ponto, resulta tão forte para o nosso propósito, que por ela se pode ao mesmo tempo ver e relembrar quase todas a paixões que mencionamos. Mas não devemos supor que esta corrida tenha outro fim, nem outra utilidade, que ir sempre adiante;

assim,

fazer esforço, é o apetite;
ser indolente, é a sensualidade;
considerar os que ficam atrás é a glória;
considerar os que estão à frente é a humildade;
perder terreno olhando para trás, a vanglória;
ser reservado, o ódio;
voltar atrás, o arrependimento;
ter fôlego, a esperança;
estar lasso, o desespero;
tentar ultrapassar o que o precede, a emulação;
suplantar ou arruinar, a inveja;
estar resolvido a passar outro numa paragem prevista, a coragem;
passar outro numa paragem imprevista, a cólera;
passar facilmente, a magnanimidade;
perder terreno em pequenos obstáculos, a pusilanimidade;
cair de repente, é a disposição para chorar;
ver um outro cair, a disposição para rir;
ver ultrapassar alguém que não queríamos que o fosse, é a piedade;
ver alguém ultrapassar quando o não queríamos, é a indignação;
manter-se muito junto dum outro, é amar;
ajudar aquele que se mantém perto, é a caridade;
ferir-se por precipitação, é a vergonha;
estar sempre ultrapassado, é a miséria;
ultrapassar sempre o que o precede, é a felicidade
abandonar a corrida, é morrer.


Thomas Hobbes, Elementos de Lei Natural e Política

Wednesday, September 27, 2006

Verdade apodítica?

Falando sério: se há algo que não entendo em filosofia é a tal da verdade apodítica, que prescinde de demonstração. Não faz parte do conceito de razão a demonstração? Então como posso aceitar que uma verdade autoevidente, o que quer que isso signifique, seja racional? Eu quero dizer: se o ponto de partida de toda demonstração é uma verdade indemonstrável, então o ponto de partida da razão é a não-razão.

Eu disse que não entendia. :-)))

Tuesday, September 26, 2006

Ideogramas egípcios

Veja em http://www.youtube.com/watch?v=tpLfFMhyGPc

Friday, September 22, 2006

Só nuvem

Disco voador? Cristo? Círculo de luz? Invasão de pernilongos? Fim do mundo? Nossa Senhora?

Nuvem.

Clique no título e confira.

Thursday, September 21, 2006

Astrólogos encontram abrigo

A astrologia já tem um porto seguro: a Universidade de Brasília. Se você quiser fazer um curso de extensão em astrologia, ou simplesmente estudar o assunto a sério e ainda ganhar um título acadêmico para isso, agora você pode. Vá a Brasília. Mas vá logo, porque os cursos são concorridíssimos.

Não é lindo que a comunidade científica tenha finalmente aberto os olhos para esse conhecimento milenar?

Tuesday, September 19, 2006

Democracia

Já dizia Aristóteles que o melhor governo é a aristocracia (o melhor governo é certamente o governo dos melhores).

Como a aristocracia tende a degenerar em oligarquia (o governo dos ricos), a oligarquia tende a degenerar em monarquia (porque os ricos elegem alguém para governar) e a monarquia tende a degenerar em tirania (quando o monarca governa em seu próprio interesse, e não no interesse dos governados), o melhor regime de governo acaba sendo mesmo a democracia (originalmente o governo dos pobres), porque só ela tende ao melhor.

Trocando em miúdos, por minha conta e risco: a democracia é o melhor governo porque não pode ser pior do que é. :-))

E viva o liberalismo!

Sunday, September 17, 2006

Eu vi jesus em Kawangware, falando Swahili

No princípio era o anúncio do reverendo: Jesus vem a Nairobi.

E então ele chegou, abençoando os quenianos em Swahili. Feito isto, Jesus pegou uma carona com um habitante de Kawangware, desceu próximo ao número 56 da rua Stage II e ali mesmo retornou aos céus em forma de estrela brilhante, que pode ser vista novamente sempre que uma tal Mary Akatsa cura os doentes.

Veja detalhes da história clicando no título. Pelo menos você saberá que a língua falada no Quênia é Swahili, que existe uma cidade chamada Kawangware e que nesta cidade existe um lugar chamado Stage.

Mas não empolgue. Você vai continuar sem entender por que, indo a Kawangware, Jesus cumpriu a profecia de que iria a Nairobi (Vai ver que Kawangware é só um bairro de Nairobi).

Não importa. O que importa é que, se ele conseguiu uma carona para ir a Kawangware, ele pode ir a qualquer lugar.

Pense nisso.

Friday, September 15, 2006

Coisa de grego (6): A vaia

Sabia que a vaia é grega?

Nas assembléias, quando o povo discordava do orador, ele gritava "uuuuuuuuuuuu" tão alto, que não havia alternativa ao orador senão desistir de falar.

Pois é, isso é vaia, mas esse "uuuu" significava "não". Em grego, "não" é "ouk", cuja pronúncia é um "u" longo (a consoante, fraca, quase não é pronunciada). Portanto, quando o povo gritava "uuuuuuu", estava simplesmente dizendo não.

Thursday, September 14, 2006

Fisiologia da loucura (1): Negros vapores da bile

Já houve tempo em que se pensava que a loucura não passava de uma reação hepática:

..."A não ser, talvez, que eu me compare a esses insensatos, cujo cérebro está de tal modo perturbado e ofuscado pelos negros vapores da bile que constantemente asseguram que são reis quando são muito pobres; que estão vestidos de ouro e de púrpura quando estão inteiramente nus; ou imaginam ser cântaro ou ter um corpo de vidro. Mas quê? São loucos e eu não seria mais extravagante se me guiasse por esses exemplos." Descartes, Meditações 1:4

Wednesday, September 13, 2006

Ele está voltando

O mundo não acabou dia 12 de setembro, mas acabará em breve. Jesus está voltando. A conceituadíssima revista UFO garante em primeira mão a volta de Jesus até o Natal.

Só não entendi onde está a novidade. Jesus sempre volta na época no Natal e na Semana Santa, não é? Então.

Sunday, September 10, 2006

Delírios de Rousseau (3): Consciência cavalar

Eu tinha me esquecido de como é divertido ler Rousseau.

A gente descobre, por exemplo, que os cavalos sentem repugnância de pisar em um ser vivo.

Antes que a gente se recupere, somos informados de que a repugnância se deve à piedade natural, responsável também por evitar que os humanos sejam monstros.

Então, trocando em miúdos: os cavalos não pisam em seres vivos porque sentem repugnância em fazê-lo, e o sentem porque são naturalmente piedosos. Sem a piedade natural, os animais seriam animais, mas os humanos seriam monstros.

Mas não se preocupe. Tirando os delírios, o que fica é genial. :-))

E viva o liberalismo!

Saturday, September 09, 2006

Delírios de Rousseau (2): Vacas piedosas

Já dizia Rousseau, sobre a piedade natural:

Um animal não passa sem inquietação ao lado de um animal morto de sua espécie; há até alguns que lhes dão uma espécie de sepultura, e os mugidos tristes do gado entrando no matadouro exprimem a impressão que tem do horrível espetáculo que o impressiona. (Segundo Discurso, parte 1)

Acho que as vacas do século XVIII não sentiam medo.

Monday, September 04, 2006

Declaração de Bolonha

Sabe o Tratado Comum Europeu e a moeda comum européia? Pois é, agora haverá a universidade comum européia. A carta de intenções é a Declaração de Bolonha, de 1999, que está sendo implantada paulatinamente.

Ao que parece, a "evasão de cérebros" do Brasil vai aumentar.

Sunday, September 03, 2006

Seita de Ateus

E por falar em orgulho ateu: por que não fundar uma Seita de Ateus?

Sim, por que não?

A única regra é que todos os congregados sejam ateus praticantes. Não basta, portanto, ser-se ateu; é preciso praticar o ateísmo. Isto é, é preciso ter experiência comprovada não somente na vivência atéia mas, sobretudo, na militância atéia.

Para que não haja dúvidas sobre este preceito, que fique registrado: é preciso que o ateu tenha larga experiência (comprovada, repito) no combate não apenas às religiões, mas sobretudo a toda e qualquer idéia deísta. É preciso que o ateu militante deseje, do fundo do coração, que toda e qualquer idéia de deus seja abolida, e que toda a humanidade comungue dos mesmos ideais.

É preciso, ainda, que todo ateu tenha uma crença firme e inabalável na não-existência do inexistente e que dedique sua vida a demonstrar que a crença na existência do inexistente é uma contraditio in terminis. Ou seja, que há uma impossibilidade lógica na existência do inexistente. A ausência de prova é, neste caso, prova de ausência.

Deste primeiro preceito podemos derivar um raciocínio fundamental: não é lógico que deus exista; logo, deus não existe.

Isto, sem dúvida, é diferente de dizer que é lógico que deus exista; portanto, deve existir.

No segundo caso, a subjetividade está envolvida, enquanto o primeiro é inteiramente objetivo, posto que se apóia na lógica. Portanto, o primeiro é verdadeiro e o segundo, ilusório.

É bem verdade que nenhum ateu está planejando jogar aviões em prédios; só deístas fazem isso. Mas é bom ficarmos atentos. Paixões são sempre paixões.

Friday, September 01, 2006

Dia do orgulho ateu

Proponho que o dia de hoje, primeiro de setembro, seja o Dia do Orgulho Ateu. É que já há tantos feriados religiosos, dia das mães, dos pais, das crianças, dos professores, dia da bandeira, dia do índio, dia da árvore etc etc. Por que não podemos ter também um dia do Orgulho Ateu? Afinal de contas, todo ateu que se preze tem orgulho de seu ateísmo, não é?

Então.

Thursday, August 31, 2006

Cruzes (1)

Resolvi aproveitar essa maravilha que é a internet para matar a curiosidade sobre cantores e grupos jurássicos, aqueles anteriores ao advento do clipe e do Michael Jackson.

Como seriam? Ainda vivem? Ainda gravam? Como estariam hoje?

E lá vou eu puxar todo e qualquer arquivo mpg ou avi com todo e qualquer proto-músico (a saber, os nativos das décadas de 60 e 70, particularmente).

O repertório é vastíssimo e, devo dizer, horrendo.

Encontrei o Harry Nilsson novinho, novinho, cantando (e, coitado, tentando dançar) Everybody´s talking. Achei que não era o bastante e fui procurá-lo em gravações mais novas. Encontrei uma pessoa completamente diferente (até a voz parecia ter mudado), comecei a pensar sobre o efeito do tempo no ser humano e tratei de apagar os arquivos.

Encontrei um tal Gilbert O´Sullivan, cantando Alone Again com um cabelo que dispensa uso de chapéu.

Vamos para o próximo?

Lembrei do T-Rex (quem ainda se lembrar de Marc Bolan que atire a primeira pedra) e encontrei, olhe só, Elton John em início de início de começo de carreira, fazendo a percussão do T-Rex. Vou dar um jeito de chantagear o Elton com essa informação, especialmente agora que ele é recém-casado e não vai querer que seu passado venha à tona.

Sim, dei uma olhada na banda de Gary Glitter. Parece que não havia nem proto-estilistas na década de 60.

Pulei para os anos 80 e fui atrás do Lindsay Buckingham. Não vi progresso algum.

Curiosamente, isso me lembrou o ACDC (com o Bon Scott). Jailbreak. Melhor que os outros, mas cometi o engano de empolgar e procurar outros "clipes" da banda. Encontrei o Bon Scott no palco, vestido de chapeuzinho vermelho, gata borralheira, filhinha da mamãe, sei lá, com um dente de ouro enorme. Mudei de idéia. Bobagem. Prá quê ver clipes, né? Melhor só ouvir o CD.

Mas, por falar em dente, lá estava o Dan McCafferty (Nazareth) sem alguns.

Susto mesmo eu tive ao ver pela primeira (e única) vez um clipe do Uriah Heep com o David Byron cantando The Wizard . Imagine o conjunto: calça roxa de bolinha, com um índio desenhado, jaqueta xadrez, bigode Fidel, cabelo farpado e bota branca na altura dos joelhos, com salto agulha e plataforma. Puxa. Essa fantasia deve ter custado uma nota.

Nem é preciso falar do Kiss.

No fim das contas, tudo isso tem sua síntese máxima em Tommy, a ópera-rock.

Já dizia o grande sábio Shakespeare: tudo está bem quando bem acaba.

Amém.

Tuesday, August 29, 2006

Venha preparado para ficar

Na madrugada de 28 de abril de 1908 a casa de uma viúva de 48 anos, Belle Gunness, pegou fogo. Aparentemente, a viúva e seus três filhos haviam morrido no incêndio, mas as cinzas revelaram uma história bem diferente.

O corpo que presumivelmente seria de Belle não era compatível com o dela, e estava sem a cabeça. As crianças, três, já estavam mortas quando o incêndio começou. O caseiro e amante de Belle, Ray Lamphere, foi preso e acusado das mortes, mas a busca pela cabeça da mulher morta revelou que havia vários corpos mutilados enterrados na propriedade, alguns deles já há muitos anos.

Estima-se que Belle tenha assassinado entre 20 e 60 pessoas, em sua grande maioria homens, para receber o seguro de vida. Foram encontrados restos mortais de apenas 20 pessoas, mas as vítimas, segundo o caseiro, serviam de alimento para os animais da fazenda, o que explica não terem sido encontrados vestígios de suas passagens por lá.

Belle atraía as vítimas com um anúncio matrimonial publicado em jornais. Após o primeiro contato ela convidava a futura vítima a visitá-la, com a ressalva: venha preparado para ficar para sempre.

Belle desapareceu com todo o dinheiro que conseguira juntar; os filhos aparentemente foram mortos por ela antes do incêndio; Ray Lamphere morreu na prisão depois de confessar tê-la ajudado a matar, esquartejar e enterrar o que os porcos rejeitavam, e até hoje não entendemos muito bem essa história toda.

Sunday, August 27, 2006

Lá vem o fim do mundo

Um terço da população mundial desaparecerá no dia 12 de setembro de 2006.

Daqui a duas semanas, portanto.

Este evento - a destruição de um terço da população mundial em uma guerra nuclear - marcará o início do fim do mundo.


Isto é o que diz o novo louco de plantão, o biblista Yisrayl Hawkins.

A vantagem desta profecia é que a gente não precisa esperar muito prá ver acontecer.

Saturday, August 26, 2006

Caridade contraditória

Em suas Confissões Agostinho faz uma análise interessantíssima do sentimento de compaixão:

Ainda que o dever da caridade aprove que nos condoamos do infeliz, todavia aquele que fraternalmente é misericordioso preferiria que nenhuma dor houvesse de que se compadecesse. Se a benevolência fosse malévola - o que é impossível -, poderia aquele que verdadeira e sinceramente se inclina aos sentimentos de compaixão desejar que houvesse infelizes para se compadecer." Livro III, 2, 3.

Se entendi, a idéia fundamental é que a caridade é uma coisa muita estranha, porque é preciso que haja infelicidade alheia para que possamos nos condoer dela.

No fim, como toda filosofia cristã que se preze, salvam-se todos (sobreviventes, mortos e feridos), mas fica a percepção, genial, de que a compaixão sempre carrega consigo uma certa satisfação por estarmos em condição de senti-la.

Friday, August 25, 2006

A empresa de Cristo

Um recurso dos mais comuns no trato de uma idéia particular em livros de auto-ajuda, psicologia, marketing e administração, é o de relacioná-la com alguma figura real ou mitológica.

Deve ser para dar um toque de originalidade ao trabalho.

Enfim.

Um tal Bob Briner, veterano da prática, horrorizou: foi buscar logo a figura mais importante dos últimos dois mil anos para defender um modelo de administração de empresas, e escreveu Os Métodos de Administração de Jesus. A premissa básica é que a empresa continua ativa após dois mil anos. Logo, só pode ser boa.

O que Briner esqueceu de dizer é que o dono da empresa morreu por causa dela; um de seus executivos vendeu a alma ao capeta; dois dos remanescentes brigaram pela presidência, o que resultou em divisão interna e um outro remanescente nem mesmo acreditava que a empresa fosse tão boa assim. Ou seja, nunca vestiu a camisa.

Ah, tá. O que importa é a empresa, não os executivos. Entendi.

Thursday, August 24, 2006

Google Books Brasil

A quem interessar possa: o Google Books, um sistema de buscas que permite visualizar trechos de livros, já tem uma interface brasileira.

Fui testar, é claro, e pesquisei "Capitu". Se não encontrasse a mulher mais famosa da literatura brasileira, melhor esperar seis meses para pesquisar novamente. Mas não. Há entradas em português, inglês e francês para "Capitu".

Daí pesquisei "Protagoras" e encontrei o diálogo de Platão. Resolvi abusar e testei "Philostratus". Não é que tem?

Recomendo.

Para se informar melhor:
http://info.abril.com.br/aberto/infonews/082006/23082006-12.shl

Wednesday, August 23, 2006

Curso de milagres

E por falar em milagres, se você está pensando em se candidatar a Madre Tereza de Calcutá, São Francisco de Assis, Santo Antônio, São Januário, São Jorge etc. etc., a hora é esta.

Não perca mais tempo na vida. Invista agora em seu futuro fazendo o Curso em Milagres. Venha estudar milagres conosco e seja um em um milhão.

A primeira parcela é gratuita.

Aproveite a chance e ganhe um desconto de 50% na primeira mensalidade.

Venha!

Monday, August 21, 2006

Ho-ra do lei-ti-nhooo...

Shiva aprecia um leitinho quente.

Clique no título e veja a foto: parece o Alien, mas é apenas Shiva (ou Buda, sei lá) bebendo leite. Ou melhor, é apenas uma estátua de Shiva/Buda que, surpreendentemente, gosta de leite.

Prá resumir, a coisa toda funciona assim:

1. as câmeras de TV são ligadas;
2. serve-se leite para as estátuas em uma colher;
3. as câmeras de TV continuam ligadas;
4. o leite desaparece;
5. as câmeras de TV focalizam as colheres vazias;
6. as câmeras de TV mostram o espanto nos rostos dos espectadores.

Conclusão óbvia?

Shiva gosta de leite e bebe tudo tudo.

Sunday, August 20, 2006

Nefelibata (12): Cirrustratus

Se você é um alegre Cirrostratus, as nuvens formavam, no momento de seu nascimento, uma camada fina e branca de cristais de gelo. A posição de Cirrus na casa 4 de Stratus, em conjunção de Nimbos com Stratus na casa 6, em quadratura com Cumulonimbus, sugere um temperamento supersensível, que atrai os estados emocionais das pessoas à volta. Em vista disso, o nativo de Cirrustratus é enérgico e independente. Adora ter a atenção dos outros e de brilhar. Sua poderosa vontade confere-lhe capacidade de mando e não admite ser contrariado. Seu orgulho, passionalidade e individualidade criam-lhe atritos. Sua forte natureza psíquica torna-o muito emotivo e magnético e a intensidade com que se dedica aos assuntos que lhe interessam levam-no a ser criativo em meditação transcendental, ginástica, yoga e política.

Sol em Cirrus
Lua em Stratus
Ascendente em Cumulus

Thursday, August 17, 2006

Celebridade instantânea

Você não conhece o Jeremias? Como assim?

Não conhece mesmo? Então vou te apresentar.

Jeremias é um bebum que volta e meia é preso pela polícia de Caruaru, Pernambuco. Já virou figura folclórica e celebridade instantânea. Daqui a pouco será contratado pela Globo para fazer um bêbado na novela das oito. Quer apostar?

Monday, August 14, 2006

Cavalos, mulheres ou cachorros

Não vou falar sobre cavalos, mulheres ou cachorros. Só quero contar que o velho Schopenhauer, filósofo do século XIX, morava em uma pensão, muito provavelmente para fazer jus à sua fama de bom comerciante, em companhia de um cãozinho poodle (o jovem Schopenhauer).

Todas as noites, sentava-se silenciosamente em uma mesa de canto, em um restaurante e, antes da refeição, colocava uma moeda à sua frente. Ao sair, recolhia a moeda, sem dizer nada.

Alguém não resistiu à curiosidade. Do que se tratava aquele hábito tão estranho?

"É uma aposta que faço comigo mesmo", respondeu Schopenhauer. "No dia em que os soldados que sempre vêm aqui jantar falarem de outra coisa que não seja cavalo, mulher ou cachorro, esta moeda irá para a caixa de coleta de esmola".

A moeda continuou no bolso do paletó.

Friday, August 11, 2006

Greta Garbo, quem diria

E não é que Aquiles, o destemido, invulnerável (exceto pelo calcanhar), corajoso, forte etc e tal, se vestiu de mulher para fugir do alistamento militar?

Quem diria...

Mas vamos lá, conceder um pouco de razão ao herói: é que sua mãe, a deusa Tétis, o avisou de que ele morreria na guerra contra a cidade de Tróia e aconselhou o filho a não se alistar. Aquiles prontamente obedeceu: vestiu-se de mulher e escondeu-se em meio às moçoilas.

Ulisses desconfiou da artimanha. Para encontrar o fujão, fingiu-se de mercador e observou o comportamento das jovens: todas queriam comprar penduricalhos e bugigangas; só uma estava interessada nas armas.

Ei-lo.

O resultado é que Aquiles morreu ao final da guerra, como havia predito sua mãe.

Wednesday, August 09, 2006

A utilidade da justiça

Na República de Platão (I, 333c), Sócrates pergunta a Glauco:

- Quando é que, sendo preciso fazer uso de ouro ou prata em comum, o justo será mais útil do que os outros?

E Glauco responde, com grande sabedoria:

- Quando se tratar de fazer um depósito que fique a salvo, ó Sócrates.

É vero...

Monday, August 07, 2006

Nefelibatas em perigo

Estou preocupada. Plutão não é mais planeta. Foi rebaixado. O que será de nós, pobres Nefelibatas, que dependemos dele para saber a exata configuração do céu no momento dos nascimentos?

Já sei: é só apelar para o simbólico e dizer que a "geografia" do céu pouco importa; o que importa é o que significa. Mesmo que a gente tenha defendido sempre que o significado depende da "geografia", não se preocupe. As pessoas têm memória curtíssima e uma boa vontade extraordinária. Vai dar tudo certo.

Saturday, August 05, 2006

Coitado...

Parece que conseguiram capturar e matar um Chupa-Cabra.

É claro, coisas assim não acontecem em qualquer lugar: só podia ser nos Estados Unidos, a terra do Pé Grande, do Jesus da Batata Frita, da Maria do Sanduíche, do Elvis e, claro, do Michael Jackson. Em terra assim tão fértil, Chupa-Cabra deve ser lugar-comum.

Pois é. Acharam e mataram o bichim, que agora vai ter o DNA examinado. Supõe-se que seja um animal híbrido, o resultado de uma mistura entre coiotes, cães selvagens e hienas. Estranhíssimo, mas não tem importância. O que importa é que todos os adoradores de esquisitices podem rir por último: elas existem.

Thursday, August 03, 2006

Os filósofos e os porcos espinhos

Já dizia Schopenhauer (no Mundo como Vontade e Representação, livro IV) que os seres humanos são como porcos espinhos: o frio do inverno os obriga a se juntar para se aquecer, mas mal se aproximam e já se afastam novamente, cheios de dores e feridas provocadas pelo contato.

Tuesday, August 01, 2006

Poeira das estrelas

Prá quem não viu ou quer ver de novo o primeiro episódio da série "Poeira das Estrelas", do Marcelo Gleiser.

Sunday, July 30, 2006

Delírios de Rousseau (1): Nobres animais

Já dizia Jean-Jacques Rousseau:

"Aí estão, sem dúvida, os motivos pelos quais os negros e os selvagens dão tão pouca importância aos animais ferozes que possam encontrar nos bosques. Os caraíbas da Venezuela, entre outros, vivem, a esse respeito, na mais profunda segurança e sem o menor inconveniente. Embora vivam quase nus, diz François Correal, não deixam de corajosamente expor-se nas matas, armados unicamente de flecha e arco. Jamais se ouviu falar, no entanto, que alguns deles tenham sido devorados pelos animais." [Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens, 1a. parte].

Sei não, mas acho que ele pensava que os animais selvagens respeitam a coragem.

Será?

Thursday, July 27, 2006

Bordeline

Diógenes Laércio conta que, quando o filho de um tal Crates atingiu a idade adulta, o pai o levou a um bordel e lhe disse: "foi assim que me casei".

O que isso pode significar?

Wednesday, July 26, 2006

Não alimente o troll

Um troll é alguém que entra em uma comunidade online e envia mensagens ofensivas, rudes ou repetitivas apenas para irritar e atrapalhar o andamento das discussões. O troll é o indivíduo que participa de discussões com o objetivo de gerar o caos. Se você responder às provocações ou tentar chamá-lo à razão, estará somente alimentando o círculo vicioso: o troll diz que você é um troll, você reage, ele usa sua reação para mostrar que tem razão, e assim por diante. O melhor a fazer é ignorar.

Monday, July 24, 2006

Escola de Escravos

Li na Ética a Nicômaco, de Aristóteles (I,1), que em Siracusa um preceptor abriu uma escola para ensinar, sob pagamento, as crianças a serem escravas. Fiquei imaginando como é que uma coisa assim pode funcionar. É claro que o dono do escravo teria de pagar para que ele aprendesse o ofício que lhe seria destinado, mas o escravo não aprendia o ofício com os mais velhos, sem custo algum para o dono? Então. Acho que essa escola fechou logo que abriu.

Friday, July 21, 2006

Universalizável

Recebi por e-mail:

Um pescador estava tomando cuidado de vários cestos de caranguejos vivos. Quase todos tinham tampa, com exceção de um. Um comprador parou e perguntou porque apenas aquele cesto não tinha tampa: "É que são caranguejos brasileiros." - respondeu o pescador. "Quando um está subindo, os outros puxam para baixo..."

Acho que há um engano aí. Estamos falando de ser humano, e não apenas de brasileiros.

Tuesday, July 18, 2006

Morro de pena

Estava assistindo, outro dia, a um documentário do NetGeo sobre fobias e fiquei muito espantada ao descobrir que uma mulher tem fobia de pena de ave.
Isso mesmo, pena. Não pássaros, mas sim penas.

Como é que pode?

Eu sei que fobia é exatamente medo irracional, mas isso é demais, né não?

Se fosse medo de baratas, vá lá. Afinal, baratas são animais horrendos, estão vivas e atacam seres humanos, mas de onde poderia vir um medo tão absolutamente irracional de penas de aves? O que há nelas para se temer?

Sobretudo, o que terá acontecido durante a infância dessa pobre criatura?

Friday, July 14, 2006

Confesso que li

A essência do uno é ser uma espécie de ponto de partida do número; com efeito, a primeira medida é um ponto de partida, porque o nosso instrumento inicial de obtenção de conhecimento de uma coisa é a primeira medida de cada classe de objetos; o uno, então, é o ponto de partida do que é cognoscível no tocante a cada coisa particular. A unidade, porém, não é a mesma em todas as classes, uma vez que numa é o quarto de intervalo, ao passo que numa outra é a vogal ou a consoante. E há uma outra unidade para a gravidade e uma outra para o movimento. Mas em todos os casos a unidade é indivisível, seja do ponto de vista da quantidade, seja daquele da espécie (isto é, formalmente). Deste modo, aquilo que é quantitativamente, e enquanto quantitativo totalmente indivisível, e é destituído de posição, é chamado de unidade; e aquilo que é totalmente indivisível e tem posição, é chamado de ponto; aquilo que é divisível simplesmente, de linha, duplamente, de plano, e o que é quantitativamente divisível triplamente de corpo. E, invertendo-se a ordem, aquilo que é divisível duplamente é um plano, divisível simplesmente uma linha, enquanto aquilo que não é, de modo algum, quantitativamente divisível é um ponto ou uma unidade: não tendo posição, uma unidade e a tendo, um ponto.

Aristóteles, Metafísica V (e).

Monday, July 10, 2006

Friday, July 07, 2006

Coisa de grego (5): Protagonismo

Quem é o protagonista da novela das oito? E da novela das sete? E da novela das seis?

A rigor, teríamos de rever os primeiros capítulos para saber.

É que protagonista vem de proto (primeiro, origem) e agon (conflito). As disputas verbais entre as personagens constituía a base do teatro grego clássico. Protagonista (ou protoagon) era simplesmente o primeiro a falar, na disputa verbal. Por ser o primeiro a falar (ou entrar em cena), o protagonista gerava ou apresentava o conflito que dava sentido à peça e, por isso, podia ser considerado a personagem principal. Daí o sentido que lhe damos hoje.

Tuesday, July 04, 2006

Achamos um elo perdido

Foram encontrados, em 2004, no Canadá, fósseis de animais que supostamente seriam o elo entre os animais terrestres e os peixes. Estes animais, de cerca de 383 milhões de anos, seriam semelhantes a crocodilos, mas com barbatanas. Os cientistas acreditam que sejam de uma espécie intermediária entre os animais aquáticos e os anfíbios.

Vamos ter de esperar passar o entusiasmo para que a descoberta seja avaliada com maior isenção, mas, se for como os cientistas estão dizendo, os evolucionistas têm mesmo muito o que comemorar.

Monday, July 03, 2006

Fogo sagrado

Jesus está de volta, e em grande estilo. Desta vez, deixou marcas de dedos nos braços de um fiel.

Em 9 de novembro de 1994 um tal Raymond, recém-chegado em um monastério, acendou cinco velas e começou a rezar. De repente, sentiu que havia alguma mudança no ambiente: o vento ficou mais forte, a temperatura começou a subir e as chamas das cinco velas pararam de se mover, embora continuassem queimando. Então Raymond sentiu como se estivesse sendo transportado da escuridão para uma luz intensa, e retornou ao mundo real após quatro horas, com marcas de queimadura no braço direito em formato de cinco dedos (veja a foto no site). Desde então a experiência tem se repetido com frequência. A julgar pela história, Cristo pretende queimar o braço de Raymond sempre que tiver algo a dizer. Mas tudo bem. Raymond gosta e ainda está ficando famoso.

Saturday, July 01, 2006

Nefelibata (11): Cumulonimbus

Prosseguindo em nossa jornada de apresentação dos signos nefelibatas
(aqueles que são orientados pela posição das nuvens no céu no momento do nascimento), passemos agora ao penúltimo signo: o Cumulonimbus.

As nuvens Cumulonimbus são altas, espalhadas no céu, às vezes assumindo o formato de uma bigorna. Associam-se a chuvas fortes, raios, granizo e tornados. Portanto, se você é um nativo desta nuvem, evite más companhias e cuide bem de suas finanças, pois você tende a ter problemas mundanos relacionados a dinheiro, especialmente a convicção de que, se não gastá-lo, ele terá valor. Será melhor simplesmente deixar passar uma semana ou duas antes de começar a guardar dinheiro, Cumulonimbus. Normalmente você não é de deixar nada para o dia seguinte, mas pondere sobre o benefício que advirá de uma atitude paciente: você passará duas semanas gastando tudo o que tem. Depois, é só deixar que a sua natureza otimista se encarregue do resto: minimize a crise financeira considerando que você já tem quase tudo de que precisa e não terá mais que guardar dinheiro.

Alerta de trânsito

Entre os dias 01/07 (hoje) e 14/07, a nuvem Cirrus estará transitando pela sua quarta casa nefelibata, em oposição a Stratus. Este é o momento certo para ficar em casa. Momento propício também para viagens. Grande satisfação e realização pessoal podem ser encontradas na arrumação do quarto. Sobretudo, não se leve muito a sério, Cumulonimbus. Este é a regra número um do manual do bom e sábio nefelibata: não perca a grande chance de não se levar a sério deixando para amanhã o que poderia ser feito hoje.

Wednesday, June 28, 2006

A (des) importância social do bordado

É evidente que o bordado é uma coisa absolutamente inútil. Tricotar faz sentido; costurar faz sentido, mas bordar não faz sentido algum.

Apesar disso, as pessoas bordam. Não tanto quanto antigamente, claro, mas bordam.

Por que será?

Por que esta prática estranha, vazia de sentido e nociva para a coluna tem-se mantido ao longo da história, apesar de sua notória inutilidade?

Eu poderia tentar explicar a função do bordado com a tese de que a experiência estética é tão ou mais importante que todas as outras experiências sensoriais, mas não é. Abrigar-se do frio é certamente muito mais importante que abrigar-se do frio usando um casaco bonito.

Eu poderia também dizer que se trata de um fenômeno cultural: este foi o modo encontrado pelos homens para manter as mulheres submissas: o bordado toma o tempo livre tanto das solteiras quanto das casadas, tanto das novas quanto das não-tão-novas. Mas isso também não pode ser: no Egito Antigo os homens é que bordavam, não as mulheres (a confiar no que os gregos escreveram sobre os egípcios, sabe-se lá com que propósito).

Eu poderia ainda lembrar que existe uma explicação marxista e uma explicação freudiana para tudo, e que nenhuma investigação decente pode esquecer Freud e Marx para se manter decente, culta e bem fundamentada.

Então.

A coisa toda se explica na origem, pelo modo de produção: na antiguidade os escravos, produtores de bens de consumo, deixavam por conta da aristocracia o "estar desocupado" tão útil ao cultivo do espírito. Consequentemente, os interesses da nobreza voltaram-se para atividades que tinham como objetivo não a produção de bens de consumo, mas o uso qualitativo do tempo livre. Isto é, o valor de uso ficava restrito à mão-de-obra escrava. Aos homens livres e ricos, impunha-se um outro valor: o estético.

E pronto, Marx já explicou.

Quanto a Freud, bem, vamos ter de falar do desejo e relacioná-lo à beleza que o bordado, em algumas épocas, conferiu às vestimentas. Acrescente-se (1) o efeito terapêutico do bordado em personalidades moderadamente histéricas (mas não em personalidade demasiadamente histéricas, por razões óbvias), (2) sua função catártica, (3) a possibilidade de sublimação da mesmice cotidiana que o número infinito de tramas oferece, (4) liberação do imaginário pelo uso criativo do tempo livre. E já se disse tudo o que há para dizer.

Eu poderia ainda tentar explicar o fenômeno sob o viés do freudo-marxismo, mas acho que não precisa não. O caso todo é bem simples: o bordado é inútil mesmo.

Sunday, June 25, 2006

Era uma vez um imortal

Era uma vez um espírito imortal, encarnado, desencarnado, encarnado de novo, desencarnado novamente, encarnado outra vez e ciente disso tudo.

Era uma vez um tal conde de San German, encarnado, lá pelas tantas, no século XVIII. Ele tinha um único propósito: buscar a imortalidade. Jura ter encontrado, o que atesta a sua morte, em 1784: era preciso despedir-se da identidade atual (leia-se desencarnar) para assumir nova identidade (isto é, encarnar de novo) e, assim, ser imortal.

Mas não era bem isso que San German queria. O propósito era mesmo continuar encarnado indefinidamente, mas com identidades distintas. Ao abandonar a identidade "San German" desencarnando, ele deixou um recadinho para animar os amigos: "Adeus meus amigos. Retiro-me para o Himalaia. Retornarei como das outras vezes, dentro de oitenta e cinco anos".

Pesquise a biografia do conde e descobrirá que muita gente levou esse recado a sério. Os caríssimos amigos (que não sobreviveram nem aos primeiros oitenta anos) juram que ele voltou. As gerações seguintes confirmam o retorno do imortal. E atestam que a cada oitenta e cinco anos ele visita o Himalaia, embora ninguém tenha vivido o suficiente para ver.

Friday, June 23, 2006

Sem copyright

Você já se perguntou quem teria inventado a batata frita? Não? Pois eu, sim. O inventor da batata frita é um tal Antoine Augustin Parmentier (1737-1813), um químico francês. A batata, ainda pouco conhecida, foi servida por Parmentier fatiada e frita em um jantar em homenagem a ninguém menos que Benjamin Franklin, em 1772. Seu propósito era atrair a atenção de Luis XVI e Maria Antonieta e convencê-los das vantagens do consumo do tubérculo. Foi tão bem sucedido que, quando da morte dos soberanos, a batata já havia conquistado a França.

Tuesday, June 20, 2006

Como escrever um livro que ninguém vai ler

Você pode pensar que é fácil escrever um livro que ninguém queira ler, mas não é. Sempre há um parente que se sente uma boa pessoa por apoiar você. Mesmo que não leia, vai comprar seu livro. Escrever para ninguém, absolutamente ninguém, é realmente alguma coisa.

Um tal Mark Stevens realizou essa façanha, ao menos na tradução em português. Claro, trata-se de um destes livros de auto-ajuda que os psicólogos adoram escrever, mas verdade seja dita: este é especial.

Confira clicando no título deste post onde você pode adquirir a obra Como não ser um mala! (com o detalhe da exclamação, claro!!!)

Se você não for ou não se sentir um mala (o que quer que isso seja), vai comprar e LER o tal livro-solução para um problema inexistente?

Certo, você é um mala e não sabe disso. Vai comprar o livro por via das dúvidas?

Ah, sim, você é um mala e sabe disso (coisa estranha, mas tudo bem, é só uma hipótese). Neste caso, se comprar o livro e LER, é porque deseja mudar, certo? Mas, se quiser mudar, então não é tão mala assim, né? E, se não é tão mala assim, precisa mesmo ler um livro que vai te ensinar a não ser o que você não é?

Que coisa estranha.

Seria melhor mudar o título para "Como ser um mala", né não?

Sunday, June 18, 2006

Santos e incorruptíveis

Quem nunca acreditou em santos e em milagres, que atire a primeira pedra.

Quem sempre achou que é só uma questão de tempo para que a ciência explique todos os milagres, não precisa fazer nada; basta esperar.

A ciência já está desvendando mais um suposto milagre: o dos corpos incorruptíveis.

Os corpo de algumas pessoas consideradas "santas" em vida parecem resistir à decomposição. Alguns, é óbvio, receberam a preciosa ajuda dos vivos para que o milagre pudesse acontecer. Outros foram enterrados em lugares muito secos, o que tornou o processo de decomposição bastante lento (caso de São João Maria Batista Vianney). Outros se mantiveram "incorruptíveis" por terem sido enterrados em capelas sobre a neve (caso de São Felipe Neri) e outros, ainda, simplesmente passaram por um processo chamado pelos cientistas de "saponificação": os tecidos do corpo transformaram-se em sabão por debaixo da pele endurecida, por terem sido enterrados em lugar úmido. Este seria o caso de Santa Rita de Cássia.

Mas a coisa não pára por aí. Há também os ex-incorruptíveis: aqueles que, ao serem exumados vários anos depois da morte (caso do corpo de Eduardo O Confessor) foram encontrados em bom estado de conservação e, com o contato com o ar, iniciou-se rapidamente o processo de decomposição. De qualquer forma, para os fiéis o que importante é que Eduardo O Confessor estava ainda "inteiro" 36 anos após sua morte. Coisa de santo.

Saturday, June 17, 2006

Competências muitíssimo pessoais

Quais seriam as competências pessoais mínimas para que uma prostituta possa exercer bem sua profissão e, digamos, se destacar no mercado?

Você pode não saber, mas o Ministério do Trabalho sabe. O "profissional do sexo" faz parte de uma categoria funcional e consta da Classificação Brasileira de Ocupações.

Eis as competências pessoais:

1 Demonstrar capacidade de persuasão
2 Demonstrar capacidade de expressão gestual
3 Demonstrar capacidade de realizar fantasias eróticas
4 Agir com honestidade
5 Demonstrar paciência
6 Planejar o futuro
7 Prestar solidariedade aos companheiros
8 Ouvir atentamente (saber ouvir)
9 Demonstrar capacidade lúdica
10 Respeitar o silêncio do cliente
11 Demonstrar capacidade de comunicação em língua estrangeira
12 Demonstrar ética profissional
13 Manter sigilo profissional
14 Respeitar código de não cortejar companheiros de colegas de trabalho
15 Proporcionar prazer
16 Cuidar da higiene pessoal
17 Conquistar o cliente
18 Demonstrar sensualidade

Certo. Só não entendi porque é necessário saber planejar o futuro e demonstrar capacidade de se comunicar em língua estrangeira.

Duvida, né? Então acesse o site clicando no título deste post.

Aproveite para checar também os itens "Tabelas de Atividades" e "Formação e Experiência". Hilários.

Só falta o governo exigir uma formação mínima para o exercício da profissão.

Thursday, June 15, 2006

Corpus aristotelicum

No século III de nossa era o biógrafo Diógenes Laércio fez um levantamento das obras de Aristóteles. A relação não é exata. É possível que algumas referências sejam, na verdade, apenas parte de uma obra maior. Faltam a metafísica (catorze livros) e a Ética a Nîcômaco (dez livros), e algumas obras citadas possivelmente são apócrifas ou escritas por discípulos.

Em todo caso, a listagem a seguir baseia-se em documentos ainda existentes no século III (já que o acesso direto às obras não era possível) e nos dá uma boa idéia da genialidade de Aristóteles.

— Da Justiça, quatro Livros;
— Dos Poetas, três Livros;
— Da Filosofia, três Livros;
— Do Político, dois Livros;
— Da Retórica ou Grylos, um Livro;
— Nerinto, um Livro;
— Sofista, um Livro;
— Menêxeno, um Livro;
— Erótico, um Livro;
— Banquete, um Livro;
— Da Riqueza, um Livro;
— Protréptico, um Livro;
— Da Alma, um Livro;
— Da Prece, um Livro;
— Do Bom Nascimento, um Livro;
— Do Prazer, um Livro;
— Alexandre, ou Da Colonização, um Livro;
— Da Realeza, um Livro;
— Da Educação, um Livro;
— Do Bem, três Livros;
— Excertos de As Leis de Platão, três Livros;
— Excertos da República de Platão, dois Livros;
— Economia, um Livro;
— Da Amizade, um Livro;
— Do ser afetado ou ter sido afetado, um Livro;
— Das Ciências, dois Livros;
— Da Erística, dois Livros;
— Soluções Erísticas, quatro Livros;
— Cisões Sofísticas, quatro Livros;
— Dos Contrários, um Livro;
— Dos Gêneros e Espécies, um Livro;
— Das Propriedades, um Livro;
— Notas sobre os Argumentos, três Livros;
— Proposições sobre a Excelência, três Livros;
— Objeções, um Livro;
— Das coisas faladas de várias formas ou por acréscimo, um Livro;
— Dos Sentimentos ou Do Ódio, um Livro;
— Ética, cinco Livros;
— Dos Elementos, três Livros;
— Do Conhecimento, um Livro;
— Dos Princípios, um Livro;
— Divisões, dezesseis Livros;
— Divisão, um Livro;
— Da Questão e Resposta, dois Livros;
— Do Movimento, dois Livros;
— Proposições, um Livro;
— Proposições Erísticas, quatro Livros;
— Deduções, um Livro;
— Analíticos Anteriores, nove Livros;
— Analíticos Posteriores, dois Livros;
— Problemas, um Livro;
— Metódica, oito Livros;
— Do mais excelente, um Livro;
— Da Idéia, um Livro;
— Definições Anteriores aos Tópicos, um Livro;
— Tópicos, sete Livros;
— Deduções, dois Livros;
— Deduções e Definições, um Livro;
— Do Desejável e Dos Acidentes, um Livro;
— Pré-tópicos, um Livro;
— Tópicos voltados para Definições, dois Livros;
— Sensações, um Livro;
— Divisão, um Livro;
— Matemáticas, um Livro;
— Definições, treze Livros;
— Argumentos, dois Livros;
— Do Prazer, um Livro;
— Do Voluntário, um Livro;
— Do Nobre, um Livro;
— Teses Argumentativas, vinte e cinco Livros;
— Teses sobre o Amor, quatro Livros;
— Teses sobre a Amizade, dois Livros;
— Teses sobre a Alma, um Livro;
— Política, dois Livros;
— Palestras sobre Política (como as de Teofrasto), oito Livros;
— Dos Atos Justos, dois Livros;
— Coleção de Artes, dois Livros
— Arte da Retórica, dois Livros;
— Arte, um Livro;
— Arte (uma outra obra), dois Livros;
— Metódica, um Livro;
— Coleção da Arte de Teodectes, um Livro;
— Tratado sobre a Arte da Poesia, dois Livros;
— Entímemas Retóricos, um Livro;
— Da Magnitude, um Livro;
— Divisões de Entímemas, um Livro;
— Da Dicção, dois Livros;
— Dos Conselhos, um Livro;
— Coleção, dois Livros;
— Da Natureza, três Livros;
— Natureza, um Livro;
— Da Filosofia de Árquitas, três Livros;
— Da Filosofia de Espeusipo e Xenócrates, um Livro;
— Excertos do Timeu e dos Trabalhos de Árquitas, um Livro;
— Contra Melisso, um Livro;
— Contra Alcmeon, um Livro;
— Contra os Pitagóricos, um Livro;
— Contra Górgias, um Livro;
— Contra Xenófanes, um Livro;
— Contra Zenão, um Livro;
— Dos Pitagóricos, um Livro;
— Dos Animais, nove Livros;
— Dissecações, oito Livros;
— Seleção de Dissecações, um Livro;
— Dos Animais Complexos, um Livro;
— Dos Animais Mitológicos, um Livro;
— Da Esterilidade, um Livro;
— Das Plantas, dois Livros;
— Fisiognomonia, um Livro;
— Medicina, dois Livros;
— Das Unidades, um Livro;
— Sinais de Tempestade, um Livro;
— Astronomia, um Livro;
— Ótica, um Livro;
— Do Movimento, um Livro;
— Da Música, um Livro;
— Memória, um Livro;
— Problemas Homéricos, seis Livros;
— Poética, um Livro;
— Física (por ordem alfabética), trinta e oito Livros;
— Problemas Adicionais, dois Livros;
— Problemas Padrões, dois Livros;
— Mecânica, um Livro;
— Problemas de Demócrito, dois Livros;
— Do Magneto, um Livro;
— Conjunções dos Astros, um Livro;
— Miscelânea, doze Livros;
— Explicações (ordenadas por assunto), catorze Livros;
— Afirmações, um Livro;
— Vencedores Olímpicos, um Livro;
— Vencedores Pítios na Música, um Livro;
— Sobre Píton, um Livro;
— Listas dos Vencedores Pítios, um Livro;
— Vitórias em Dionísia, um Livro;
— Das Tragédias, um Livro;
— Didascálias, um Livro;
— Provérbios, um Livro;
— Regras para os Repastos em Comum, um Livro;
— Leis, quatro Livros;
— Categorias, um Livro;
— Da Interpretação, um Livro;
— Constituições de 158 Estados (ordenadas por tipo: democráticas, oligárquicas, tirânicas, aristocráticas);
— Cartas a Felipe;
— Cartas sobre os Selimbrianos;
— Cartas a Alexandre (4), a Antipater (9), a Mentor (1), a Aríston (1), a Olímpias (1), a Hefaístion (1), a Temistágoras (1), a Filoxeno (1), a Demócrito (1);
— Poemas;
— Elegias.

Vidas e Obras de Filósofos Ilustres, V, I, 22.

Saturday, June 10, 2006

Aversão à precisão

Já dizia Aristóteles:

"Alguns indivíduos exigem precisão em tudo, enquanto outros sentem-se entediados com ela, seja porque não são capazes de acompanhar os raciocínios, seja porque os julga triviais ou tacanhos, uma vez que há alguma coisa em torno da precisão que se afigura a algumas pessoas como sendo mesquinha, tanto numa argumentação quanto numa transação comercial".

Metafísica II, 3, 10.

Thursday, June 08, 2006

Futebol filosófico

Já imaginou uma partida de futebol filosófica? Nem precisa. Veja o video, clicando no título deste post. Divertido.

Tuesday, June 06, 2006

Falta do que fazer (2): Nobreza

Parece piada, mas é sério: os nobres da Idade Média ingeriam pequenas doses de arsênico todos os dias para deixar os cabelos brancos. É isso mesmo. Eles descobriram que uma pequena quantidade de arsênico todos os dias torna o corpo mais resistente ao veneno. O efeito colateral é que os cabelos ficam inteiramente brancos. Como a nobreza é quem dita a moda, os cabelos brancos passaram a ser um dos sinais da aristocracia. É por isso, aliás, que os juízes passaram a usar perucas brancas durante os procedimentos do tribunal: indica que pertencem a uma classe privilegiada.

Sunday, June 04, 2006

Testamento de Aristóteles

E não é que Aristóteles escreveu um testamento? Eis aí, na íntegra, o que Diógenes Laércio, que viveu no século I de nossa era, jura ter tido em mãos:

"Que tudo esteja bem; entretanto, se algo acontecer, Aristóteles adotou as seguintes disposições extremas. (12) Antípatros é o testamenteiro em todos os assuntos e em geral; até a chegada de Nicânor, todavia, Aristomenes, Tímarcos, Diotelés e (se ele consentir e as circunstâncias permitirem) Teôfrastos, encarregar-se-ão tanto de Herpilis e das crianças como da herança. Quando a menina estiver na idade própria será dada em casamento a Nicânor; mas, se algo acontecer à menina (que Deus não queira, nem aconteça) antes do casamento, ou quando já estiver casada, porém antes de ter filhos, Nicánor terá plenos poderes, seja em relação às crianças, seja em relação a tudo mais, para administrar de maneira digna dele e de nós. Nicânor se encarregará da menina e do menino Nicômacos como parecer conveniente em tudo que lhes diz respeito, como se ele fosse o irmão. Se algo acontecer a Nicânor (que Deus não queira!) antes do casamento da menina, ou quando ela estiver casada, porém antes de ter filhos, terão pleno valor as suas disposições. (13) Se Teôfrastos quiser conviver com ela, terá os mesmos direitos de Nicânor. Se assim não for, os testamenteiros, de acordo com Antípatros, adotarão a respeito da filha e do menino as medidas que lhes parecerem melhores. Os testamenteiros e Nicânor, pensando em mim e na grande afeição que Herpilis me dedicou, cuidarão dela sob todos os aspectos e, se quiser casar-se, esforçar-se-ão para que não lhe seja dado um marido indigno de nós; e além do que ela já recebeu dar-lhe-ão um talento de prata tirado da herança, e três servas à sua escolha, além da que ela já tem e do servo Pirraios; (14) e se ela preferir permanecer em Calcis dar-lhe-ão o alojamento destinado aos hóspedes junto ao jardim, mas se preferir Stágeira, a casa de meu pai. Qualquer que seja a sua preferência entre as duas moradias, os testamenteiros as guarnecerão com móveis que lhes pareçam apropriados e como aprouverem a Herpilis. Nicânor se encarregará do menino Mirmex, para que seja reconduzido aos seus de maneira digna de nós, com todos os seus bens que recebemos. Ambracis ganhará liberdade, e por ocasião do casamento de minha filha receberá quinhentos dracmas e a serva que tem agora. A Talé serão dados, além da serva que ela já tem e que foi comprada, mil dracmas e uma serva. (15) E Simon, além da quantia dada anteriormente para aquisição de outro servo, terá um servo comprado para ele ou receberá uma quantia adicional de dinheiro. E Tícon, Filon, Olímpios e seu filho ganharão a liberdade quando minha filha se casar. Nenhum dos servos que cuidaram de mim será vendido, e todos continuarão a ser empregados; quando chegarem à idade própria terão a sua liberdade, se a merecerem. Meus testamenteiros cuidarão de que, quando estiverem prontas as estátuas encomendadas a Grilos, sejam as mesmas postas nos respectivos lugares, a de Nicânor, a de Prôxenos, que era minha intenção ver terminadas, e a da mãe de Nicânor; (16) a de Arímnestos, já pronta, deve ser colocada em seu lugar, para perpetuar-lhe a memória, porquanto ele morreu sem deixar filhos; a de nossa mãe deve ser dedicada a Deméter em Nemea, ou onde acharem melhor. E onde quer que me sepultem, ponham no mesmo lugar os ossos de Pitiás depois de havê-los recolhido, de acordo com suas próprias instruções. E para comemorar o regresso de Nicânor são e salvo, como prometi em seu nome, devem ser dedicadas em Stágeira estátuas de pedra em tamanho natural a Zeus Salvador e a Atena salvadora.”

Diógenes Laércio, Vidas e Doutrinas de Filósofos Ilustres V, I.

Friday, June 02, 2006

Nefelibata (10): Nimbostratus

As nuvens nimbostratus, responsáveis pela chuva, formam uma camada cinza no céu. O nativo desta nuvem é criativo e empreendedor, mas adota frequentemente uma atitude severa, crítica, revolucionária e belicosa. Na superfície os nimbostratus são frios e reservados mas, quando os conhecemos melhor, descobrimos que são ainda mais frios e reservados, o que faz com que todos se afastem quando eles se aproximam. Ainda assim, há quem goste de nimbostratus. Profissionalmente, podem ser bem sucedidos em esportes radicais, de preferência relacionados com a água.

Conselhos: tente adotar uma atitude mais calma e positiva diante da vida, nimbostratus.

Planeta: Mercúrio

Pedra: Granizo

Thursday, June 01, 2006

Coisa de grego (4): Paidagogos

Marilena Chauí andou dizendo por aí que, quando o Lula abre a boca, o mundo fica iluminado.

Lembrei de algo que li: na Grécia Antiga, um escravo era encarregado de conduzir a criança da casa até a palestra, o local de estudo. O escravo (o pedagogo - junção de paidion, criança, com agogé, conduzir) carregava sempre uma lamparina para iluminar o caminho. O escravo-pedagogo era, originalmente, designado para essa função por não ter uma constituição física recomendável para trabalhos que exigiam maior esforço.

O ato de iluminar o caminho ao conduzir a criança até o local de estudo transformou-se na metáfora de que o saber ilumina.

Certamente não era a isso que Marilena Chauí se referia, mas o que teria ela querido dizer?

Non compreendo non.

Tuesday, May 30, 2006

Falta do que fazer (1): Realeza

Todos os que faziam parte da corte de Luis XIV cultivavam um mesmo hábito: deixar crescer a unha do dedo mindinho da mão esquerda.

Talento musical? Ritual de iniciação?

Nada disso.

A razão era bastante prosaica: não contrariar o rei.

É que Luis XIV não gostava que batessem à porta quando precisavam falar com ele. O interessado só tinha permissão para arranhar a porta.

Haja realeza!

Sunday, May 28, 2006

Baudrillard sobre Matrix

É uma produção divertida, repleta de efeitos especiais, só que muito metafórica. Os irmãos Wachowski são bons no que fazem. Keanu Reeves também tem me citado em muitas ocasiões, só que eu não tenho certeza de que ele captou meu pensamento. O fato, porém, é que Matrix faz uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade. Os diretores se basearam em meu livro Simulacros e Simulação, mas não o entenderam. Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente. Nos dois filmes, minhas idéias estão mais bem aplicadas. Os Wachowskis me chamaram para prestar uma assessoria filosófica para Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, mas não aceitei o convite. Como poderia? Não tenho nada a ver com kung fu. Meu trabalho é discutir idéias em ambientes apropriados para essa atividade.

Jean Baudrillard, em entrevista à revista Época.

Saturday, May 27, 2006

Baudrillard sobre pós-modernidade

A noção de pós-modernidade não passa de uma forma irresponsável de abordagem pseudocientífica dos fenômenos. Trata-se de um sistema de interpretações a partir de uma palavra com crédito ilimitado, que pode ser aplicada a qualquer coisa. Seria piada chamá-la de conceito teórico.

Jean Baudrillard, em entrevista à Revista Época.

Friday, May 26, 2006

Os filósofos e a felicidade (5): Virtude inata

"...há coisas cuja ausência empana a felicidade, como a nobreza de nascimento, uma boa descendência, a beleza. Com efeito, o homem de muito feia aparência, ou mal-nascido, ou solitário e sem filhos, não tem muitas probabilidades de ser feliz, e talvez tivesse menos ainda se seus filhos ou amigos fossem visceralmente maus e se a morte lhe houvesse roubado bons filhos ou bons amigos." [Aristóteles, Ética, I, 8, 1099b].

Em outras palavras: ou você nasce com condições suficientes para ser feliz, ou nada feito. Só os nobres podem ser felizes; só os belos podem ser felizes; só os pais são felizes (já dizia o filósofo Cazuza); só os casados são felizes.

Será o Benedito?

Wednesday, May 24, 2006

Os filósofos e a felicidade (4): Vida de gado

"Se a felicidade estivesse nos prazeres do corpo, diríamos felizes os bois quando encontram ervilha para comer".

Heráclito de Éfeso

Monday, May 22, 2006

Espírito de colecionador

Um dia imaginei que, se lesse 100 livros por ano, ao final de uma década eu saberia muita coisa.

Assim fiz: se um livro mais extenso (p. ex., David Copperfield, de Charles Dickens) me tomasse mais que três dias, o próximo deveria exigir um tempo menor (p. ex., O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway). O mais importante, na ocasião, era que ao final do ano eu conseguisse completar a lista de 100 livros lidos.

Passados alguns anos, descobri que é preferível a qualidade à quantidade, e que minha memória não era tão boa assim: eu já estava esquecendo parte do que lia, o que tornava o propósito de acumular conhecimento pela quantidade de livros lidos um tanto sem sentido. Então, diminui o ritmo de leitura e passei a decorar nomes de Faraós, relação de livros da Bíblia, nomes de países e suas capitais, vencedores do prêmio Nobel de Literatura, coisas assim.

Não posso dizer, em sã consciência, que tenha adquirido conhecimento, mas certamente passei a ter boa memória.

Friday, May 19, 2006

Eles são humanos

Afinal de contas, não viemos dos macacos. Eles é que são homens naturais.

Assista ao vídeo "Dancem macacos, dancem" clicando no título. Vale a pena.

Wednesday, May 17, 2006

Afinidades nada eletivas

Descobri que eu e a seleção brasileira de futebol temos muito em comum: quando é preciso jogar, a gente até que tenta, mas não consegue. Quando não é preciso, aí então é que a gente joga.

Fazer o quê, né?

Sunday, May 14, 2006

Nefelibata (9): Stratocumulus

As nuvens Stratocumulus formam uma camada cinzenta no céu, o que nos leva a concluir que os nativos desta nuvem sentem-se permanentemente insatisfeitos. Mas, ainda que anseiem por mudanças, os nefelibatas Stratocumulus não têm disposição suficiente para assumir compromissos, já que tendem a mudar de idéia com frequência e inclinam-se mais a aguardar os acontecimentos que a agir. Não obstante, têm boa disposição para as férias, as festas, os bares e quetais.

Dicas: Inovar para construir é a ordem do dia. Procure ler "Como resolver todos os meus problemas e continuar sendo feliz" para que possa vencer a preguiça, Stratocumulus.

Stratocumlus famosos: Bart Simpson, Cartman, Beavis, Brian de Palma.

Thursday, May 11, 2006

Geografia do caráter

Relendo A Política, de Aristóteles, encontrei essa pérola:

Cada povo recebeu da natureza certas disposições e a diferença dos caracteres é facilmente reconhecível se observarmos os mais famosos Estados da Grécia e as diversas partes do mundo inteiro.
Os povos que habitam as regiões frias, principalmente da Europa, são pessoas corajosas, mas de pouca inteligência e poucos talentos. Vivem melhor em liberdade, pouco civilizados, de resto, e incapazes de governar seus vizinhos.
Os asiáticos são mais inteligentes e mais próprios para as artes, mas nem um pouco corajosos, e por isso mesmo são sujeitados por quase todos e estão sempre sob o domínio de algum senhor.
Situados entre as duas regiões, os gregos também participam de ambas. Em sua maioria, têm espírito e coragem; conseqüentemente conservam sua liberdade, e são muito civilizados. Poderiam mandar no mundo inteiro se formassem um só povo e tivessem um só governo. No entanto, eles têm entre si as mesmas diferenças acima mencionadas, não tendo alguns senão uma das duas qualidades e possuindo os outros a ambas numa justa proporção.


Então, resumindo: os gregos poderiam mandar no mundo todo porque, afinal de contas, estão situados geograficamente entre a Ásia e a Europa.

É isso mesmo?

Monday, May 08, 2006

Sinal dos tempos

Estou convencida de que as teorias catastróficas, as previsões de fim do mundo, as profecias apocalípticas são absolutamente verdadeiras: o mundo está mesmo chegando ao fim. O impensável aconteceu: estão fazendo propaganda de leite. Não é o fim da picada? Leite agora tem até jingle: "Viva com mais energia, beba leite todo dia". Imagine. Dez anos atrás isso só poderia ser piada, mas hoje é propaganda. Péssima, por sinal.

Sunday, May 07, 2006

Dia do pulo

Já pensou em mudar a órbita da terra? Queria que o mundo fosse diferente? Quer ter o poder de modificar o universo?

Agora você pode!

O princípio é simples: basta que seiscentos milhões de pessoas dêem pulos simultaneamente e pronto, a trajetória da terra muda! Não é o máximo?

Então. Acesse o site e veja por si mesmo. Se todos nós nos conscientizarmos da importância de unir forças, a terra não será mais o limite.

O evento será no dia 20 de julho, às 8:39:13. Preste atenção ao horário de verão, fuso horário, coisas assim, e pule.

Ah, sim: a idéia é que, tirando a terra do eixo, resolveremos de vez o problema do efeito estufa.

Friday, May 05, 2006

Perguntinha básica (4)

Quem não morrer jovem será um espírito velho até reencarnar?

Thursday, May 04, 2006

Nefelibata (8): Altocumulus

As nuvens altocumulus são brancas ou cinzas, de formato cheio e arredondado. Quem nasce sob um céu de Altocumulus tem muitas qualidades, sendo geralmente estável, sério, independente, perseverante e confiante. São também pessoas capazes de esperar pelo tempo que for necessário para conquistar um objetivo, mas devem evitar a tendência ao excesso de peso, à anemia, à osteoporose e ao vitiligo.

Famosos que nasceram sob a mesma nuvem: Jô Soares; Rei Momo; Faustão; Dona Redonda.

Wednesday, May 03, 2006

Faça seu OVNI

Se você gosta de discos voadores, marcianos verdes e quetais, construa seu próprio disco voador nesta página. Se descobrir qual é a graça desse jogo, não esqueça de me contar.

Monday, May 01, 2006

De onde terá vindo o homem?

Eis a grande pergunta.

Sabemos de onde vem o indivíduo, mas não sabemos com certeza de onde vem o homem. Só há, basicamente, duas alternativas: ou o homem deriva de seu igual, ou do diferente.

Assim: se é verdade que o homem deriva de seu igual, então caímos em uma regressão ao infinito, o que não pode ser. Hipótese descartada. Mas, se é verdade que o homem originou-se do diferente, então o diferente pode ser

a) imaterial (o divino);
b) material, mas de características distintas.

(Eis aí as duas principais explicações para o surgimento do homem e da vida: o criacionismo e o evolucionismo).

A hipótese de que o homem é resultado da ação ou da vontade de uma divindade não passa pelo crivo da razão, então deve ser descartada. Só resta então uma alternativa: o homem originou-se de um outro ser material, diferente dele nas características gerais, mas essencialmente bastante semelhante. De todo modo, essa teoria nós conhecemos tão bem quanto a anterior.

O que importa, na verdade, é destacar que repetimos ad nauseam as mesmas estruturas. Aquela história da origem do mal não tem basicamente o mesmo esqueleto?

Sunday, April 30, 2006

Vou estar usando o gerúndio agora

Como ando preocupada com um problema absolutamente irrelevante, vou estar escrevendo agora sobre o uso abusivo do gerúndio porque, a continuar desse jeito, vamos todos estar falando e estar escrevendo só desse modo. Mas tudo bem, vou estar explicando isso melhor: é que aprendemos com os americanos que nós podemos sim - por que não? - estar fazendo alguma coisa em um futuro contínuo, o que é inteiramente diferente de estar fazendo alguma coisa no presente contínuo. Nós vamos estar percebendo que a utilização do gerúndo no tempo futuro significa que vamos estar praticando a ação do verbo no gerúndio repetidas vezes ou por um determinado período de tempo. Isto é, nós não vamos estar praticando uma ação por uma vez ou em um instante apenas; nós vamos estar praticando a ação do verbo no gerúndio (neste caso, vamos estar praticando) mais de uma vez, ou de modo contínuo. Por exemplo: dizer que vamos estar abrindo a porta é diferente de dizer que vamos abrir a porta. "Abrir a porta" significa praticar a ação uma vez, e pronto. "Estar abrindo a porta" significa estar praticando a ação repetidas vezes, ou estar praticando a mesma ação por um determinado período de tempo. Como ninguém vai estar abrindo a porta seguidas vezes, é o caso então de se pensar que vamos estar abrindo a porta durante algum tempo. Mas como isso também não pode ser, já que temos mais o que fazer, então o melhor mesmo é que a gente vá estar entendendo que, na maior parte das vezes, o gerúndio não se aplica ao futuro e, consequentemente, não vá estar pensando em estar falando desse modo no futuro, contínuo ou não.

Saturday, April 29, 2006

O paradoxo do vovô

E por falar em viagem no tempo, um dos argumentos mais usados contra a idéia é o "paradoxo do vovô", basicamente a alegação de que, se você pode viajar no tempo, então poderia (em tese) matar seu avô quando ele fosse muito jovem e, assim, tornar seu nascimento impossível.

Prá complicar: isto significa dizer que a viagem no tempo tornaria possível gerar uma causa que teria como efeito eliminar a causa de um efeito que é causa de todo esse efeito. Logo, a viagem no tempo viola o princípio de causalidade. Portanto, não é possível.

Certo, mas isso tudo é lógica. O melhor argumento continua sendo mesmo o de Stephen Hawking: onde estão os turistas do futuro, meu bem?

Friday, April 28, 2006

Túnel do tempo

Já dizia Agostinho, sobre o tempo: se não me perguntam o que é, eu sei; se me perguntam, já não sei.

Nós podemos até não saber o que é o tempo, mas parece que vamos viajar nele. Ao menos em teoria a viagem no tempo é possível, dizem os cientistas.

Imagine... Stephen Hawking está enganado: os turistas do futuro já chegaram. Só estão invisíveis. :-)))

Thursday, April 27, 2006

Nefelibata (7): Altostratus

As nuvens do tipo altostratus formam no céu uma camada uniforme branca ou cinza, que pode produzir precipitação muito leve. Esta configuração do céu no momento do nascimento resulta em um nativo de temperamento tranqüilo, reservado, prático, persistente e paciente, além de uma inclinação despojada e muito preguiçosa. A forte imaginação do Altostratus, aliada à receptividade psíquica, faz com que o nativo prefira viver nas nuvens.

Profissões recomendadas: paraquedista, decorador, cozinheiro, pintor de paredes ou psiquiatra.

Conselho: Procure evitar expôr-se ao sol, Altostratus.

Flor: Catléia

Pedra: Calcário Cristalino

Wednesday, April 26, 2006

Porco-espinho alienígena

Desde a década de 80 tem surgido, no interior da Inglaterra, marcas circulares em plantações. Ninguém sabe dizer com certeza qual é a origem destes círculos. O governo, acusado de ser o autor das marcas, resolveu oferecer um prêmio a quem tivesse uma teoria consistente sobre sua origem.

Surgiram várias teorias, quase todas esdrúxulas:

a) Balonistas disseram seus balões, ao descer nas plantações, provocaram a formação dos desenhos;
b) Dois artistas sexagenários, Doug Bower e David Chorley, disseram serem os responsáveis pela "arte";
c) Foram os alienígenas, claro. Eles explicam tudo.
d) São resultado de alterações climáticas;
e) É tudo coisa de poltergeist;
f) Quem sabe não foram redemoinhos que desenharam sem querer os círculos?
g) É efeito da camada de ozônio;
h) Os fungos fizeram tudo sozinhos;
i) Foram os porcos-espinhos comedores de cogumelos mágicos que voaram e fizeram com que o ar deslocado marcasse as plantações;
j) É efeito de radiação;
k) Aviso de extra-terrestres;
l) Obra de intra-terrestres;
m) et cetera;
n) et cetera;
o) et cetera.

À parte essa bobagem toda, os círculos são realmente impressionantes, com desenhos simétricos e às vezes bastante complexos. Veja algumas fotos no link indicado no título.

Veja ainda o video:

http://www.youtube.com/watch?v=vDQqlZIuCQA

Monday, April 24, 2006

Nefelibata (6): Cirruscumulus

Seu destino está escrito em nuvens finas, brancas, de cristais de gelo, em forma de ondas, nativo de Cirruscumulus. Por temperamento você é pessoa objetiva, independente e inconvencional. Faz questão de poder movimentar-se livremente. É cordial com todos e gosta de participar de atividades em grupo. Sente-se atraído pelas novidades e inovações e por tudo o que é moderno. Portanto, compartilhe a sabedoria cósmica com alguém próximo a você. Dissolva as mágoas, livre-se de um passado que entristece, reveja sua biografia e reinvente-se outra vez. Para isso você conta com a imaginação delirante e o senso de irrealidade que são suas maiores qualidades.

Antecendente: Céu sem nuvens
Meio-céu: Nimbus
Sol em Zênite
Futuro imediato: Cumulus
Futuro próximo: Nimbus
Futuro iminente: Cumulonimbus
Futuro distante: Stratus

Sunday, April 23, 2006

Lá vem o sol!

Os cientistas estão afirmando que a luz do sol não somente reduz o risco de alguns tipos de câncer como também é fonte de felicidade. Sim, de felicidade. Parece que a privação do sol gera depressão pela supressão de serotonina. Quem diria. Então é por isso que nossa geração vive tão deprimida: não sai de quartos, salas, prédios, carros.

Wednesday, April 19, 2006

Máquina de ensinar

Estou convencida de que o futuro da educação é a internet.

Assim como há máquinas que tricotam, imprimem livros, montam carros, entretém o trabalhador após o expediente, escrevem, calculam, etc. etc., há uma máquina de ensinar: o computador conectado à internet.

A automação industrial reduziu a mão-de-obra e ampliou o setor de serviços (embora isso não tenha resultado necessariamente em aumento de empregos). Certo, isso nós sabemos. O que ninguém parece enxergar é que a internet forja uma geração de autodidatas, o que torna cada vez mais obsoleta a figura do professor em sala de aula, com quadro e giz, explicando como se resolve uma equação de segundo grau a um grupo de adolescentes cujo principal assunto é o Orkut.

Se minha teoria catastrófica estiver correta, a maquininha de ensinar já foi inventada e já está em pleno uso. O desemprego tecnológico chegou à escola.

Tuesday, April 18, 2006

Nefelibata (5): Cumulus

As nuvens do tipo Cumulus são densas, com contornos salientes, ondulados e bases freqüentemente planas, com extensão vertical pequena ou moderada. Consequentemente, os nativos desta nuvem têm uma personalidade extrovertida, de fácil adaptabilidade e forte senso de responsabilidade. A posição das nuvens Cumulus em trígono com Cirrus no momento do nascimento, entretanto, indica exatamente o oposto.

Em relação às amizades o nativo de Cumulus é protetor, gentil e honesto, desde que não haja em seu mapa natal nenhuma conjunção desfavorável de Cumulus-Nimbus, o que pode sugerir um temperamento arredio, ciumento e dissimulado.

Pontos fortes: sistema nervoso central e trato respiratório.

Quadruplicidade: fixa
Pedra: paralelepípedo
Cor: rosa
Flor: trevo
Metal : mercúrio cromo

Saturday, April 15, 2006

Chorar faz bem

Uma das experiências literárias mais marcantes que tive foi a leitura de O Estrangeiro, de Camus. Durante todo o desenrolar da história, o que nos incomoda em Mersault é o seu absoluto distanciamento emocional dos eventos de que é protagonista. Mersault vai ao enterro da mãe, mas está preocupado em observar o que acontece à sua volta; tanto faz casar-se ou não com a namorada; ele mata, mas isso não o afeta de modo algum. O julgamento de Mersault não é outra coisa senão a condenação deste distanciamento.

Quando vejo o desenrolar da história desta garota que mandou matar os pais, Suzane Richthofen, fica evidente que o que importa, a única coisa que realmente importa para a opinião pública, é saber se ela é capaz de se arrepender, de se comover, de chorar.

Francamente, que importa se essa menina está arrependida ou não? Faz alguma diferença?

Friday, April 14, 2006

Pesquisa é pesquisa

Pedi aos alunos que fizessem uma determinada pesquisa. Recebi de um deles, por e-mail, um link. Só o link.

A pesquisa foi feita, ou não foi feita?

Wednesday, April 12, 2006

Os gnósticos e o capeta (3)

Outro ponto de divergência entre os gnósticos e os cristãos também envolve a figura do diabo: para os cristãos, Lúcifer era um anjo decaído. Para os gnósticos, cada um de nós possui uma alma imortal que habitava um outro mundo. Por alguma razão, esta alma cometeu algum deslize e foi expulsa do lugar que habitava anteriormente, sendo aprisionada à matéria (ou seja, a um corpo). O objetivo de cada alma é libertar-se da matéria e retornar ao lugar de origem, o que só pode fazer pela via do conhecimento.

Enquanto os cristãos supõem um senhor do mal, Lúcifer, os gnósticos acreditavam que cada um de nós possui um daimon, uma alma imortal expulsa de seu lugar de origem e aprisionada no corpo.

Tuesday, April 11, 2006

Os gnósticos e o capeta (2)

Continuando o assunto "Os gnósticos e o capeta", iniciado no post anterior. O problema apresentado, para resumir, reside no seguinte: se o bem é imaterial e representa a totalidade, de onde vem o mal, ou seja, o mundo material?

A resposta é simples: em um extremo está o bem. Em outro, o mal. Entre eles há uma série finita de emanações (algo em torno de 52). A cada emanação, um grau maior de imperfeição. Logo, o último ser imaterial, afastado que está da perfeição originária, já carrega em si a maldade. Este é o único ser espiritual capaz de criar a matéria originária e, a partir dela, todo o universo como o entendemos.

Em outras palavras: para os gnósticos, quem criou o mundo em sete dias não foi deus; foi o diabo. A existência do diabo é gerada não por seu contrário, o bem, mas por um processo de mutação inevitável e irreversível no mundo imaterial.

Esta crença é a base de todas as outras divergências entre os cristãos e os gnósticos. O Evangelho de S. Judas (que, reza a ciência, foi encontrado na década de 70), faz de Jesus o arquiteto de sua morte (para libertar o espírito da matéria) e, de Judas, o seu fiel ajudante.

Monday, April 10, 2006

Os gnósticos e o capeta (1)

Os antigos gnósticos, que sobreviveram até os primeiros séculos de nossa era, acreditavam que a matéria é má e que a totalidade, a verdade, o bem, a justiça e a perfeição pertencem ao mundo imaterial. Muito bem. Mas, se o imaterial é bom e perfeito, como explicar a origem do material, que é mau e imperfeito?

Há duas hipóteses possíveis: ou o mal deriva do bem, ou não.

Portanto:

1. Se o mal deriva do bem, então há algo de mal no bem. Se há algo de mal no bem, o bem não é tão bom assim. Ora, isto não pode ser. Logo, não é verdade que o mal deriva do bem.
2. Se o mal não deriva do bem, então o mal deriva do mal. Mas, se o mal derivar do mal, então há duas forças equivalentes no universo: o mal e o bem. Ora, o mal não pode se equivaler ao bem. Portanto, o mal não deriva do mal.

a) Perfeito. Supondo a correção dos passos dados até agora, a consequência é a eliminação das duas hipóteses. O que fazer, então? Rever o conectivo. Isto é, rever a operação exclusiva "ou-ou". Há uma terceira possibilidade.

Então:

i. O mal deriva do bem;
ii. O mal não deriva do bem;
iii. Nenhuma das alternativas anteriores.

b) Mantendo que as alternativas anteriores sejam absurdas, é necessário inferir a terceira (já que esta alternativa inclui todos os casos possíveis em que 1 e 2 não se verificam). Certo? Errado. Tudo errado a partir de a.

Revendo a: eu parti da suposição de que as inferências 1 e 2 estavam corretas, mas a inferência 2 não está. Eu comecei com a afirmação de que, se o mal não deriva do bem, então o mal deriva do mal. Não necessariamente, né? Há outras possibilidades dentro da hipótese "O mal não deriva do bem".

Mas a grande pergunta, a pergunta que não quer calar, é: o que o capeta tem a ver com tudo isso? Qual é o propósito de todo esse blá-blá-blá?

Ora, prestenção. O bem (o lógico, o racional, o razoável) pode gerar em seu interior o mal (a má-fé, o engano, o artifício), ou o engano deriva de outra fonte?

Não é importante saber disso?

Então.

Não perca a resposta neste mesmo blog, no próximo post.

Sunday, April 09, 2006

Século vigoréxico

A vigorexia é uma doença realmente nova. Trata-se da compulsão por malhar. Sim, malhar. Tem gente que gosta; tem gente que detesta; tem gente que vive para malhar. E tem gente preocupada em classificar essa gente toda.

Saturday, April 08, 2006

Espiritologia

Um tal Guilherme de Ockham disse, há seiscentos anos atrás, que não devemos multiplicar desnecessariamente os seres. Pois eu concordo inteiramente: já basta o que temos.

Então, para evitar que novas entidades apareçam, achei que devia classificar logo as existentes:

- Mulher velha e ranzinza, de xale (por que fantasma velho não voa?);
- Preto velho, com cachimbo na boca, bem ao estilo Cabana do Pai Tomás;
- Fantasma esvoaçante, azul, etéreo, que nunca põe os pés no chão;
- Criança;
- Duendes verdes;
- Gnomos de todas as cores;
- Dragões;
- Sátiros;
- Mefistófeles.

Esqueci alguma aparição?

Thursday, April 06, 2006

É necessário caçar raposas

E aqueles que crêem que os homens são muito pouco sensatos por passar o dia inteiro correndo atrás de uma lebre que não gostariam de ter comprado, não conhecem muito a nossa natureza. Essa lebre não nos preservaria da visão da morte e de suas misérias, mas a caça - que dela nos afasta - nos preserva.

Pascal. Pensamentos.

Monday, April 03, 2006

Geografia da justiça

"Bela justiça é a que é delimitada por um rio". Pascal.

Leia-se o contrário, claro.

Saturday, April 01, 2006

César e a cesariana

Reza a lenda que, quando Júlio César estava para nascer, os médicos foram obrigados a fazer uma incisão na mãe, para retirar a criança.

Dificilmente esta história é verdadeira, mas o nome do procedimento vem daí.

Friday, March 31, 2006

Coisa de grego (4): o filme de terror

Os gregos não inventaram o terror. Claro que não. Mas, se observarmos mais atentamente, o Hades é tudo de que um filme de terror precisa: há mortos, muitos, muitos mortos; há um animal de três cabeças, o Cérbero, que estraçalha tudo o que quiser sair do Hades (ou seja, há também pedaços de corpos e muito sangue); há almas penadas, lamentando a sua falta de sorte; há espíritos desencarnados, mas ainda presos à terra; há Cila no meio do caminho, aquela serpente gigante de não-sei-quantas cabeças; há Caribdes também no caminho, aquele rio de águas agitadas, que suga tudo o que passa ao redor; há Caronte, o velhinho cadavérico e mudo; há rios de fogo; há muita névoa e escuridão; há o governante disso tudo, uma figurinha horrenda, que vagueia invisível pela terra à procura de mortos em potencial. Para contrapor à tensão o alívio, há ainda a doce, bela e sensível Perséfone, deusa da primavera.

E o mais importante: tudo isto te espera lá na frente. Inexoravelmente.

Quem precisa de filme de terror?

Tuesday, March 28, 2006

Fraude do século ponto com

Há quem defenda a tese de que o homem nunca foi à lua, que é tudo invenção. Se quiser saber detalhes terá de comprar o livro, mas dê uma espiada no site/propaganda do livro clicando no título deste post. Quem sabe você acaba aderindo à moda. Pode-se defender, por exemplo, que os dinossauros nunca existiram, que o Titanic foi sabotado, que o desastre com o Hindenburg foi inventado pelos americanos para desacreditar os alemães, e coisas do gênero. Tente. Basta ser criativo.