Um recurso dos mais comuns no trato de uma idéia particular em livros de auto-ajuda, psicologia, marketing e administração, é o de relacioná-la com alguma figura real ou mitológica.
Deve ser para dar um toque de originalidade ao trabalho.
Enfim.
Um tal Bob Briner, veterano da prática, horrorizou: foi buscar logo a figura mais importante dos últimos dois mil anos para defender um modelo de administração de empresas, e escreveu Os Métodos de Administração de Jesus. A premissa básica é que a empresa continua ativa após dois mil anos. Logo, só pode ser boa.
O que Briner esqueceu de dizer é que o dono da empresa morreu por causa dela; um de seus executivos vendeu a alma ao capeta; dois dos remanescentes brigaram pela presidência, o que resultou em divisão interna e um outro remanescente nem mesmo acreditava que a empresa fosse tão boa assim. Ou seja, nunca vestiu a camisa.
Ah, tá. O que importa é a empresa, não os executivos. Entendi.
Friday, August 25, 2006
Thursday, August 24, 2006
Google Books Brasil
A quem interessar possa: o Google Books, um sistema de buscas que permite visualizar trechos de livros, já tem uma interface brasileira.
Fui testar, é claro, e pesquisei "Capitu". Se não encontrasse a mulher mais famosa da literatura brasileira, melhor esperar seis meses para pesquisar novamente. Mas não. Há entradas em português, inglês e francês para "Capitu".
Daí pesquisei "Protagoras" e encontrei o diálogo de Platão. Resolvi abusar e testei "Philostratus". Não é que tem?
Recomendo.
Para se informar melhor:
http://info.abril.com.br/aberto/infonews/082006/23082006-12.shl
Fui testar, é claro, e pesquisei "Capitu". Se não encontrasse a mulher mais famosa da literatura brasileira, melhor esperar seis meses para pesquisar novamente. Mas não. Há entradas em português, inglês e francês para "Capitu".
Daí pesquisei "Protagoras" e encontrei o diálogo de Platão. Resolvi abusar e testei "Philostratus". Não é que tem?
Recomendo.
Para se informar melhor:
http://info.abril.com.br/aberto/infonews/082006/23082006-12.shl
Wednesday, August 23, 2006
Curso de milagres
E por falar em milagres, se você está pensando em se candidatar a Madre Tereza de Calcutá, São Francisco de Assis, Santo Antônio, São Januário, São Jorge etc. etc., a hora é esta.
Não perca mais tempo na vida. Invista agora em seu futuro fazendo o Curso em Milagres. Venha estudar milagres conosco e seja um em um milhão.
A primeira parcela é gratuita.
Aproveite a chance e ganhe um desconto de 50% na primeira mensalidade.
Venha!
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Venha!
Monday, August 21, 2006
Ho-ra do lei-ti-nhooo...
Shiva aprecia um leitinho quente.
Clique no título e veja a foto: parece o Alien, mas é apenas Shiva (ou Buda, sei lá) bebendo leite. Ou melhor, é apenas uma estátua de Shiva/Buda que, surpreendentemente, gosta de leite.
Prá resumir, a coisa toda funciona assim:
1. as câmeras de TV são ligadas;
2. serve-se leite para as estátuas em uma colher;
3. as câmeras de TV continuam ligadas;
4. o leite desaparece;
5. as câmeras de TV focalizam as colheres vazias;
6. as câmeras de TV mostram o espanto nos rostos dos espectadores.
Conclusão óbvia?
Shiva gosta de leite e bebe tudo tudo.
Clique no título e veja a foto: parece o Alien, mas é apenas Shiva (ou Buda, sei lá) bebendo leite. Ou melhor, é apenas uma estátua de Shiva/Buda que, surpreendentemente, gosta de leite.
Prá resumir, a coisa toda funciona assim:
1. as câmeras de TV são ligadas;
2. serve-se leite para as estátuas em uma colher;
3. as câmeras de TV continuam ligadas;
4. o leite desaparece;
5. as câmeras de TV focalizam as colheres vazias;
6. as câmeras de TV mostram o espanto nos rostos dos espectadores.
Conclusão óbvia?
Shiva gosta de leite e bebe tudo tudo.
Sunday, August 20, 2006
Nefelibata (12): Cirrustratus
Se você é um alegre Cirrostratus, as nuvens formavam, no momento de seu nascimento, uma camada fina e branca de cristais de gelo. A posição de Cirrus na casa 4 de Stratus, em conjunção de Nimbos com Stratus na casa 6, em quadratura com Cumulonimbus, sugere um temperamento supersensível, que atrai os estados emocionais das pessoas à volta. Em vista disso, o nativo de Cirrustratus é enérgico e independente. Adora ter a atenção dos outros e de brilhar. Sua poderosa vontade confere-lhe capacidade de mando e não admite ser contrariado. Seu orgulho, passionalidade e individualidade criam-lhe atritos. Sua forte natureza psíquica torna-o muito emotivo e magnético e a intensidade com que se dedica aos assuntos que lhe interessam levam-no a ser criativo em meditação transcendental, ginástica, yoga e política.
Sol em Cirrus
Lua em Stratus
Ascendente em Cumulus
Sol em Cirrus
Lua em Stratus
Ascendente em Cumulus
Thursday, August 17, 2006
Celebridade instantânea
Você não conhece o Jeremias? Como assim?
Não conhece mesmo? Então vou te apresentar.
Jeremias é um bebum que volta e meia é preso pela polícia de Caruaru, Pernambuco. Já virou figura folclórica e celebridade instantânea. Daqui a pouco será contratado pela Globo para fazer um bêbado na novela das oito. Quer apostar?
Não conhece mesmo? Então vou te apresentar.
Jeremias é um bebum que volta e meia é preso pela polícia de Caruaru, Pernambuco. Já virou figura folclórica e celebridade instantânea. Daqui a pouco será contratado pela Globo para fazer um bêbado na novela das oito. Quer apostar?
Monday, August 14, 2006
Cavalos, mulheres ou cachorros
Não vou falar sobre cavalos, mulheres ou cachorros. Só quero contar que o velho Schopenhauer, filósofo do século XIX, morava em uma pensão, muito provavelmente para fazer jus à sua fama de bom comerciante, em companhia de um cãozinho poodle (o jovem Schopenhauer).
Todas as noites, sentava-se silenciosamente em uma mesa de canto, em um restaurante e, antes da refeição, colocava uma moeda à sua frente. Ao sair, recolhia a moeda, sem dizer nada.
Alguém não resistiu à curiosidade. Do que se tratava aquele hábito tão estranho?
"É uma aposta que faço comigo mesmo", respondeu Schopenhauer. "No dia em que os soldados que sempre vêm aqui jantar falarem de outra coisa que não seja cavalo, mulher ou cachorro, esta moeda irá para a caixa de coleta de esmola".
A moeda continuou no bolso do paletó.
Todas as noites, sentava-se silenciosamente em uma mesa de canto, em um restaurante e, antes da refeição, colocava uma moeda à sua frente. Ao sair, recolhia a moeda, sem dizer nada.
Alguém não resistiu à curiosidade. Do que se tratava aquele hábito tão estranho?
"É uma aposta que faço comigo mesmo", respondeu Schopenhauer. "No dia em que os soldados que sempre vêm aqui jantar falarem de outra coisa que não seja cavalo, mulher ou cachorro, esta moeda irá para a caixa de coleta de esmola".
A moeda continuou no bolso do paletó.
Friday, August 11, 2006
Greta Garbo, quem diria
E não é que Aquiles, o destemido, invulnerável (exceto pelo calcanhar), corajoso, forte etc e tal, se vestiu de mulher para fugir do alistamento militar?
Quem diria...
Mas vamos lá, conceder um pouco de razão ao herói: é que sua mãe, a deusa Tétis, o avisou de que ele morreria na guerra contra a cidade de Tróia e aconselhou o filho a não se alistar. Aquiles prontamente obedeceu: vestiu-se de mulher e escondeu-se em meio às moçoilas.
Ulisses desconfiou da artimanha. Para encontrar o fujão, fingiu-se de mercador e observou o comportamento das jovens: todas queriam comprar penduricalhos e bugigangas; só uma estava interessada nas armas.
Ei-lo.
O resultado é que Aquiles morreu ao final da guerra, como havia predito sua mãe.
Quem diria...
Mas vamos lá, conceder um pouco de razão ao herói: é que sua mãe, a deusa Tétis, o avisou de que ele morreria na guerra contra a cidade de Tróia e aconselhou o filho a não se alistar. Aquiles prontamente obedeceu: vestiu-se de mulher e escondeu-se em meio às moçoilas.
Ulisses desconfiou da artimanha. Para encontrar o fujão, fingiu-se de mercador e observou o comportamento das jovens: todas queriam comprar penduricalhos e bugigangas; só uma estava interessada nas armas.
Ei-lo.
O resultado é que Aquiles morreu ao final da guerra, como havia predito sua mãe.
Wednesday, August 09, 2006
A utilidade da justiça
Na República de Platão (I, 333c), Sócrates pergunta a Glauco:
- Quando é que, sendo preciso fazer uso de ouro ou prata em comum, o justo será mais útil do que os outros?
E Glauco responde, com grande sabedoria:
- Quando se tratar de fazer um depósito que fique a salvo, ó Sócrates.
É vero...
- Quando é que, sendo preciso fazer uso de ouro ou prata em comum, o justo será mais útil do que os outros?
E Glauco responde, com grande sabedoria:
- Quando se tratar de fazer um depósito que fique a salvo, ó Sócrates.
É vero...
Monday, August 07, 2006
Nefelibatas em perigo
Estou preocupada. Plutão não é mais planeta. Foi rebaixado. O que será de nós, pobres Nefelibatas, que dependemos dele para saber a exata configuração do céu no momento dos nascimentos?
Já sei: é só apelar para o simbólico e dizer que a "geografia" do céu pouco importa; o que importa é o que significa. Mesmo que a gente tenha defendido sempre que o significado depende da "geografia", não se preocupe. As pessoas têm memória curtíssima e uma boa vontade extraordinária. Vai dar tudo certo.
Já sei: é só apelar para o simbólico e dizer que a "geografia" do céu pouco importa; o que importa é o que significa. Mesmo que a gente tenha defendido sempre que o significado depende da "geografia", não se preocupe. As pessoas têm memória curtíssima e uma boa vontade extraordinária. Vai dar tudo certo.
Saturday, August 05, 2006
Coitado...
Parece que conseguiram capturar e matar um Chupa-Cabra.
É claro, coisas assim não acontecem em qualquer lugar: só podia ser nos Estados Unidos, a terra do Pé Grande, do Jesus da Batata Frita, da Maria do Sanduíche, do Elvis e, claro, do Michael Jackson. Em terra assim tão fértil, Chupa-Cabra deve ser lugar-comum.
Pois é. Acharam e mataram o bichim, que agora vai ter o DNA examinado. Supõe-se que seja um animal híbrido, o resultado de uma mistura entre coiotes, cães selvagens e hienas. Estranhíssimo, mas não tem importância. O que importa é que todos os adoradores de esquisitices podem rir por último: elas existem.
É claro, coisas assim não acontecem em qualquer lugar: só podia ser nos Estados Unidos, a terra do Pé Grande, do Jesus da Batata Frita, da Maria do Sanduíche, do Elvis e, claro, do Michael Jackson. Em terra assim tão fértil, Chupa-Cabra deve ser lugar-comum.
Pois é. Acharam e mataram o bichim, que agora vai ter o DNA examinado. Supõe-se que seja um animal híbrido, o resultado de uma mistura entre coiotes, cães selvagens e hienas. Estranhíssimo, mas não tem importância. O que importa é que todos os adoradores de esquisitices podem rir por último: elas existem.
Thursday, August 03, 2006
Os filósofos e os porcos espinhos
Já dizia Schopenhauer (no Mundo como Vontade e Representação, livro IV) que os seres humanos são como porcos espinhos: o frio do inverno os obriga a se juntar para se aquecer, mas mal se aproximam e já se afastam novamente, cheios de dores e feridas provocadas pelo contato.
Tuesday, August 01, 2006
Poeira das estrelas
Prá quem não viu ou quer ver de novo o primeiro episódio da série "Poeira das Estrelas", do Marcelo Gleiser.
Sunday, July 30, 2006
Delírios de Rousseau (1): Nobres animais
Já dizia Jean-Jacques Rousseau:
"Aí estão, sem dúvida, os motivos pelos quais os negros e os selvagens dão tão pouca importância aos animais ferozes que possam encontrar nos bosques. Os caraíbas da Venezuela, entre outros, vivem, a esse respeito, na mais profunda segurança e sem o menor inconveniente. Embora vivam quase nus, diz François Correal, não deixam de corajosamente expor-se nas matas, armados unicamente de flecha e arco. Jamais se ouviu falar, no entanto, que alguns deles tenham sido devorados pelos animais." [Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens, 1a. parte].
Sei não, mas acho que ele pensava que os animais selvagens respeitam a coragem.
Será?
"Aí estão, sem dúvida, os motivos pelos quais os negros e os selvagens dão tão pouca importância aos animais ferozes que possam encontrar nos bosques. Os caraíbas da Venezuela, entre outros, vivem, a esse respeito, na mais profunda segurança e sem o menor inconveniente. Embora vivam quase nus, diz François Correal, não deixam de corajosamente expor-se nas matas, armados unicamente de flecha e arco. Jamais se ouviu falar, no entanto, que alguns deles tenham sido devorados pelos animais." [Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens, 1a. parte].
Sei não, mas acho que ele pensava que os animais selvagens respeitam a coragem.
Será?
Thursday, July 27, 2006
Bordeline
Diógenes Laércio conta que, quando o filho de um tal Crates atingiu a idade adulta, o pai o levou a um bordel e lhe disse: "foi assim que me casei".
O que isso pode significar?
O que isso pode significar?
Wednesday, July 26, 2006
Não alimente o troll
Um troll é alguém que entra em uma comunidade online e envia mensagens ofensivas, rudes ou repetitivas apenas para irritar e atrapalhar o andamento das discussões. O troll é o indivíduo que participa de discussões com o objetivo de gerar o caos. Se você responder às provocações ou tentar chamá-lo à razão, estará somente alimentando o círculo vicioso: o troll diz que você é um troll, você reage, ele usa sua reação para mostrar que tem razão, e assim por diante. O melhor a fazer é ignorar.
Monday, July 24, 2006
Escola de Escravos
Li na Ética a Nicômaco, de Aristóteles (I,1), que em Siracusa um preceptor abriu uma escola para ensinar, sob pagamento, as crianças a serem escravas. Fiquei imaginando como é que uma coisa assim pode funcionar. É claro que o dono do escravo teria de pagar para que ele aprendesse o ofício que lhe seria destinado, mas o escravo não aprendia o ofício com os mais velhos, sem custo algum para o dono? Então. Acho que essa escola fechou logo que abriu.
Friday, July 21, 2006
Universalizável
Recebi por e-mail:
Um pescador estava tomando cuidado de vários cestos de caranguejos vivos. Quase todos tinham tampa, com exceção de um. Um comprador parou e perguntou porque apenas aquele cesto não tinha tampa: "É que são caranguejos brasileiros." - respondeu o pescador. "Quando um está subindo, os outros puxam para baixo..."
Acho que há um engano aí. Estamos falando de ser humano, e não apenas de brasileiros.
Um pescador estava tomando cuidado de vários cestos de caranguejos vivos. Quase todos tinham tampa, com exceção de um. Um comprador parou e perguntou porque apenas aquele cesto não tinha tampa: "É que são caranguejos brasileiros." - respondeu o pescador. "Quando um está subindo, os outros puxam para baixo..."
Acho que há um engano aí. Estamos falando de ser humano, e não apenas de brasileiros.
Tuesday, July 18, 2006
Morro de pena
Estava assistindo, outro dia, a um documentário do NetGeo sobre fobias e fiquei muito espantada ao descobrir que uma mulher tem fobia de pena de ave.
Isso mesmo, pena. Não pássaros, mas sim penas.
Como é que pode?
Eu sei que fobia é exatamente medo irracional, mas isso é demais, né não?
Se fosse medo de baratas, vá lá. Afinal, baratas são animais horrendos, estão vivas e atacam seres humanos, mas de onde poderia vir um medo tão absolutamente irracional de penas de aves? O que há nelas para se temer?
Sobretudo, o que terá acontecido durante a infância dessa pobre criatura?
Isso mesmo, pena. Não pássaros, mas sim penas.
Como é que pode?
Eu sei que fobia é exatamente medo irracional, mas isso é demais, né não?
Se fosse medo de baratas, vá lá. Afinal, baratas são animais horrendos, estão vivas e atacam seres humanos, mas de onde poderia vir um medo tão absolutamente irracional de penas de aves? O que há nelas para se temer?
Sobretudo, o que terá acontecido durante a infância dessa pobre criatura?
Friday, July 14, 2006
Confesso que li
A essência do uno é ser uma espécie de ponto de partida do número; com efeito, a primeira medida é um ponto de partida, porque o nosso instrumento inicial de obtenção de conhecimento de uma coisa é a primeira medida de cada classe de objetos; o uno, então, é o ponto de partida do que é cognoscível no tocante a cada coisa particular. A unidade, porém, não é a mesma em todas as classes, uma vez que numa é o quarto de intervalo, ao passo que numa outra é a vogal ou a consoante. E há uma outra unidade para a gravidade e uma outra para o movimento. Mas em todos os casos a unidade é indivisível, seja do ponto de vista da quantidade, seja daquele da espécie (isto é, formalmente). Deste modo, aquilo que é quantitativamente, e enquanto quantitativo totalmente indivisível, e é destituído de posição, é chamado de unidade; e aquilo que é totalmente indivisível e tem posição, é chamado de ponto; aquilo que é divisível simplesmente, de linha, duplamente, de plano, e o que é quantitativamente divisível triplamente de corpo. E, invertendo-se a ordem, aquilo que é divisível duplamente é um plano, divisível simplesmente uma linha, enquanto aquilo que não é, de modo algum, quantitativamente divisível é um ponto ou uma unidade: não tendo posição, uma unidade e a tendo, um ponto.
Aristóteles, Metafísica V (e).
Aristóteles, Metafísica V (e).
Monday, July 10, 2006
Friday, July 07, 2006
Coisa de grego (5): Protagonismo
Quem é o protagonista da novela das oito? E da novela das sete? E da novela das seis?
A rigor, teríamos de rever os primeiros capítulos para saber.
É que protagonista vem de proto (primeiro, origem) e agon (conflito). As disputas verbais entre as personagens constituía a base do teatro grego clássico. Protagonista (ou protoagon) era simplesmente o primeiro a falar, na disputa verbal. Por ser o primeiro a falar (ou entrar em cena), o protagonista gerava ou apresentava o conflito que dava sentido à peça e, por isso, podia ser considerado a personagem principal. Daí o sentido que lhe damos hoje.
A rigor, teríamos de rever os primeiros capítulos para saber.
É que protagonista vem de proto (primeiro, origem) e agon (conflito). As disputas verbais entre as personagens constituía a base do teatro grego clássico. Protagonista (ou protoagon) era simplesmente o primeiro a falar, na disputa verbal. Por ser o primeiro a falar (ou entrar em cena), o protagonista gerava ou apresentava o conflito que dava sentido à peça e, por isso, podia ser considerado a personagem principal. Daí o sentido que lhe damos hoje.
Tuesday, July 04, 2006
Achamos um elo perdido
Foram encontrados, em 2004, no Canadá, fósseis de animais que supostamente seriam o elo entre os animais terrestres e os peixes. Estes animais, de cerca de 383 milhões de anos, seriam semelhantes a crocodilos, mas com barbatanas. Os cientistas acreditam que sejam de uma espécie intermediária entre os animais aquáticos e os anfíbios.
Vamos ter de esperar passar o entusiasmo para que a descoberta seja avaliada com maior isenção, mas, se for como os cientistas estão dizendo, os evolucionistas têm mesmo muito o que comemorar.
Vamos ter de esperar passar o entusiasmo para que a descoberta seja avaliada com maior isenção, mas, se for como os cientistas estão dizendo, os evolucionistas têm mesmo muito o que comemorar.
Monday, July 03, 2006
Fogo sagrado
Jesus está de volta, e em grande estilo. Desta vez, deixou marcas de dedos nos braços de um fiel.
Em 9 de novembro de 1994 um tal Raymond, recém-chegado em um monastério, acendou cinco velas e começou a rezar. De repente, sentiu que havia alguma mudança no ambiente: o vento ficou mais forte, a temperatura começou a subir e as chamas das cinco velas pararam de se mover, embora continuassem queimando. Então Raymond sentiu como se estivesse sendo transportado da escuridão para uma luz intensa, e retornou ao mundo real após quatro horas, com marcas de queimadura no braço direito em formato de cinco dedos (veja a foto no site). Desde então a experiência tem se repetido com frequência. A julgar pela história, Cristo pretende queimar o braço de Raymond sempre que tiver algo a dizer. Mas tudo bem. Raymond gosta e ainda está ficando famoso.
Em 9 de novembro de 1994 um tal Raymond, recém-chegado em um monastério, acendou cinco velas e começou a rezar. De repente, sentiu que havia alguma mudança no ambiente: o vento ficou mais forte, a temperatura começou a subir e as chamas das cinco velas pararam de se mover, embora continuassem queimando. Então Raymond sentiu como se estivesse sendo transportado da escuridão para uma luz intensa, e retornou ao mundo real após quatro horas, com marcas de queimadura no braço direito em formato de cinco dedos (veja a foto no site). Desde então a experiência tem se repetido com frequência. A julgar pela história, Cristo pretende queimar o braço de Raymond sempre que tiver algo a dizer. Mas tudo bem. Raymond gosta e ainda está ficando famoso.
Saturday, July 01, 2006
Nefelibata (11): Cumulonimbus
Prosseguindo em nossa jornada de apresentação dos signos nefelibatas
(aqueles que são orientados pela posição das nuvens no céu no momento do nascimento), passemos agora ao penúltimo signo: o Cumulonimbus.
As nuvens Cumulonimbus são altas, espalhadas no céu, às vezes assumindo o formato de uma bigorna. Associam-se a chuvas fortes, raios, granizo e tornados. Portanto, se você é um nativo desta nuvem, evite más companhias e cuide bem de suas finanças, pois você tende a ter problemas mundanos relacionados a dinheiro, especialmente a convicção de que, se não gastá-lo, ele terá valor. Será melhor simplesmente deixar passar uma semana ou duas antes de começar a guardar dinheiro, Cumulonimbus. Normalmente você não é de deixar nada para o dia seguinte, mas pondere sobre o benefício que advirá de uma atitude paciente: você passará duas semanas gastando tudo o que tem. Depois, é só deixar que a sua natureza otimista se encarregue do resto: minimize a crise financeira considerando que você já tem quase tudo de que precisa e não terá mais que guardar dinheiro.
Alerta de trânsito
Entre os dias 01/07 (hoje) e 14/07, a nuvem Cirrus estará transitando pela sua quarta casa nefelibata, em oposição a Stratus. Este é o momento certo para ficar em casa. Momento propício também para viagens. Grande satisfação e realização pessoal podem ser encontradas na arrumação do quarto. Sobretudo, não se leve muito a sério, Cumulonimbus. Este é a regra número um do manual do bom e sábio nefelibata: não perca a grande chance de não se levar a sério deixando para amanhã o que poderia ser feito hoje.
(aqueles que são orientados pela posição das nuvens no céu no momento do nascimento), passemos agora ao penúltimo signo: o Cumulonimbus.
As nuvens Cumulonimbus são altas, espalhadas no céu, às vezes assumindo o formato de uma bigorna. Associam-se a chuvas fortes, raios, granizo e tornados. Portanto, se você é um nativo desta nuvem, evite más companhias e cuide bem de suas finanças, pois você tende a ter problemas mundanos relacionados a dinheiro, especialmente a convicção de que, se não gastá-lo, ele terá valor. Será melhor simplesmente deixar passar uma semana ou duas antes de começar a guardar dinheiro, Cumulonimbus. Normalmente você não é de deixar nada para o dia seguinte, mas pondere sobre o benefício que advirá de uma atitude paciente: você passará duas semanas gastando tudo o que tem. Depois, é só deixar que a sua natureza otimista se encarregue do resto: minimize a crise financeira considerando que você já tem quase tudo de que precisa e não terá mais que guardar dinheiro.
Alerta de trânsito
Entre os dias 01/07 (hoje) e 14/07, a nuvem Cirrus estará transitando pela sua quarta casa nefelibata, em oposição a Stratus. Este é o momento certo para ficar em casa. Momento propício também para viagens. Grande satisfação e realização pessoal podem ser encontradas na arrumação do quarto. Sobretudo, não se leve muito a sério, Cumulonimbus. Este é a regra número um do manual do bom e sábio nefelibata: não perca a grande chance de não se levar a sério deixando para amanhã o que poderia ser feito hoje.
Wednesday, June 28, 2006
A (des) importância social do bordado
É evidente que o bordado é uma coisa absolutamente inútil. Tricotar faz sentido; costurar faz sentido, mas bordar não faz sentido algum.
Apesar disso, as pessoas bordam. Não tanto quanto antigamente, claro, mas bordam.
Por que será?
Por que esta prática estranha, vazia de sentido e nociva para a coluna tem-se mantido ao longo da história, apesar de sua notória inutilidade?
Eu poderia tentar explicar a função do bordado com a tese de que a experiência estética é tão ou mais importante que todas as outras experiências sensoriais, mas não é. Abrigar-se do frio é certamente muito mais importante que abrigar-se do frio usando um casaco bonito.
Eu poderia também dizer que se trata de um fenômeno cultural: este foi o modo encontrado pelos homens para manter as mulheres submissas: o bordado toma o tempo livre tanto das solteiras quanto das casadas, tanto das novas quanto das não-tão-novas. Mas isso também não pode ser: no Egito Antigo os homens é que bordavam, não as mulheres (a confiar no que os gregos escreveram sobre os egípcios, sabe-se lá com que propósito).
Eu poderia ainda lembrar que existe uma explicação marxista e uma explicação freudiana para tudo, e que nenhuma investigação decente pode esquecer Freud e Marx para se manter decente, culta e bem fundamentada.
Então.
A coisa toda se explica na origem, pelo modo de produção: na antiguidade os escravos, produtores de bens de consumo, deixavam por conta da aristocracia o "estar desocupado" tão útil ao cultivo do espírito. Consequentemente, os interesses da nobreza voltaram-se para atividades que tinham como objetivo não a produção de bens de consumo, mas o uso qualitativo do tempo livre. Isto é, o valor de uso ficava restrito à mão-de-obra escrava. Aos homens livres e ricos, impunha-se um outro valor: o estético.
E pronto, Marx já explicou.
Quanto a Freud, bem, vamos ter de falar do desejo e relacioná-lo à beleza que o bordado, em algumas épocas, conferiu às vestimentas. Acrescente-se (1) o efeito terapêutico do bordado em personalidades moderadamente histéricas (mas não em personalidade demasiadamente histéricas, por razões óbvias), (2) sua função catártica, (3) a possibilidade de sublimação da mesmice cotidiana que o número infinito de tramas oferece, (4) liberação do imaginário pelo uso criativo do tempo livre. E já se disse tudo o que há para dizer.
Eu poderia ainda tentar explicar o fenômeno sob o viés do freudo-marxismo, mas acho que não precisa não. O caso todo é bem simples: o bordado é inútil mesmo.
Apesar disso, as pessoas bordam. Não tanto quanto antigamente, claro, mas bordam.
Por que será?
Por que esta prática estranha, vazia de sentido e nociva para a coluna tem-se mantido ao longo da história, apesar de sua notória inutilidade?
Eu poderia tentar explicar a função do bordado com a tese de que a experiência estética é tão ou mais importante que todas as outras experiências sensoriais, mas não é. Abrigar-se do frio é certamente muito mais importante que abrigar-se do frio usando um casaco bonito.
Eu poderia também dizer que se trata de um fenômeno cultural: este foi o modo encontrado pelos homens para manter as mulheres submissas: o bordado toma o tempo livre tanto das solteiras quanto das casadas, tanto das novas quanto das não-tão-novas. Mas isso também não pode ser: no Egito Antigo os homens é que bordavam, não as mulheres (a confiar no que os gregos escreveram sobre os egípcios, sabe-se lá com que propósito).
Eu poderia ainda lembrar que existe uma explicação marxista e uma explicação freudiana para tudo, e que nenhuma investigação decente pode esquecer Freud e Marx para se manter decente, culta e bem fundamentada.
Então.
A coisa toda se explica na origem, pelo modo de produção: na antiguidade os escravos, produtores de bens de consumo, deixavam por conta da aristocracia o "estar desocupado" tão útil ao cultivo do espírito. Consequentemente, os interesses da nobreza voltaram-se para atividades que tinham como objetivo não a produção de bens de consumo, mas o uso qualitativo do tempo livre. Isto é, o valor de uso ficava restrito à mão-de-obra escrava. Aos homens livres e ricos, impunha-se um outro valor: o estético.
E pronto, Marx já explicou.
Quanto a Freud, bem, vamos ter de falar do desejo e relacioná-lo à beleza que o bordado, em algumas épocas, conferiu às vestimentas. Acrescente-se (1) o efeito terapêutico do bordado em personalidades moderadamente histéricas (mas não em personalidade demasiadamente histéricas, por razões óbvias), (2) sua função catártica, (3) a possibilidade de sublimação da mesmice cotidiana que o número infinito de tramas oferece, (4) liberação do imaginário pelo uso criativo do tempo livre. E já se disse tudo o que há para dizer.
Eu poderia ainda tentar explicar o fenômeno sob o viés do freudo-marxismo, mas acho que não precisa não. O caso todo é bem simples: o bordado é inútil mesmo.
Sunday, June 25, 2006
Era uma vez um imortal
Era uma vez um espírito imortal, encarnado, desencarnado, encarnado de novo, desencarnado novamente, encarnado outra vez e ciente disso tudo.
Era uma vez um tal conde de San German, encarnado, lá pelas tantas, no século XVIII. Ele tinha um único propósito: buscar a imortalidade. Jura ter encontrado, o que atesta a sua morte, em 1784: era preciso despedir-se da identidade atual (leia-se desencarnar) para assumir nova identidade (isto é, encarnar de novo) e, assim, ser imortal.
Mas não era bem isso que San German queria. O propósito era mesmo continuar encarnado indefinidamente, mas com identidades distintas. Ao abandonar a identidade "San German" desencarnando, ele deixou um recadinho para animar os amigos: "Adeus meus amigos. Retiro-me para o Himalaia. Retornarei como das outras vezes, dentro de oitenta e cinco anos".
Pesquise a biografia do conde e descobrirá que muita gente levou esse recado a sério. Os caríssimos amigos (que não sobreviveram nem aos primeiros oitenta anos) juram que ele voltou. As gerações seguintes confirmam o retorno do imortal. E atestam que a cada oitenta e cinco anos ele visita o Himalaia, embora ninguém tenha vivido o suficiente para ver.
Era uma vez um tal conde de San German, encarnado, lá pelas tantas, no século XVIII. Ele tinha um único propósito: buscar a imortalidade. Jura ter encontrado, o que atesta a sua morte, em 1784: era preciso despedir-se da identidade atual (leia-se desencarnar) para assumir nova identidade (isto é, encarnar de novo) e, assim, ser imortal.
Mas não era bem isso que San German queria. O propósito era mesmo continuar encarnado indefinidamente, mas com identidades distintas. Ao abandonar a identidade "San German" desencarnando, ele deixou um recadinho para animar os amigos: "Adeus meus amigos. Retiro-me para o Himalaia. Retornarei como das outras vezes, dentro de oitenta e cinco anos".
Pesquise a biografia do conde e descobrirá que muita gente levou esse recado a sério. Os caríssimos amigos (que não sobreviveram nem aos primeiros oitenta anos) juram que ele voltou. As gerações seguintes confirmam o retorno do imortal. E atestam que a cada oitenta e cinco anos ele visita o Himalaia, embora ninguém tenha vivido o suficiente para ver.
Friday, June 23, 2006
Sem copyright
Você já se perguntou quem teria inventado a batata frita? Não? Pois eu, sim. O inventor da batata frita é um tal Antoine Augustin Parmentier (1737-1813), um químico francês. A batata, ainda pouco conhecida, foi servida por Parmentier fatiada e frita em um jantar em homenagem a ninguém menos que Benjamin Franklin, em 1772. Seu propósito era atrair a atenção de Luis XVI e Maria Antonieta e convencê-los das vantagens do consumo do tubérculo. Foi tão bem sucedido que, quando da morte dos soberanos, a batata já havia conquistado a França.
Tuesday, June 20, 2006
Como escrever um livro que ninguém vai ler
Você pode pensar que é fácil escrever um livro que ninguém queira ler, mas não é. Sempre há um parente que se sente uma boa pessoa por apoiar você. Mesmo que não leia, vai comprar seu livro. Escrever para ninguém, absolutamente ninguém, é realmente alguma coisa.
Um tal Mark Stevens realizou essa façanha, ao menos na tradução em português. Claro, trata-se de um destes livros de auto-ajuda que os psicólogos adoram escrever, mas verdade seja dita: este é especial.
Confira clicando no título deste post onde você pode adquirir a obra Como não ser um mala! (com o detalhe da exclamação, claro!!!)
Se você não for ou não se sentir um mala (o que quer que isso seja), vai comprar e LER o tal livro-solução para um problema inexistente?
Certo, você é um mala e não sabe disso. Vai comprar o livro por via das dúvidas?
Ah, sim, você é um mala e sabe disso (coisa estranha, mas tudo bem, é só uma hipótese). Neste caso, se comprar o livro e LER, é porque deseja mudar, certo? Mas, se quiser mudar, então não é tão mala assim, né? E, se não é tão mala assim, precisa mesmo ler um livro que vai te ensinar a não ser o que você não é?
Que coisa estranha.
Seria melhor mudar o título para "Como ser um mala", né não?
Um tal Mark Stevens realizou essa façanha, ao menos na tradução em português. Claro, trata-se de um destes livros de auto-ajuda que os psicólogos adoram escrever, mas verdade seja dita: este é especial.
Confira clicando no título deste post onde você pode adquirir a obra Como não ser um mala! (com o detalhe da exclamação, claro!!!)
Se você não for ou não se sentir um mala (o que quer que isso seja), vai comprar e LER o tal livro-solução para um problema inexistente?
Certo, você é um mala e não sabe disso. Vai comprar o livro por via das dúvidas?
Ah, sim, você é um mala e sabe disso (coisa estranha, mas tudo bem, é só uma hipótese). Neste caso, se comprar o livro e LER, é porque deseja mudar, certo? Mas, se quiser mudar, então não é tão mala assim, né? E, se não é tão mala assim, precisa mesmo ler um livro que vai te ensinar a não ser o que você não é?
Que coisa estranha.
Seria melhor mudar o título para "Como ser um mala", né não?
Sunday, June 18, 2006
Santos e incorruptíveis
Quem nunca acreditou em santos e em milagres, que atire a primeira pedra.
Quem sempre achou que é só uma questão de tempo para que a ciência explique todos os milagres, não precisa fazer nada; basta esperar.
A ciência já está desvendando mais um suposto milagre: o dos corpos incorruptíveis.
Os corpo de algumas pessoas consideradas "santas" em vida parecem resistir à decomposição. Alguns, é óbvio, receberam a preciosa ajuda dos vivos para que o milagre pudesse acontecer. Outros foram enterrados em lugares muito secos, o que tornou o processo de decomposição bastante lento (caso de São João Maria Batista Vianney). Outros se mantiveram "incorruptíveis" por terem sido enterrados em capelas sobre a neve (caso de São Felipe Neri) e outros, ainda, simplesmente passaram por um processo chamado pelos cientistas de "saponificação": os tecidos do corpo transformaram-se em sabão por debaixo da pele endurecida, por terem sido enterrados em lugar úmido. Este seria o caso de Santa Rita de Cássia.
Mas a coisa não pára por aí. Há também os ex-incorruptíveis: aqueles que, ao serem exumados vários anos depois da morte (caso do corpo de Eduardo O Confessor) foram encontrados em bom estado de conservação e, com o contato com o ar, iniciou-se rapidamente o processo de decomposição. De qualquer forma, para os fiéis o que importante é que Eduardo O Confessor estava ainda "inteiro" 36 anos após sua morte. Coisa de santo.
Quem sempre achou que é só uma questão de tempo para que a ciência explique todos os milagres, não precisa fazer nada; basta esperar.
A ciência já está desvendando mais um suposto milagre: o dos corpos incorruptíveis.
Os corpo de algumas pessoas consideradas "santas" em vida parecem resistir à decomposição. Alguns, é óbvio, receberam a preciosa ajuda dos vivos para que o milagre pudesse acontecer. Outros foram enterrados em lugares muito secos, o que tornou o processo de decomposição bastante lento (caso de São João Maria Batista Vianney). Outros se mantiveram "incorruptíveis" por terem sido enterrados em capelas sobre a neve (caso de São Felipe Neri) e outros, ainda, simplesmente passaram por um processo chamado pelos cientistas de "saponificação": os tecidos do corpo transformaram-se em sabão por debaixo da pele endurecida, por terem sido enterrados em lugar úmido. Este seria o caso de Santa Rita de Cássia.
Mas a coisa não pára por aí. Há também os ex-incorruptíveis: aqueles que, ao serem exumados vários anos depois da morte (caso do corpo de Eduardo O Confessor) foram encontrados em bom estado de conservação e, com o contato com o ar, iniciou-se rapidamente o processo de decomposição. De qualquer forma, para os fiéis o que importante é que Eduardo O Confessor estava ainda "inteiro" 36 anos após sua morte. Coisa de santo.
Saturday, June 17, 2006
Competências muitíssimo pessoais
Quais seriam as competências pessoais mínimas para que uma prostituta possa exercer bem sua profissão e, digamos, se destacar no mercado?
Você pode não saber, mas o Ministério do Trabalho sabe. O "profissional do sexo" faz parte de uma categoria funcional e consta da Classificação Brasileira de Ocupações.
Eis as competências pessoais:
1 Demonstrar capacidade de persuasão
2 Demonstrar capacidade de expressão gestual
3 Demonstrar capacidade de realizar fantasias eróticas
4 Agir com honestidade
5 Demonstrar paciência
6 Planejar o futuro
7 Prestar solidariedade aos companheiros
8 Ouvir atentamente (saber ouvir)
9 Demonstrar capacidade lúdica
10 Respeitar o silêncio do cliente
11 Demonstrar capacidade de comunicação em língua estrangeira
12 Demonstrar ética profissional
13 Manter sigilo profissional
14 Respeitar código de não cortejar companheiros de colegas de trabalho
15 Proporcionar prazer
16 Cuidar da higiene pessoal
17 Conquistar o cliente
18 Demonstrar sensualidade
Certo. Só não entendi porque é necessário saber planejar o futuro e demonstrar capacidade de se comunicar em língua estrangeira.
Duvida, né? Então acesse o site clicando no título deste post.
Aproveite para checar também os itens "Tabelas de Atividades" e "Formação e Experiência". Hilários.
Só falta o governo exigir uma formação mínima para o exercício da profissão.
Você pode não saber, mas o Ministério do Trabalho sabe. O "profissional do sexo" faz parte de uma categoria funcional e consta da Classificação Brasileira de Ocupações.
Eis as competências pessoais:
1 Demonstrar capacidade de persuasão
2 Demonstrar capacidade de expressão gestual
3 Demonstrar capacidade de realizar fantasias eróticas
4 Agir com honestidade
5 Demonstrar paciência
6 Planejar o futuro
7 Prestar solidariedade aos companheiros
8 Ouvir atentamente (saber ouvir)
9 Demonstrar capacidade lúdica
10 Respeitar o silêncio do cliente
11 Demonstrar capacidade de comunicação em língua estrangeira
12 Demonstrar ética profissional
13 Manter sigilo profissional
14 Respeitar código de não cortejar companheiros de colegas de trabalho
15 Proporcionar prazer
16 Cuidar da higiene pessoal
17 Conquistar o cliente
18 Demonstrar sensualidade
Certo. Só não entendi porque é necessário saber planejar o futuro e demonstrar capacidade de se comunicar em língua estrangeira.
Duvida, né? Então acesse o site clicando no título deste post.
Aproveite para checar também os itens "Tabelas de Atividades" e "Formação e Experiência". Hilários.
Só falta o governo exigir uma formação mínima para o exercício da profissão.
Thursday, June 15, 2006
Corpus aristotelicum
No século III de nossa era o biógrafo Diógenes Laércio fez um levantamento das obras de Aristóteles. A relação não é exata. É possível que algumas referências sejam, na verdade, apenas parte de uma obra maior. Faltam a metafísica (catorze livros) e a Ética a Nîcômaco (dez livros), e algumas obras citadas possivelmente são apócrifas ou escritas por discípulos.
Em todo caso, a listagem a seguir baseia-se em documentos ainda existentes no século III (já que o acesso direto às obras não era possível) e nos dá uma boa idéia da genialidade de Aristóteles.
— Da Justiça, quatro Livros;
— Dos Poetas, três Livros;
— Da Filosofia, três Livros;
— Do Político, dois Livros;
— Da Retórica ou Grylos, um Livro;
— Nerinto, um Livro;
— Sofista, um Livro;
— Menêxeno, um Livro;
— Erótico, um Livro;
— Banquete, um Livro;
— Da Riqueza, um Livro;
— Protréptico, um Livro;
— Da Alma, um Livro;
— Da Prece, um Livro;
— Do Bom Nascimento, um Livro;
— Do Prazer, um Livro;
— Alexandre, ou Da Colonização, um Livro;
— Da Realeza, um Livro;
— Da Educação, um Livro;
— Do Bem, três Livros;
— Excertos de As Leis de Platão, três Livros;
— Excertos da República de Platão, dois Livros;
— Economia, um Livro;
— Da Amizade, um Livro;
— Do ser afetado ou ter sido afetado, um Livro;
— Das Ciências, dois Livros;
— Da Erística, dois Livros;
— Soluções Erísticas, quatro Livros;
— Cisões Sofísticas, quatro Livros;
— Dos Contrários, um Livro;
— Dos Gêneros e Espécies, um Livro;
— Das Propriedades, um Livro;
— Notas sobre os Argumentos, três Livros;
— Proposições sobre a Excelência, três Livros;
— Objeções, um Livro;
— Das coisas faladas de várias formas ou por acréscimo, um Livro;
— Dos Sentimentos ou Do Ódio, um Livro;
— Ética, cinco Livros;
— Dos Elementos, três Livros;
— Do Conhecimento, um Livro;
— Dos Princípios, um Livro;
— Divisões, dezesseis Livros;
— Divisão, um Livro;
— Da Questão e Resposta, dois Livros;
— Do Movimento, dois Livros;
— Proposições, um Livro;
— Proposições Erísticas, quatro Livros;
— Deduções, um Livro;
— Analíticos Anteriores, nove Livros;
— Analíticos Posteriores, dois Livros;
— Problemas, um Livro;
— Metódica, oito Livros;
— Do mais excelente, um Livro;
— Da Idéia, um Livro;
— Definições Anteriores aos Tópicos, um Livro;
— Tópicos, sete Livros;
— Deduções, dois Livros;
— Deduções e Definições, um Livro;
— Do Desejável e Dos Acidentes, um Livro;
— Pré-tópicos, um Livro;
— Tópicos voltados para Definições, dois Livros;
— Sensações, um Livro;
— Divisão, um Livro;
— Matemáticas, um Livro;
— Definições, treze Livros;
— Argumentos, dois Livros;
— Do Prazer, um Livro;
— Do Voluntário, um Livro;
— Do Nobre, um Livro;
— Teses Argumentativas, vinte e cinco Livros;
— Teses sobre o Amor, quatro Livros;
— Teses sobre a Amizade, dois Livros;
— Teses sobre a Alma, um Livro;
— Política, dois Livros;
— Palestras sobre Política (como as de Teofrasto), oito Livros;
— Dos Atos Justos, dois Livros;
— Coleção de Artes, dois Livros
— Arte da Retórica, dois Livros;
— Arte, um Livro;
— Arte (uma outra obra), dois Livros;
— Metódica, um Livro;
— Coleção da Arte de Teodectes, um Livro;
— Tratado sobre a Arte da Poesia, dois Livros;
— Entímemas Retóricos, um Livro;
— Da Magnitude, um Livro;
— Divisões de Entímemas, um Livro;
— Da Dicção, dois Livros;
— Dos Conselhos, um Livro;
— Coleção, dois Livros;
— Da Natureza, três Livros;
— Natureza, um Livro;
— Da Filosofia de Árquitas, três Livros;
— Da Filosofia de Espeusipo e Xenócrates, um Livro;
— Excertos do Timeu e dos Trabalhos de Árquitas, um Livro;
— Contra Melisso, um Livro;
— Contra Alcmeon, um Livro;
— Contra os Pitagóricos, um Livro;
— Contra Górgias, um Livro;
— Contra Xenófanes, um Livro;
— Contra Zenão, um Livro;
— Dos Pitagóricos, um Livro;
— Dos Animais, nove Livros;
— Dissecações, oito Livros;
— Seleção de Dissecações, um Livro;
— Dos Animais Complexos, um Livro;
— Dos Animais Mitológicos, um Livro;
— Da Esterilidade, um Livro;
— Das Plantas, dois Livros;
— Fisiognomonia, um Livro;
— Medicina, dois Livros;
— Das Unidades, um Livro;
— Sinais de Tempestade, um Livro;
— Astronomia, um Livro;
— Ótica, um Livro;
— Do Movimento, um Livro;
— Da Música, um Livro;
— Memória, um Livro;
— Problemas Homéricos, seis Livros;
— Poética, um Livro;
— Física (por ordem alfabética), trinta e oito Livros;
— Problemas Adicionais, dois Livros;
— Problemas Padrões, dois Livros;
— Mecânica, um Livro;
— Problemas de Demócrito, dois Livros;
— Do Magneto, um Livro;
— Conjunções dos Astros, um Livro;
— Miscelânea, doze Livros;
— Explicações (ordenadas por assunto), catorze Livros;
— Afirmações, um Livro;
— Vencedores Olímpicos, um Livro;
— Vencedores Pítios na Música, um Livro;
— Sobre Píton, um Livro;
— Listas dos Vencedores Pítios, um Livro;
— Vitórias em Dionísia, um Livro;
— Das Tragédias, um Livro;
— Didascálias, um Livro;
— Provérbios, um Livro;
— Regras para os Repastos em Comum, um Livro;
— Leis, quatro Livros;
— Categorias, um Livro;
— Da Interpretação, um Livro;
— Constituições de 158 Estados (ordenadas por tipo: democráticas, oligárquicas, tirânicas, aristocráticas);
— Cartas a Felipe;
— Cartas sobre os Selimbrianos;
— Cartas a Alexandre (4), a Antipater (9), a Mentor (1), a Aríston (1), a Olímpias (1), a Hefaístion (1), a Temistágoras (1), a Filoxeno (1), a Demócrito (1);
— Poemas;
— Elegias.
Vidas e Obras de Filósofos Ilustres, V, I, 22.
Em todo caso, a listagem a seguir baseia-se em documentos ainda existentes no século III (já que o acesso direto às obras não era possível) e nos dá uma boa idéia da genialidade de Aristóteles.
— Da Justiça, quatro Livros;
— Dos Poetas, três Livros;
— Da Filosofia, três Livros;
— Do Político, dois Livros;
— Da Retórica ou Grylos, um Livro;
— Nerinto, um Livro;
— Sofista, um Livro;
— Menêxeno, um Livro;
— Erótico, um Livro;
— Banquete, um Livro;
— Da Riqueza, um Livro;
— Protréptico, um Livro;
— Da Alma, um Livro;
— Da Prece, um Livro;
— Do Bom Nascimento, um Livro;
— Do Prazer, um Livro;
— Alexandre, ou Da Colonização, um Livro;
— Da Realeza, um Livro;
— Da Educação, um Livro;
— Do Bem, três Livros;
— Excertos de As Leis de Platão, três Livros;
— Excertos da República de Platão, dois Livros;
— Economia, um Livro;
— Da Amizade, um Livro;
— Do ser afetado ou ter sido afetado, um Livro;
— Das Ciências, dois Livros;
— Da Erística, dois Livros;
— Soluções Erísticas, quatro Livros;
— Cisões Sofísticas, quatro Livros;
— Dos Contrários, um Livro;
— Dos Gêneros e Espécies, um Livro;
— Das Propriedades, um Livro;
— Notas sobre os Argumentos, três Livros;
— Proposições sobre a Excelência, três Livros;
— Objeções, um Livro;
— Das coisas faladas de várias formas ou por acréscimo, um Livro;
— Dos Sentimentos ou Do Ódio, um Livro;
— Ética, cinco Livros;
— Dos Elementos, três Livros;
— Do Conhecimento, um Livro;
— Dos Princípios, um Livro;
— Divisões, dezesseis Livros;
— Divisão, um Livro;
— Da Questão e Resposta, dois Livros;
— Do Movimento, dois Livros;
— Proposições, um Livro;
— Proposições Erísticas, quatro Livros;
— Deduções, um Livro;
— Analíticos Anteriores, nove Livros;
— Analíticos Posteriores, dois Livros;
— Problemas, um Livro;
— Metódica, oito Livros;
— Do mais excelente, um Livro;
— Da Idéia, um Livro;
— Definições Anteriores aos Tópicos, um Livro;
— Tópicos, sete Livros;
— Deduções, dois Livros;
— Deduções e Definições, um Livro;
— Do Desejável e Dos Acidentes, um Livro;
— Pré-tópicos, um Livro;
— Tópicos voltados para Definições, dois Livros;
— Sensações, um Livro;
— Divisão, um Livro;
— Matemáticas, um Livro;
— Definições, treze Livros;
— Argumentos, dois Livros;
— Do Prazer, um Livro;
— Do Voluntário, um Livro;
— Do Nobre, um Livro;
— Teses Argumentativas, vinte e cinco Livros;
— Teses sobre o Amor, quatro Livros;
— Teses sobre a Amizade, dois Livros;
— Teses sobre a Alma, um Livro;
— Política, dois Livros;
— Palestras sobre Política (como as de Teofrasto), oito Livros;
— Dos Atos Justos, dois Livros;
— Coleção de Artes, dois Livros
— Arte da Retórica, dois Livros;
— Arte, um Livro;
— Arte (uma outra obra), dois Livros;
— Metódica, um Livro;
— Coleção da Arte de Teodectes, um Livro;
— Tratado sobre a Arte da Poesia, dois Livros;
— Entímemas Retóricos, um Livro;
— Da Magnitude, um Livro;
— Divisões de Entímemas, um Livro;
— Da Dicção, dois Livros;
— Dos Conselhos, um Livro;
— Coleção, dois Livros;
— Da Natureza, três Livros;
— Natureza, um Livro;
— Da Filosofia de Árquitas, três Livros;
— Da Filosofia de Espeusipo e Xenócrates, um Livro;
— Excertos do Timeu e dos Trabalhos de Árquitas, um Livro;
— Contra Melisso, um Livro;
— Contra Alcmeon, um Livro;
— Contra os Pitagóricos, um Livro;
— Contra Górgias, um Livro;
— Contra Xenófanes, um Livro;
— Contra Zenão, um Livro;
— Dos Pitagóricos, um Livro;
— Dos Animais, nove Livros;
— Dissecações, oito Livros;
— Seleção de Dissecações, um Livro;
— Dos Animais Complexos, um Livro;
— Dos Animais Mitológicos, um Livro;
— Da Esterilidade, um Livro;
— Das Plantas, dois Livros;
— Fisiognomonia, um Livro;
— Medicina, dois Livros;
— Das Unidades, um Livro;
— Sinais de Tempestade, um Livro;
— Astronomia, um Livro;
— Ótica, um Livro;
— Do Movimento, um Livro;
— Da Música, um Livro;
— Memória, um Livro;
— Problemas Homéricos, seis Livros;
— Poética, um Livro;
— Física (por ordem alfabética), trinta e oito Livros;
— Problemas Adicionais, dois Livros;
— Problemas Padrões, dois Livros;
— Mecânica, um Livro;
— Problemas de Demócrito, dois Livros;
— Do Magneto, um Livro;
— Conjunções dos Astros, um Livro;
— Miscelânea, doze Livros;
— Explicações (ordenadas por assunto), catorze Livros;
— Afirmações, um Livro;
— Vencedores Olímpicos, um Livro;
— Vencedores Pítios na Música, um Livro;
— Sobre Píton, um Livro;
— Listas dos Vencedores Pítios, um Livro;
— Vitórias em Dionísia, um Livro;
— Das Tragédias, um Livro;
— Didascálias, um Livro;
— Provérbios, um Livro;
— Regras para os Repastos em Comum, um Livro;
— Leis, quatro Livros;
— Categorias, um Livro;
— Da Interpretação, um Livro;
— Constituições de 158 Estados (ordenadas por tipo: democráticas, oligárquicas, tirânicas, aristocráticas);
— Cartas a Felipe;
— Cartas sobre os Selimbrianos;
— Cartas a Alexandre (4), a Antipater (9), a Mentor (1), a Aríston (1), a Olímpias (1), a Hefaístion (1), a Temistágoras (1), a Filoxeno (1), a Demócrito (1);
— Poemas;
— Elegias.
Vidas e Obras de Filósofos Ilustres, V, I, 22.
Saturday, June 10, 2006
Aversão à precisão
Já dizia Aristóteles:
"Alguns indivíduos exigem precisão em tudo, enquanto outros sentem-se entediados com ela, seja porque não são capazes de acompanhar os raciocínios, seja porque os julga triviais ou tacanhos, uma vez que há alguma coisa em torno da precisão que se afigura a algumas pessoas como sendo mesquinha, tanto numa argumentação quanto numa transação comercial".
Metafísica II, 3, 10.
"Alguns indivíduos exigem precisão em tudo, enquanto outros sentem-se entediados com ela, seja porque não são capazes de acompanhar os raciocínios, seja porque os julga triviais ou tacanhos, uma vez que há alguma coisa em torno da precisão que se afigura a algumas pessoas como sendo mesquinha, tanto numa argumentação quanto numa transação comercial".
Metafísica II, 3, 10.
Thursday, June 08, 2006
Futebol filosófico
Já imaginou uma partida de futebol filosófica? Nem precisa. Veja o video, clicando no título deste post. Divertido.
Tuesday, June 06, 2006
Falta do que fazer (2): Nobreza
Parece piada, mas é sério: os nobres da Idade Média ingeriam pequenas doses de arsênico todos os dias para deixar os cabelos brancos. É isso mesmo. Eles descobriram que uma pequena quantidade de arsênico todos os dias torna o corpo mais resistente ao veneno. O efeito colateral é que os cabelos ficam inteiramente brancos. Como a nobreza é quem dita a moda, os cabelos brancos passaram a ser um dos sinais da aristocracia. É por isso, aliás, que os juízes passaram a usar perucas brancas durante os procedimentos do tribunal: indica que pertencem a uma classe privilegiada.
Sunday, June 04, 2006
Testamento de Aristóteles
E não é que Aristóteles escreveu um testamento? Eis aí, na íntegra, o que Diógenes Laércio, que viveu no século I de nossa era, jura ter tido em mãos:
"Que tudo esteja bem; entretanto, se algo acontecer, Aristóteles adotou as seguintes disposições extremas. (12) Antípatros é o testamenteiro em todos os assuntos e em geral; até a chegada de Nicânor, todavia, Aristomenes, Tímarcos, Diotelés e (se ele consentir e as circunstâncias permitirem) Teôfrastos, encarregar-se-ão tanto de Herpilis e das crianças como da herança. Quando a menina estiver na idade própria será dada em casamento a Nicânor; mas, se algo acontecer à menina (que Deus não queira, nem aconteça) antes do casamento, ou quando já estiver casada, porém antes de ter filhos, Nicánor terá plenos poderes, seja em relação às crianças, seja em relação a tudo mais, para administrar de maneira digna dele e de nós. Nicânor se encarregará da menina e do menino Nicômacos como parecer conveniente em tudo que lhes diz respeito, como se ele fosse o irmão. Se algo acontecer a Nicânor (que Deus não queira!) antes do casamento da menina, ou quando ela estiver casada, porém antes de ter filhos, terão pleno valor as suas disposições. (13) Se Teôfrastos quiser conviver com ela, terá os mesmos direitos de Nicânor. Se assim não for, os testamenteiros, de acordo com Antípatros, adotarão a respeito da filha e do menino as medidas que lhes parecerem melhores. Os testamenteiros e Nicânor, pensando em mim e na grande afeição que Herpilis me dedicou, cuidarão dela sob todos os aspectos e, se quiser casar-se, esforçar-se-ão para que não lhe seja dado um marido indigno de nós; e além do que ela já recebeu dar-lhe-ão um talento de prata tirado da herança, e três servas à sua escolha, além da que ela já tem e do servo Pirraios; (14) e se ela preferir permanecer em Calcis dar-lhe-ão o alojamento destinado aos hóspedes junto ao jardim, mas se preferir Stágeira, a casa de meu pai. Qualquer que seja a sua preferência entre as duas moradias, os testamenteiros as guarnecerão com móveis que lhes pareçam apropriados e como aprouverem a Herpilis. Nicânor se encarregará do menino Mirmex, para que seja reconduzido aos seus de maneira digna de nós, com todos os seus bens que recebemos. Ambracis ganhará liberdade, e por ocasião do casamento de minha filha receberá quinhentos dracmas e a serva que tem agora. A Talé serão dados, além da serva que ela já tem e que foi comprada, mil dracmas e uma serva. (15) E Simon, além da quantia dada anteriormente para aquisição de outro servo, terá um servo comprado para ele ou receberá uma quantia adicional de dinheiro. E Tícon, Filon, Olímpios e seu filho ganharão a liberdade quando minha filha se casar. Nenhum dos servos que cuidaram de mim será vendido, e todos continuarão a ser empregados; quando chegarem à idade própria terão a sua liberdade, se a merecerem. Meus testamenteiros cuidarão de que, quando estiverem prontas as estátuas encomendadas a Grilos, sejam as mesmas postas nos respectivos lugares, a de Nicânor, a de Prôxenos, que era minha intenção ver terminadas, e a da mãe de Nicânor; (16) a de Arímnestos, já pronta, deve ser colocada em seu lugar, para perpetuar-lhe a memória, porquanto ele morreu sem deixar filhos; a de nossa mãe deve ser dedicada a Deméter em Nemea, ou onde acharem melhor. E onde quer que me sepultem, ponham no mesmo lugar os ossos de Pitiás depois de havê-los recolhido, de acordo com suas próprias instruções. E para comemorar o regresso de Nicânor são e salvo, como prometi em seu nome, devem ser dedicadas em Stágeira estátuas de pedra em tamanho natural a Zeus Salvador e a Atena salvadora.”
Diógenes Laércio, Vidas e Doutrinas de Filósofos Ilustres V, I.
"Que tudo esteja bem; entretanto, se algo acontecer, Aristóteles adotou as seguintes disposições extremas. (12) Antípatros é o testamenteiro em todos os assuntos e em geral; até a chegada de Nicânor, todavia, Aristomenes, Tímarcos, Diotelés e (se ele consentir e as circunstâncias permitirem) Teôfrastos, encarregar-se-ão tanto de Herpilis e das crianças como da herança. Quando a menina estiver na idade própria será dada em casamento a Nicânor; mas, se algo acontecer à menina (que Deus não queira, nem aconteça) antes do casamento, ou quando já estiver casada, porém antes de ter filhos, Nicánor terá plenos poderes, seja em relação às crianças, seja em relação a tudo mais, para administrar de maneira digna dele e de nós. Nicânor se encarregará da menina e do menino Nicômacos como parecer conveniente em tudo que lhes diz respeito, como se ele fosse o irmão. Se algo acontecer a Nicânor (que Deus não queira!) antes do casamento da menina, ou quando ela estiver casada, porém antes de ter filhos, terão pleno valor as suas disposições. (13) Se Teôfrastos quiser conviver com ela, terá os mesmos direitos de Nicânor. Se assim não for, os testamenteiros, de acordo com Antípatros, adotarão a respeito da filha e do menino as medidas que lhes parecerem melhores. Os testamenteiros e Nicânor, pensando em mim e na grande afeição que Herpilis me dedicou, cuidarão dela sob todos os aspectos e, se quiser casar-se, esforçar-se-ão para que não lhe seja dado um marido indigno de nós; e além do que ela já recebeu dar-lhe-ão um talento de prata tirado da herança, e três servas à sua escolha, além da que ela já tem e do servo Pirraios; (14) e se ela preferir permanecer em Calcis dar-lhe-ão o alojamento destinado aos hóspedes junto ao jardim, mas se preferir Stágeira, a casa de meu pai. Qualquer que seja a sua preferência entre as duas moradias, os testamenteiros as guarnecerão com móveis que lhes pareçam apropriados e como aprouverem a Herpilis. Nicânor se encarregará do menino Mirmex, para que seja reconduzido aos seus de maneira digna de nós, com todos os seus bens que recebemos. Ambracis ganhará liberdade, e por ocasião do casamento de minha filha receberá quinhentos dracmas e a serva que tem agora. A Talé serão dados, além da serva que ela já tem e que foi comprada, mil dracmas e uma serva. (15) E Simon, além da quantia dada anteriormente para aquisição de outro servo, terá um servo comprado para ele ou receberá uma quantia adicional de dinheiro. E Tícon, Filon, Olímpios e seu filho ganharão a liberdade quando minha filha se casar. Nenhum dos servos que cuidaram de mim será vendido, e todos continuarão a ser empregados; quando chegarem à idade própria terão a sua liberdade, se a merecerem. Meus testamenteiros cuidarão de que, quando estiverem prontas as estátuas encomendadas a Grilos, sejam as mesmas postas nos respectivos lugares, a de Nicânor, a de Prôxenos, que era minha intenção ver terminadas, e a da mãe de Nicânor; (16) a de Arímnestos, já pronta, deve ser colocada em seu lugar, para perpetuar-lhe a memória, porquanto ele morreu sem deixar filhos; a de nossa mãe deve ser dedicada a Deméter em Nemea, ou onde acharem melhor. E onde quer que me sepultem, ponham no mesmo lugar os ossos de Pitiás depois de havê-los recolhido, de acordo com suas próprias instruções. E para comemorar o regresso de Nicânor são e salvo, como prometi em seu nome, devem ser dedicadas em Stágeira estátuas de pedra em tamanho natural a Zeus Salvador e a Atena salvadora.”
Diógenes Laércio, Vidas e Doutrinas de Filósofos Ilustres V, I.
Friday, June 02, 2006
Nefelibata (10): Nimbostratus
As nuvens nimbostratus, responsáveis pela chuva, formam uma camada cinza no céu. O nativo desta nuvem é criativo e empreendedor, mas adota frequentemente uma atitude severa, crítica, revolucionária e belicosa. Na superfície os nimbostratus são frios e reservados mas, quando os conhecemos melhor, descobrimos que são ainda mais frios e reservados, o que faz com que todos se afastem quando eles se aproximam. Ainda assim, há quem goste de nimbostratus. Profissionalmente, podem ser bem sucedidos em esportes radicais, de preferência relacionados com a água.
Conselhos: tente adotar uma atitude mais calma e positiva diante da vida, nimbostratus.
Planeta: Mercúrio
Pedra: Granizo
Conselhos: tente adotar uma atitude mais calma e positiva diante da vida, nimbostratus.
Planeta: Mercúrio
Pedra: Granizo
Thursday, June 01, 2006
Coisa de grego (4): Paidagogos
Marilena Chauí andou dizendo por aí que, quando o Lula abre a boca, o mundo fica iluminado.
Lembrei de algo que li: na Grécia Antiga, um escravo era encarregado de conduzir a criança da casa até a palestra, o local de estudo. O escravo (o pedagogo - junção de paidion, criança, com agogé, conduzir) carregava sempre uma lamparina para iluminar o caminho. O escravo-pedagogo era, originalmente, designado para essa função por não ter uma constituição física recomendável para trabalhos que exigiam maior esforço.
O ato de iluminar o caminho ao conduzir a criança até o local de estudo transformou-se na metáfora de que o saber ilumina.
Certamente não era a isso que Marilena Chauí se referia, mas o que teria ela querido dizer?
Non compreendo non.
Lembrei de algo que li: na Grécia Antiga, um escravo era encarregado de conduzir a criança da casa até a palestra, o local de estudo. O escravo (o pedagogo - junção de paidion, criança, com agogé, conduzir) carregava sempre uma lamparina para iluminar o caminho. O escravo-pedagogo era, originalmente, designado para essa função por não ter uma constituição física recomendável para trabalhos que exigiam maior esforço.
O ato de iluminar o caminho ao conduzir a criança até o local de estudo transformou-se na metáfora de que o saber ilumina.
Certamente não era a isso que Marilena Chauí se referia, mas o que teria ela querido dizer?
Non compreendo non.
Tuesday, May 30, 2006
Falta do que fazer (1): Realeza
Todos os que faziam parte da corte de Luis XIV cultivavam um mesmo hábito: deixar crescer a unha do dedo mindinho da mão esquerda.
Talento musical? Ritual de iniciação?
Nada disso.
A razão era bastante prosaica: não contrariar o rei.
É que Luis XIV não gostava que batessem à porta quando precisavam falar com ele. O interessado só tinha permissão para arranhar a porta.
Haja realeza!
Talento musical? Ritual de iniciação?
Nada disso.
A razão era bastante prosaica: não contrariar o rei.
É que Luis XIV não gostava que batessem à porta quando precisavam falar com ele. O interessado só tinha permissão para arranhar a porta.
Haja realeza!
Sunday, May 28, 2006
Baudrillard sobre Matrix
É uma produção divertida, repleta de efeitos especiais, só que muito metafórica. Os irmãos Wachowski são bons no que fazem. Keanu Reeves também tem me citado em muitas ocasiões, só que eu não tenho certeza de que ele captou meu pensamento. O fato, porém, é que Matrix faz uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade. Os diretores se basearam em meu livro Simulacros e Simulação, mas não o entenderam. Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente. Nos dois filmes, minhas idéias estão mais bem aplicadas. Os Wachowskis me chamaram para prestar uma assessoria filosófica para Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, mas não aceitei o convite. Como poderia? Não tenho nada a ver com kung fu. Meu trabalho é discutir idéias em ambientes apropriados para essa atividade.
Jean Baudrillard, em entrevista à revista Época.
Jean Baudrillard, em entrevista à revista Época.
Saturday, May 27, 2006
Baudrillard sobre pós-modernidade
A noção de pós-modernidade não passa de uma forma irresponsável de abordagem pseudocientífica dos fenômenos. Trata-se de um sistema de interpretações a partir de uma palavra com crédito ilimitado, que pode ser aplicada a qualquer coisa. Seria piada chamá-la de conceito teórico.
Jean Baudrillard, em entrevista à Revista Época.
Jean Baudrillard, em entrevista à Revista Época.
Friday, May 26, 2006
Os filósofos e a felicidade (5): Virtude inata
"...há coisas cuja ausência empana a felicidade, como a nobreza de nascimento, uma boa descendência, a beleza. Com efeito, o homem de muito feia aparência, ou mal-nascido, ou solitário e sem filhos, não tem muitas probabilidades de ser feliz, e talvez tivesse menos ainda se seus filhos ou amigos fossem visceralmente maus e se a morte lhe houvesse roubado bons filhos ou bons amigos." [Aristóteles, Ética, I, 8, 1099b].
Em outras palavras: ou você nasce com condições suficientes para ser feliz, ou nada feito. Só os nobres podem ser felizes; só os belos podem ser felizes; só os pais são felizes (já dizia o filósofo Cazuza); só os casados são felizes.
Será o Benedito?
Em outras palavras: ou você nasce com condições suficientes para ser feliz, ou nada feito. Só os nobres podem ser felizes; só os belos podem ser felizes; só os pais são felizes (já dizia o filósofo Cazuza); só os casados são felizes.
Será o Benedito?
Wednesday, May 24, 2006
Os filósofos e a felicidade (4): Vida de gado
"Se a felicidade estivesse nos prazeres do corpo, diríamos felizes os bois quando encontram ervilha para comer".
Heráclito de Éfeso
Heráclito de Éfeso
Monday, May 22, 2006
Espírito de colecionador
Um dia imaginei que, se lesse 100 livros por ano, ao final de uma década eu saberia muita coisa.
Assim fiz: se um livro mais extenso (p. ex., David Copperfield, de Charles Dickens) me tomasse mais que três dias, o próximo deveria exigir um tempo menor (p. ex., O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway). O mais importante, na ocasião, era que ao final do ano eu conseguisse completar a lista de 100 livros lidos.
Passados alguns anos, descobri que é preferível a qualidade à quantidade, e que minha memória não era tão boa assim: eu já estava esquecendo parte do que lia, o que tornava o propósito de acumular conhecimento pela quantidade de livros lidos um tanto sem sentido. Então, diminui o ritmo de leitura e passei a decorar nomes de Faraós, relação de livros da Bíblia, nomes de países e suas capitais, vencedores do prêmio Nobel de Literatura, coisas assim.
Não posso dizer, em sã consciência, que tenha adquirido conhecimento, mas certamente passei a ter boa memória.
Assim fiz: se um livro mais extenso (p. ex., David Copperfield, de Charles Dickens) me tomasse mais que três dias, o próximo deveria exigir um tempo menor (p. ex., O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway). O mais importante, na ocasião, era que ao final do ano eu conseguisse completar a lista de 100 livros lidos.
Passados alguns anos, descobri que é preferível a qualidade à quantidade, e que minha memória não era tão boa assim: eu já estava esquecendo parte do que lia, o que tornava o propósito de acumular conhecimento pela quantidade de livros lidos um tanto sem sentido. Então, diminui o ritmo de leitura e passei a decorar nomes de Faraós, relação de livros da Bíblia, nomes de países e suas capitais, vencedores do prêmio Nobel de Literatura, coisas assim.
Não posso dizer, em sã consciência, que tenha adquirido conhecimento, mas certamente passei a ter boa memória.
Friday, May 19, 2006
Eles são humanos
Afinal de contas, não viemos dos macacos. Eles é que são homens naturais.
Assista ao vídeo "Dancem macacos, dancem" clicando no título. Vale a pena.
Assista ao vídeo "Dancem macacos, dancem" clicando no título. Vale a pena.
Wednesday, May 17, 2006
Afinidades nada eletivas
Descobri que eu e a seleção brasileira de futebol temos muito em comum: quando é preciso jogar, a gente até que tenta, mas não consegue. Quando não é preciso, aí então é que a gente joga.
Fazer o quê, né?
Fazer o quê, né?
Sunday, May 14, 2006
Nefelibata (9): Stratocumulus
As nuvens Stratocumulus formam uma camada cinzenta no céu, o que nos leva a concluir que os nativos desta nuvem sentem-se permanentemente insatisfeitos. Mas, ainda que anseiem por mudanças, os nefelibatas Stratocumulus não têm disposição suficiente para assumir compromissos, já que tendem a mudar de idéia com frequência e inclinam-se mais a aguardar os acontecimentos que a agir. Não obstante, têm boa disposição para as férias, as festas, os bares e quetais.
Dicas: Inovar para construir é a ordem do dia. Procure ler "Como resolver todos os meus problemas e continuar sendo feliz" para que possa vencer a preguiça, Stratocumulus.
Stratocumlus famosos: Bart Simpson, Cartman, Beavis, Brian de Palma.
Dicas: Inovar para construir é a ordem do dia. Procure ler "Como resolver todos os meus problemas e continuar sendo feliz" para que possa vencer a preguiça, Stratocumulus.
Stratocumlus famosos: Bart Simpson, Cartman, Beavis, Brian de Palma.
Thursday, May 11, 2006
Geografia do caráter
Relendo A Política, de Aristóteles, encontrei essa pérola:
Cada povo recebeu da natureza certas disposições e a diferença dos caracteres é facilmente reconhecível se observarmos os mais famosos Estados da Grécia e as diversas partes do mundo inteiro.
Os povos que habitam as regiões frias, principalmente da Europa, são pessoas corajosas, mas de pouca inteligência e poucos talentos. Vivem melhor em liberdade, pouco civilizados, de resto, e incapazes de governar seus vizinhos.
Os asiáticos são mais inteligentes e mais próprios para as artes, mas nem um pouco corajosos, e por isso mesmo são sujeitados por quase todos e estão sempre sob o domínio de algum senhor.
Situados entre as duas regiões, os gregos também participam de ambas. Em sua maioria, têm espírito e coragem; conseqüentemente conservam sua liberdade, e são muito civilizados. Poderiam mandar no mundo inteiro se formassem um só povo e tivessem um só governo. No entanto, eles têm entre si as mesmas diferenças acima mencionadas, não tendo alguns senão uma das duas qualidades e possuindo os outros a ambas numa justa proporção.
Então, resumindo: os gregos poderiam mandar no mundo todo porque, afinal de contas, estão situados geograficamente entre a Ásia e a Europa.
É isso mesmo?
Cada povo recebeu da natureza certas disposições e a diferença dos caracteres é facilmente reconhecível se observarmos os mais famosos Estados da Grécia e as diversas partes do mundo inteiro.
Os povos que habitam as regiões frias, principalmente da Europa, são pessoas corajosas, mas de pouca inteligência e poucos talentos. Vivem melhor em liberdade, pouco civilizados, de resto, e incapazes de governar seus vizinhos.
Os asiáticos são mais inteligentes e mais próprios para as artes, mas nem um pouco corajosos, e por isso mesmo são sujeitados por quase todos e estão sempre sob o domínio de algum senhor.
Situados entre as duas regiões, os gregos também participam de ambas. Em sua maioria, têm espírito e coragem; conseqüentemente conservam sua liberdade, e são muito civilizados. Poderiam mandar no mundo inteiro se formassem um só povo e tivessem um só governo. No entanto, eles têm entre si as mesmas diferenças acima mencionadas, não tendo alguns senão uma das duas qualidades e possuindo os outros a ambas numa justa proporção.
Então, resumindo: os gregos poderiam mandar no mundo todo porque, afinal de contas, estão situados geograficamente entre a Ásia e a Europa.
É isso mesmo?
Monday, May 08, 2006
Sinal dos tempos
Estou convencida de que as teorias catastróficas, as previsões de fim do mundo, as profecias apocalípticas são absolutamente verdadeiras: o mundo está mesmo chegando ao fim. O impensável aconteceu: estão fazendo propaganda de leite. Não é o fim da picada? Leite agora tem até jingle: "Viva com mais energia, beba leite todo dia". Imagine. Dez anos atrás isso só poderia ser piada, mas hoje é propaganda. Péssima, por sinal.
Sunday, May 07, 2006
Dia do pulo
Já pensou em mudar a órbita da terra? Queria que o mundo fosse diferente? Quer ter o poder de modificar o universo?
Agora você pode!
O princípio é simples: basta que seiscentos milhões de pessoas dêem pulos simultaneamente e pronto, a trajetória da terra muda! Não é o máximo?
Então. Acesse o site e veja por si mesmo. Se todos nós nos conscientizarmos da importância de unir forças, a terra não será mais o limite.
O evento será no dia 20 de julho, às 8:39:13. Preste atenção ao horário de verão, fuso horário, coisas assim, e pule.
Ah, sim: a idéia é que, tirando a terra do eixo, resolveremos de vez o problema do efeito estufa.
Agora você pode!
O princípio é simples: basta que seiscentos milhões de pessoas dêem pulos simultaneamente e pronto, a trajetória da terra muda! Não é o máximo?
Então. Acesse o site e veja por si mesmo. Se todos nós nos conscientizarmos da importância de unir forças, a terra não será mais o limite.
O evento será no dia 20 de julho, às 8:39:13. Preste atenção ao horário de verão, fuso horário, coisas assim, e pule.
Ah, sim: a idéia é que, tirando a terra do eixo, resolveremos de vez o problema do efeito estufa.
Friday, May 05, 2006
Thursday, May 04, 2006
Nefelibata (8): Altocumulus
As nuvens altocumulus são brancas ou cinzas, de formato cheio e arredondado. Quem nasce sob um céu de Altocumulus tem muitas qualidades, sendo geralmente estável, sério, independente, perseverante e confiante. São também pessoas capazes de esperar pelo tempo que for necessário para conquistar um objetivo, mas devem evitar a tendência ao excesso de peso, à anemia, à osteoporose e ao vitiligo.
Famosos que nasceram sob a mesma nuvem: Jô Soares; Rei Momo; Faustão; Dona Redonda.
Famosos que nasceram sob a mesma nuvem: Jô Soares; Rei Momo; Faustão; Dona Redonda.
Wednesday, May 03, 2006
Faça seu OVNI
Se você gosta de discos voadores, marcianos verdes e quetais, construa seu próprio disco voador nesta página. Se descobrir qual é a graça desse jogo, não esqueça de me contar.
Monday, May 01, 2006
De onde terá vindo o homem?
Eis a grande pergunta.
Sabemos de onde vem o indivíduo, mas não sabemos com certeza de onde vem o homem. Só há, basicamente, duas alternativas: ou o homem deriva de seu igual, ou do diferente.
Assim: se é verdade que o homem deriva de seu igual, então caímos em uma regressão ao infinito, o que não pode ser. Hipótese descartada. Mas, se é verdade que o homem originou-se do diferente, então o diferente pode ser
a) imaterial (o divino);
b) material, mas de características distintas.
(Eis aí as duas principais explicações para o surgimento do homem e da vida: o criacionismo e o evolucionismo).
A hipótese de que o homem é resultado da ação ou da vontade de uma divindade não passa pelo crivo da razão, então deve ser descartada. Só resta então uma alternativa: o homem originou-se de um outro ser material, diferente dele nas características gerais, mas essencialmente bastante semelhante. De todo modo, essa teoria nós conhecemos tão bem quanto a anterior.
O que importa, na verdade, é destacar que repetimos ad nauseam as mesmas estruturas. Aquela história da origem do mal não tem basicamente o mesmo esqueleto?
Sabemos de onde vem o indivíduo, mas não sabemos com certeza de onde vem o homem. Só há, basicamente, duas alternativas: ou o homem deriva de seu igual, ou do diferente.
Assim: se é verdade que o homem deriva de seu igual, então caímos em uma regressão ao infinito, o que não pode ser. Hipótese descartada. Mas, se é verdade que o homem originou-se do diferente, então o diferente pode ser
a) imaterial (o divino);
b) material, mas de características distintas.
(Eis aí as duas principais explicações para o surgimento do homem e da vida: o criacionismo e o evolucionismo).
A hipótese de que o homem é resultado da ação ou da vontade de uma divindade não passa pelo crivo da razão, então deve ser descartada. Só resta então uma alternativa: o homem originou-se de um outro ser material, diferente dele nas características gerais, mas essencialmente bastante semelhante. De todo modo, essa teoria nós conhecemos tão bem quanto a anterior.
O que importa, na verdade, é destacar que repetimos ad nauseam as mesmas estruturas. Aquela história da origem do mal não tem basicamente o mesmo esqueleto?
Sunday, April 30, 2006
Vou estar usando o gerúndio agora
Como ando preocupada com um problema absolutamente irrelevante, vou estar escrevendo agora sobre o uso abusivo do gerúndio porque, a continuar desse jeito, vamos todos estar falando e estar escrevendo só desse modo. Mas tudo bem, vou estar explicando isso melhor: é que aprendemos com os americanos que nós podemos sim - por que não? - estar fazendo alguma coisa em um futuro contínuo, o que é inteiramente diferente de estar fazendo alguma coisa no presente contínuo. Nós vamos estar percebendo que a utilização do gerúndo no tempo futuro significa que vamos estar praticando a ação do verbo no gerúndio repetidas vezes ou por um determinado período de tempo. Isto é, nós não vamos estar praticando uma ação por uma vez ou em um instante apenas; nós vamos estar praticando a ação do verbo no gerúndio (neste caso, vamos estar praticando) mais de uma vez, ou de modo contínuo. Por exemplo: dizer que vamos estar abrindo a porta é diferente de dizer que vamos abrir a porta. "Abrir a porta" significa praticar a ação uma vez, e pronto. "Estar abrindo a porta" significa estar praticando a ação repetidas vezes, ou estar praticando a mesma ação por um determinado período de tempo. Como ninguém vai estar abrindo a porta seguidas vezes, é o caso então de se pensar que vamos estar abrindo a porta durante algum tempo. Mas como isso também não pode ser, já que temos mais o que fazer, então o melhor mesmo é que a gente vá estar entendendo que, na maior parte das vezes, o gerúndio não se aplica ao futuro e, consequentemente, não vá estar pensando em estar falando desse modo no futuro, contínuo ou não.
Saturday, April 29, 2006
O paradoxo do vovô
E por falar em viagem no tempo, um dos argumentos mais usados contra a idéia é o "paradoxo do vovô", basicamente a alegação de que, se você pode viajar no tempo, então poderia (em tese) matar seu avô quando ele fosse muito jovem e, assim, tornar seu nascimento impossível.
Prá complicar: isto significa dizer que a viagem no tempo tornaria possível gerar uma causa que teria como efeito eliminar a causa de um efeito que é causa de todo esse efeito. Logo, a viagem no tempo viola o princípio de causalidade. Portanto, não é possível.
Certo, mas isso tudo é lógica. O melhor argumento continua sendo mesmo o de Stephen Hawking: onde estão os turistas do futuro, meu bem?
Prá complicar: isto significa dizer que a viagem no tempo tornaria possível gerar uma causa que teria como efeito eliminar a causa de um efeito que é causa de todo esse efeito. Logo, a viagem no tempo viola o princípio de causalidade. Portanto, não é possível.
Certo, mas isso tudo é lógica. O melhor argumento continua sendo mesmo o de Stephen Hawking: onde estão os turistas do futuro, meu bem?
Friday, April 28, 2006
Túnel do tempo
Já dizia Agostinho, sobre o tempo: se não me perguntam o que é, eu sei; se me perguntam, já não sei.
Nós podemos até não saber o que é o tempo, mas parece que vamos viajar nele. Ao menos em teoria a viagem no tempo é possível, dizem os cientistas.
Imagine... Stephen Hawking está enganado: os turistas do futuro já chegaram. Só estão invisíveis. :-)))
Nós podemos até não saber o que é o tempo, mas parece que vamos viajar nele. Ao menos em teoria a viagem no tempo é possível, dizem os cientistas.
Imagine... Stephen Hawking está enganado: os turistas do futuro já chegaram. Só estão invisíveis. :-)))
Thursday, April 27, 2006
Nefelibata (7): Altostratus
As nuvens do tipo altostratus formam no céu uma camada uniforme branca ou cinza, que pode produzir precipitação muito leve. Esta configuração do céu no momento do nascimento resulta em um nativo de temperamento tranqüilo, reservado, prático, persistente e paciente, além de uma inclinação despojada e muito preguiçosa. A forte imaginação do Altostratus, aliada à receptividade psíquica, faz com que o nativo prefira viver nas nuvens.
Profissões recomendadas: paraquedista, decorador, cozinheiro, pintor de paredes ou psiquiatra.
Conselho: Procure evitar expôr-se ao sol, Altostratus.
Flor: Catléia
Pedra: Calcário Cristalino
Profissões recomendadas: paraquedista, decorador, cozinheiro, pintor de paredes ou psiquiatra.
Conselho: Procure evitar expôr-se ao sol, Altostratus.
Flor: Catléia
Pedra: Calcário Cristalino
Wednesday, April 26, 2006
Porco-espinho alienígena
Desde a década de 80 tem surgido, no interior da Inglaterra, marcas circulares em plantações. Ninguém sabe dizer com certeza qual é a origem destes círculos. O governo, acusado de ser o autor das marcas, resolveu oferecer um prêmio a quem tivesse uma teoria consistente sobre sua origem.
Surgiram várias teorias, quase todas esdrúxulas:
a) Balonistas disseram seus balões, ao descer nas plantações, provocaram a formação dos desenhos;
b) Dois artistas sexagenários, Doug Bower e David Chorley, disseram serem os responsáveis pela "arte";
c) Foram os alienígenas, claro. Eles explicam tudo.
d) São resultado de alterações climáticas;
e) É tudo coisa de poltergeist;
f) Quem sabe não foram redemoinhos que desenharam sem querer os círculos?
g) É efeito da camada de ozônio;
h) Os fungos fizeram tudo sozinhos;
i) Foram os porcos-espinhos comedores de cogumelos mágicos que voaram e fizeram com que o ar deslocado marcasse as plantações;
j) É efeito de radiação;
k) Aviso de extra-terrestres;
l) Obra de intra-terrestres;
m) et cetera;
n) et cetera;
o) et cetera.
À parte essa bobagem toda, os círculos são realmente impressionantes, com desenhos simétricos e às vezes bastante complexos. Veja algumas fotos no link indicado no título.
Veja ainda o video:
http://www.youtube.com/watch?v=vDQqlZIuCQA
Surgiram várias teorias, quase todas esdrúxulas:
a) Balonistas disseram seus balões, ao descer nas plantações, provocaram a formação dos desenhos;
b) Dois artistas sexagenários, Doug Bower e David Chorley, disseram serem os responsáveis pela "arte";
c) Foram os alienígenas, claro. Eles explicam tudo.
d) São resultado de alterações climáticas;
e) É tudo coisa de poltergeist;
f) Quem sabe não foram redemoinhos que desenharam sem querer os círculos?
g) É efeito da camada de ozônio;
h) Os fungos fizeram tudo sozinhos;
i) Foram os porcos-espinhos comedores de cogumelos mágicos que voaram e fizeram com que o ar deslocado marcasse as plantações;
j) É efeito de radiação;
k) Aviso de extra-terrestres;
l) Obra de intra-terrestres;
m) et cetera;
n) et cetera;
o) et cetera.
À parte essa bobagem toda, os círculos são realmente impressionantes, com desenhos simétricos e às vezes bastante complexos. Veja algumas fotos no link indicado no título.
Veja ainda o video:
http://www.youtube.com/watch?v=vDQqlZIuCQA
Monday, April 24, 2006
Nefelibata (6): Cirruscumulus
Seu destino está escrito em nuvens finas, brancas, de cristais de gelo, em forma de ondas, nativo de Cirruscumulus. Por temperamento você é pessoa objetiva, independente e inconvencional. Faz questão de poder movimentar-se livremente. É cordial com todos e gosta de participar de atividades em grupo. Sente-se atraído pelas novidades e inovações e por tudo o que é moderno. Portanto, compartilhe a sabedoria cósmica com alguém próximo a você. Dissolva as mágoas, livre-se de um passado que entristece, reveja sua biografia e reinvente-se outra vez. Para isso você conta com a imaginação delirante e o senso de irrealidade que são suas maiores qualidades.
Antecendente: Céu sem nuvens
Meio-céu: Nimbus
Sol em Zênite
Futuro imediato: Cumulus
Futuro próximo: Nimbus
Futuro iminente: Cumulonimbus
Futuro distante: Stratus
Antecendente: Céu sem nuvens
Meio-céu: Nimbus
Sol em Zênite
Futuro imediato: Cumulus
Futuro próximo: Nimbus
Futuro iminente: Cumulonimbus
Futuro distante: Stratus
Sunday, April 23, 2006
Lá vem o sol!
Os cientistas estão afirmando que a luz do sol não somente reduz o risco de alguns tipos de câncer como também é fonte de felicidade. Sim, de felicidade. Parece que a privação do sol gera depressão pela supressão de serotonina. Quem diria. Então é por isso que nossa geração vive tão deprimida: não sai de quartos, salas, prédios, carros.
Wednesday, April 19, 2006
Máquina de ensinar
Estou convencida de que o futuro da educação é a internet.
Assim como há máquinas que tricotam, imprimem livros, montam carros, entretém o trabalhador após o expediente, escrevem, calculam, etc. etc., há uma máquina de ensinar: o computador conectado à internet.
A automação industrial reduziu a mão-de-obra e ampliou o setor de serviços (embora isso não tenha resultado necessariamente em aumento de empregos). Certo, isso nós sabemos. O que ninguém parece enxergar é que a internet forja uma geração de autodidatas, o que torna cada vez mais obsoleta a figura do professor em sala de aula, com quadro e giz, explicando como se resolve uma equação de segundo grau a um grupo de adolescentes cujo principal assunto é o Orkut.
Se minha teoria catastrófica estiver correta, a maquininha de ensinar já foi inventada e já está em pleno uso. O desemprego tecnológico chegou à escola.
Assim como há máquinas que tricotam, imprimem livros, montam carros, entretém o trabalhador após o expediente, escrevem, calculam, etc. etc., há uma máquina de ensinar: o computador conectado à internet.
A automação industrial reduziu a mão-de-obra e ampliou o setor de serviços (embora isso não tenha resultado necessariamente em aumento de empregos). Certo, isso nós sabemos. O que ninguém parece enxergar é que a internet forja uma geração de autodidatas, o que torna cada vez mais obsoleta a figura do professor em sala de aula, com quadro e giz, explicando como se resolve uma equação de segundo grau a um grupo de adolescentes cujo principal assunto é o Orkut.
Se minha teoria catastrófica estiver correta, a maquininha de ensinar já foi inventada e já está em pleno uso. O desemprego tecnológico chegou à escola.
Tuesday, April 18, 2006
Nefelibata (5): Cumulus
As nuvens do tipo Cumulus são densas, com contornos salientes, ondulados e bases freqüentemente planas, com extensão vertical pequena ou moderada. Consequentemente, os nativos desta nuvem têm uma personalidade extrovertida, de fácil adaptabilidade e forte senso de responsabilidade. A posição das nuvens Cumulus em trígono com Cirrus no momento do nascimento, entretanto, indica exatamente o oposto.
Em relação às amizades o nativo de Cumulus é protetor, gentil e honesto, desde que não haja em seu mapa natal nenhuma conjunção desfavorável de Cumulus-Nimbus, o que pode sugerir um temperamento arredio, ciumento e dissimulado.
Pontos fortes: sistema nervoso central e trato respiratório.
Quadruplicidade: fixa
Pedra: paralelepípedo
Cor: rosa
Flor: trevo
Metal : mercúrio cromo
Em relação às amizades o nativo de Cumulus é protetor, gentil e honesto, desde que não haja em seu mapa natal nenhuma conjunção desfavorável de Cumulus-Nimbus, o que pode sugerir um temperamento arredio, ciumento e dissimulado.
Pontos fortes: sistema nervoso central e trato respiratório.
Quadruplicidade: fixa
Pedra: paralelepípedo
Cor: rosa
Flor: trevo
Metal : mercúrio cromo
Saturday, April 15, 2006
Chorar faz bem
Uma das experiências literárias mais marcantes que tive foi a leitura de O Estrangeiro, de Camus. Durante todo o desenrolar da história, o que nos incomoda em Mersault é o seu absoluto distanciamento emocional dos eventos de que é protagonista. Mersault vai ao enterro da mãe, mas está preocupado em observar o que acontece à sua volta; tanto faz casar-se ou não com a namorada; ele mata, mas isso não o afeta de modo algum. O julgamento de Mersault não é outra coisa senão a condenação deste distanciamento.
Quando vejo o desenrolar da história desta garota que mandou matar os pais, Suzane Richthofen, fica evidente que o que importa, a única coisa que realmente importa para a opinião pública, é saber se ela é capaz de se arrepender, de se comover, de chorar.
Francamente, que importa se essa menina está arrependida ou não? Faz alguma diferença?
Quando vejo o desenrolar da história desta garota que mandou matar os pais, Suzane Richthofen, fica evidente que o que importa, a única coisa que realmente importa para a opinião pública, é saber se ela é capaz de se arrepender, de se comover, de chorar.
Francamente, que importa se essa menina está arrependida ou não? Faz alguma diferença?
Friday, April 14, 2006
Pesquisa é pesquisa
Pedi aos alunos que fizessem uma determinada pesquisa. Recebi de um deles, por e-mail, um link. Só o link.
A pesquisa foi feita, ou não foi feita?
A pesquisa foi feita, ou não foi feita?
Wednesday, April 12, 2006
Os gnósticos e o capeta (3)
Outro ponto de divergência entre os gnósticos e os cristãos também envolve a figura do diabo: para os cristãos, Lúcifer era um anjo decaído. Para os gnósticos, cada um de nós possui uma alma imortal que habitava um outro mundo. Por alguma razão, esta alma cometeu algum deslize e foi expulsa do lugar que habitava anteriormente, sendo aprisionada à matéria (ou seja, a um corpo). O objetivo de cada alma é libertar-se da matéria e retornar ao lugar de origem, o que só pode fazer pela via do conhecimento.
Enquanto os cristãos supõem um senhor do mal, Lúcifer, os gnósticos acreditavam que cada um de nós possui um daimon, uma alma imortal expulsa de seu lugar de origem e aprisionada no corpo.
Enquanto os cristãos supõem um senhor do mal, Lúcifer, os gnósticos acreditavam que cada um de nós possui um daimon, uma alma imortal expulsa de seu lugar de origem e aprisionada no corpo.
Tuesday, April 11, 2006
Os gnósticos e o capeta (2)
Continuando o assunto "Os gnósticos e o capeta", iniciado no post anterior. O problema apresentado, para resumir, reside no seguinte: se o bem é imaterial e representa a totalidade, de onde vem o mal, ou seja, o mundo material?
A resposta é simples: em um extremo está o bem. Em outro, o mal. Entre eles há uma série finita de emanações (algo em torno de 52). A cada emanação, um grau maior de imperfeição. Logo, o último ser imaterial, afastado que está da perfeição originária, já carrega em si a maldade. Este é o único ser espiritual capaz de criar a matéria originária e, a partir dela, todo o universo como o entendemos.
Em outras palavras: para os gnósticos, quem criou o mundo em sete dias não foi deus; foi o diabo. A existência do diabo é gerada não por seu contrário, o bem, mas por um processo de mutação inevitável e irreversível no mundo imaterial.
Esta crença é a base de todas as outras divergências entre os cristãos e os gnósticos. O Evangelho de S. Judas (que, reza a ciência, foi encontrado na década de 70), faz de Jesus o arquiteto de sua morte (para libertar o espírito da matéria) e, de Judas, o seu fiel ajudante.
A resposta é simples: em um extremo está o bem. Em outro, o mal. Entre eles há uma série finita de emanações (algo em torno de 52). A cada emanação, um grau maior de imperfeição. Logo, o último ser imaterial, afastado que está da perfeição originária, já carrega em si a maldade. Este é o único ser espiritual capaz de criar a matéria originária e, a partir dela, todo o universo como o entendemos.
Em outras palavras: para os gnósticos, quem criou o mundo em sete dias não foi deus; foi o diabo. A existência do diabo é gerada não por seu contrário, o bem, mas por um processo de mutação inevitável e irreversível no mundo imaterial.
Esta crença é a base de todas as outras divergências entre os cristãos e os gnósticos. O Evangelho de S. Judas (que, reza a ciência, foi encontrado na década de 70), faz de Jesus o arquiteto de sua morte (para libertar o espírito da matéria) e, de Judas, o seu fiel ajudante.
Monday, April 10, 2006
Os gnósticos e o capeta (1)
Os antigos gnósticos, que sobreviveram até os primeiros séculos de nossa era, acreditavam que a matéria é má e que a totalidade, a verdade, o bem, a justiça e a perfeição pertencem ao mundo imaterial. Muito bem. Mas, se o imaterial é bom e perfeito, como explicar a origem do material, que é mau e imperfeito?
Há duas hipóteses possíveis: ou o mal deriva do bem, ou não.
Portanto:
1. Se o mal deriva do bem, então há algo de mal no bem. Se há algo de mal no bem, o bem não é tão bom assim. Ora, isto não pode ser. Logo, não é verdade que o mal deriva do bem.
2. Se o mal não deriva do bem, então o mal deriva do mal. Mas, se o mal derivar do mal, então há duas forças equivalentes no universo: o mal e o bem. Ora, o mal não pode se equivaler ao bem. Portanto, o mal não deriva do mal.
a) Perfeito. Supondo a correção dos passos dados até agora, a consequência é a eliminação das duas hipóteses. O que fazer, então? Rever o conectivo. Isto é, rever a operação exclusiva "ou-ou". Há uma terceira possibilidade.
Então:
i. O mal deriva do bem;
ii. O mal não deriva do bem;
iii. Nenhuma das alternativas anteriores.
b) Mantendo que as alternativas anteriores sejam absurdas, é necessário inferir a terceira (já que esta alternativa inclui todos os casos possíveis em que 1 e 2 não se verificam). Certo? Errado. Tudo errado a partir de a.
Revendo a: eu parti da suposição de que as inferências 1 e 2 estavam corretas, mas a inferência 2 não está. Eu comecei com a afirmação de que, se o mal não deriva do bem, então o mal deriva do mal. Não necessariamente, né? Há outras possibilidades dentro da hipótese "O mal não deriva do bem".
Mas a grande pergunta, a pergunta que não quer calar, é: o que o capeta tem a ver com tudo isso? Qual é o propósito de todo esse blá-blá-blá?
Ora, prestenção. O bem (o lógico, o racional, o razoável) pode gerar em seu interior o mal (a má-fé, o engano, o artifício), ou o engano deriva de outra fonte?
Não é importante saber disso?
Então.
Não perca a resposta neste mesmo blog, no próximo post.
Há duas hipóteses possíveis: ou o mal deriva do bem, ou não.
Portanto:
1. Se o mal deriva do bem, então há algo de mal no bem. Se há algo de mal no bem, o bem não é tão bom assim. Ora, isto não pode ser. Logo, não é verdade que o mal deriva do bem.
2. Se o mal não deriva do bem, então o mal deriva do mal. Mas, se o mal derivar do mal, então há duas forças equivalentes no universo: o mal e o bem. Ora, o mal não pode se equivaler ao bem. Portanto, o mal não deriva do mal.
a) Perfeito. Supondo a correção dos passos dados até agora, a consequência é a eliminação das duas hipóteses. O que fazer, então? Rever o conectivo. Isto é, rever a operação exclusiva "ou-ou". Há uma terceira possibilidade.
Então:
i. O mal deriva do bem;
ii. O mal não deriva do bem;
iii. Nenhuma das alternativas anteriores.
b) Mantendo que as alternativas anteriores sejam absurdas, é necessário inferir a terceira (já que esta alternativa inclui todos os casos possíveis em que 1 e 2 não se verificam). Certo? Errado. Tudo errado a partir de a.
Revendo a: eu parti da suposição de que as inferências 1 e 2 estavam corretas, mas a inferência 2 não está. Eu comecei com a afirmação de que, se o mal não deriva do bem, então o mal deriva do mal. Não necessariamente, né? Há outras possibilidades dentro da hipótese "O mal não deriva do bem".
Mas a grande pergunta, a pergunta que não quer calar, é: o que o capeta tem a ver com tudo isso? Qual é o propósito de todo esse blá-blá-blá?
Ora, prestenção. O bem (o lógico, o racional, o razoável) pode gerar em seu interior o mal (a má-fé, o engano, o artifício), ou o engano deriva de outra fonte?
Não é importante saber disso?
Então.
Não perca a resposta neste mesmo blog, no próximo post.
Sunday, April 09, 2006
Século vigoréxico
A vigorexia é uma doença realmente nova. Trata-se da compulsão por malhar. Sim, malhar. Tem gente que gosta; tem gente que detesta; tem gente que vive para malhar. E tem gente preocupada em classificar essa gente toda.
Saturday, April 08, 2006
Espiritologia
Um tal Guilherme de Ockham disse, há seiscentos anos atrás, que não devemos multiplicar desnecessariamente os seres. Pois eu concordo inteiramente: já basta o que temos.
Então, para evitar que novas entidades apareçam, achei que devia classificar logo as existentes:
- Mulher velha e ranzinza, de xale (por que fantasma velho não voa?);
- Preto velho, com cachimbo na boca, bem ao estilo Cabana do Pai Tomás;
- Fantasma esvoaçante, azul, etéreo, que nunca põe os pés no chão;
- Criança;
- Duendes verdes;
- Gnomos de todas as cores;
- Dragões;
- Sátiros;
- Mefistófeles.
Esqueci alguma aparição?
Então, para evitar que novas entidades apareçam, achei que devia classificar logo as existentes:
- Mulher velha e ranzinza, de xale (por que fantasma velho não voa?);
- Preto velho, com cachimbo na boca, bem ao estilo Cabana do Pai Tomás;
- Fantasma esvoaçante, azul, etéreo, que nunca põe os pés no chão;
- Criança;
- Duendes verdes;
- Gnomos de todas as cores;
- Dragões;
- Sátiros;
- Mefistófeles.
Esqueci alguma aparição?
Thursday, April 06, 2006
É necessário caçar raposas
E aqueles que crêem que os homens são muito pouco sensatos por passar o dia inteiro correndo atrás de uma lebre que não gostariam de ter comprado, não conhecem muito a nossa natureza. Essa lebre não nos preservaria da visão da morte e de suas misérias, mas a caça - que dela nos afasta - nos preserva.
Pascal. Pensamentos.
Pascal. Pensamentos.
Monday, April 03, 2006
Geografia da justiça
"Bela justiça é a que é delimitada por um rio". Pascal.
Leia-se o contrário, claro.
Leia-se o contrário, claro.
Saturday, April 01, 2006
César e a cesariana
Reza a lenda que, quando Júlio César estava para nascer, os médicos foram obrigados a fazer uma incisão na mãe, para retirar a criança.
Dificilmente esta história é verdadeira, mas o nome do procedimento vem daí.
Dificilmente esta história é verdadeira, mas o nome do procedimento vem daí.
Friday, March 31, 2006
Coisa de grego (4): o filme de terror
Os gregos não inventaram o terror. Claro que não. Mas, se observarmos mais atentamente, o Hades é tudo de que um filme de terror precisa: há mortos, muitos, muitos mortos; há um animal de três cabeças, o Cérbero, que estraçalha tudo o que quiser sair do Hades (ou seja, há também pedaços de corpos e muito sangue); há almas penadas, lamentando a sua falta de sorte; há espíritos desencarnados, mas ainda presos à terra; há Cila no meio do caminho, aquela serpente gigante de não-sei-quantas cabeças; há Caribdes também no caminho, aquele rio de águas agitadas, que suga tudo o que passa ao redor; há Caronte, o velhinho cadavérico e mudo; há rios de fogo; há muita névoa e escuridão; há o governante disso tudo, uma figurinha horrenda, que vagueia invisível pela terra à procura de mortos em potencial. Para contrapor à tensão o alívio, há ainda a doce, bela e sensível Perséfone, deusa da primavera.
E o mais importante: tudo isto te espera lá na frente. Inexoravelmente.
Quem precisa de filme de terror?
E o mais importante: tudo isto te espera lá na frente. Inexoravelmente.
Quem precisa de filme de terror?
Tuesday, March 28, 2006
Fraude do século ponto com
Há quem defenda a tese de que o homem nunca foi à lua, que é tudo invenção. Se quiser saber detalhes terá de comprar o livro, mas dê uma espiada no site/propaganda do livro clicando no título deste post. Quem sabe você acaba aderindo à moda. Pode-se defender, por exemplo, que os dinossauros nunca existiram, que o Titanic foi sabotado, que o desastre com o Hindenburg foi inventado pelos americanos para desacreditar os alemães, e coisas do gênero. Tente. Basta ser criativo.
Saturday, March 25, 2006
Querem acabar com o gmail
Segundo o site linkado no título deste post, 31 organizações de defesa da liberdade civil estão pedindo a suspensão do serviço de mail Gmail, do Google. Os motivos alegados dizem respeito à privacidade: segundo estas entidades, o Gmail estaria escaneando mensagens de usuários, não teria propósitos e procedimentos claros e, ainda, a oferta de tempo ilimitado para o arquivamento de mensagens implicaria em pouco controle de segurança e privacidade.
Mais um hoax, provavelmente.
Mais um hoax, provavelmente.
Tuesday, March 21, 2006
Aniversário do Brogue
Hoje esse brogue está completando um aninho de vida. Vamos abrir uma garrafa de champagne e comemorar enquanto é tempo, né? A vida é curta. Sei lá se esse bebê chega aos dois aninhos.
Sunday, March 19, 2006
Física evangélica
Não bastasse o grande progresso moral que os evangélicos trouxeram à política internacional, agora temos de agradecer também pelo avanço científico, especialmente no que diz respeito à ciência, à ciência evangélica, entende?
Pois então. A boa-nova da ciência evangélica já tem até um nome: "queda inteligente dos corpos". Apesar da complexidade da teoria, farei um esforço para explicá-la em poucas palavras: trata-se de saber por que os objetos que têm peso e massa são atraídos para o solo. Sim, houve um certo Newton que disse uma bobagem qualquer sobre o assunto, e parece que tinha alguma coisa a ver com uma maçã, mas isto não tem importância. A verdadeira razão para que os objetos caiam é -- vejam só! -- a mão de Deus. Mas o melhor de tudo é que ele só precisa da inteligência. Basta pensar e pronto, tudo cai. Ou sobe.
Parece que esta teoria é o que há de mais inteligente, moderno e polêmico em física, comparável apenas à afirmação de Aristóteles de que a terra não se move porque a água do mar não vai pro espaço.
Pois então. A boa-nova da ciência evangélica já tem até um nome: "queda inteligente dos corpos". Apesar da complexidade da teoria, farei um esforço para explicá-la em poucas palavras: trata-se de saber por que os objetos que têm peso e massa são atraídos para o solo. Sim, houve um certo Newton que disse uma bobagem qualquer sobre o assunto, e parece que tinha alguma coisa a ver com uma maçã, mas isto não tem importância. A verdadeira razão para que os objetos caiam é -- vejam só! -- a mão de Deus. Mas o melhor de tudo é que ele só precisa da inteligência. Basta pensar e pronto, tudo cai. Ou sobe.
Parece que esta teoria é o que há de mais inteligente, moderno e polêmico em física, comparável apenas à afirmação de Aristóteles de que a terra não se move porque a água do mar não vai pro espaço.
Saturday, March 18, 2006
Milagre light
A medicina moderna não considera nenhuma doença como incurável. Certo, isso é muito bom, mas há um problema: acabam-se as curas milagrosas, já que a Igreja só considera milagre a cura de uma doença considerada, por sua natureza ou estágio, incurável. Então ficamos assim? O milagre da cura é coisa do passado? De jeito nenhum. A solução, entende um bispo, é "classificar" os milagres. Nem todos são espetaculares. Alguns milagres necessitam apenas de um "testemunho crível" (a confirmação do médico de que houve uma recuperação rápida e inexplicável do doente).
Mas milagre mesmo é conseguir salvar, ao mesmo tempo, o direito canônico e a cura milagrosa.
Mas milagre mesmo é conseguir salvar, ao mesmo tempo, o direito canônico e a cura milagrosa.
Wednesday, March 15, 2006
Eis o palácio de Ajax
Os arqueólogos acreditam ter encontrado o palácio de Ajax, figura lendária, herói da guerra de Tróia.
A peça Ajax, de Eurípedes, conta que o herói, o corredor mais veloz de toda a Grécia, era filho do rei de Salamina, Telamon, a quem sucedeu. Ao vencer a guerra contra Tróia, Ajax teria abduzido e violentado Cassandra, filha do rei troiano e sacerdotisa consagrada a Afrodite. Por isso, foi morto e esquartejado.
Sófocles, por outro lado, conta que Ajax enlouqueceu ao retornar a Salamina, finda a guerra contra Tróia, e degolou todos os animais que encontrou pelo caminho, achando que eram inimigos. Ao voltar a si e perceber o que tinha feito, suicidou-se. Os habitantes de Salamina teriam, com a morte de seu rei, abandonado a cidade.
Seis anos de escavações na ilha de Salamina, no Egeu, resultaram na descoberta de uma cidade fortificada, cujo centro é um grande complexo arquitetônico. A data de florescimento da cidade, século 13 a.C., coincide com as de Micenas, Argos e Pilos. O palácio teria sido abandonado 100 anos após a sua construção, o que coincide com o relato de Sófocles.
A peça Ajax, de Eurípedes, conta que o herói, o corredor mais veloz de toda a Grécia, era filho do rei de Salamina, Telamon, a quem sucedeu. Ao vencer a guerra contra Tróia, Ajax teria abduzido e violentado Cassandra, filha do rei troiano e sacerdotisa consagrada a Afrodite. Por isso, foi morto e esquartejado.
Sófocles, por outro lado, conta que Ajax enlouqueceu ao retornar a Salamina, finda a guerra contra Tróia, e degolou todos os animais que encontrou pelo caminho, achando que eram inimigos. Ao voltar a si e perceber o que tinha feito, suicidou-se. Os habitantes de Salamina teriam, com a morte de seu rei, abandonado a cidade.
Seis anos de escavações na ilha de Salamina, no Egeu, resultaram na descoberta de uma cidade fortificada, cujo centro é um grande complexo arquitetônico. A data de florescimento da cidade, século 13 a.C., coincide com as de Micenas, Argos e Pilos. O palácio teria sido abandonado 100 anos após a sua construção, o que coincide com o relato de Sófocles.
Monday, March 13, 2006
Caindo na real
Ouvi de um aluno, esta semana: os primeiros filósofos viviam no ócio e não tinham o que fazer, então começaram a pensar e a explicar às pessoas normais o que são as coisas.
Saturday, March 11, 2006
Vou te deletar do meu Orkut
É inevitável: mais cedo ou mais tarde a modernidade chega, e chega para todo mundo.
Clique no título e ouça a musiquinha que está fazendo sucesso na internet.
Atente para o refrão:
Eu vou te deletar, te excluir do meu orkut
Eu vou te bloquear no msn
Não me mande mais scraps nem email power point
Me exclua também e adicione ele
Vou te excluir do meu orkut
Beleza! Exclua mesmo. Delete mesmo. Bloqueie mesmo. Ignore mesmo. Tem futuro não, véi.
Clique no título e ouça a musiquinha que está fazendo sucesso na internet.
Atente para o refrão:
Eu vou te deletar, te excluir do meu orkut
Eu vou te bloquear no msn
Não me mande mais scraps nem email power point
Me exclua também e adicione ele
Vou te excluir do meu orkut
Beleza! Exclua mesmo. Delete mesmo. Bloqueie mesmo. Ignore mesmo. Tem futuro não, véi.
Friday, March 10, 2006
Astrologia para cães
Quer saber por que seu cachorro late para a lua? Está interessado em saber por que ele gosta de você? Já fez um teste para saber se há sinestria entre vocês? Já leu o horóscopo de seu cãozinho hoje? Já consultou os astros para saber qual é o signo de seu bichinho de estimação? Hein?
Já fez o mapa astral da criaturinha? Já buscou alguma ajuda cósmica para entender o que une vocês dois? Já pensou nisso, pelo menos?
....................................................
Se a resposta é sim para todas as perguntas acima, parabéns!, você pertence à minoria que realmente cuida de seu animalzinho de estimação.
Se não, levante-se dessa cadeira, afaste-se do computador e faça algo realmente importante para quem você ama. Ou melhor, fique exatamente onde está, e clique no título. Nesta página você poderá fazer até o mapa astral do bichin por uma bagatela de 19,90 dólares.
É claro, você terá de se cadastrar primeiro, mas isso é ótimo porque assim receberá sempre mensagens do visionário-chefe (literalmente!), com todas as novidades em tarot, numerologia, astrologia e I-Ching. Tudo para você, sua família, seu cão, seu gato, seu papagaio, seus peixes, etc.
Parece brincadeira, mas é tudo muito sério: os humores caninos, as reações intempestivas, as inclinações, a raiva, a tristeza, o temperamento, o que o atrai em você, tudo tudo a astrologia explica.
O único problema é descobrir o local, a hora e a data de nascimento de seu cãozinho. Caso contrário não funciona direito, né?
Já fez o mapa astral da criaturinha? Já buscou alguma ajuda cósmica para entender o que une vocês dois? Já pensou nisso, pelo menos?
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Se a resposta é sim para todas as perguntas acima, parabéns!, você pertence à minoria que realmente cuida de seu animalzinho de estimação.
Se não, levante-se dessa cadeira, afaste-se do computador e faça algo realmente importante para quem você ama. Ou melhor, fique exatamente onde está, e clique no título. Nesta página você poderá fazer até o mapa astral do bichin por uma bagatela de 19,90 dólares.
É claro, você terá de se cadastrar primeiro, mas isso é ótimo porque assim receberá sempre mensagens do visionário-chefe (literalmente!), com todas as novidades em tarot, numerologia, astrologia e I-Ching. Tudo para você, sua família, seu cão, seu gato, seu papagaio, seus peixes, etc.
Parece brincadeira, mas é tudo muito sério: os humores caninos, as reações intempestivas, as inclinações, a raiva, a tristeza, o temperamento, o que o atrai em você, tudo tudo a astrologia explica.
O único problema é descobrir o local, a hora e a data de nascimento de seu cãozinho. Caso contrário não funciona direito, né?
Thursday, March 09, 2006
Últimas palavras
Quer saber quais foram as últimas palavras de pessoas famosas? Clique no título. Você encontrará mais um destes sites cheios de coisa-nenhuma, adornada com uma ideologia qualquer. É só ver a última palavra de John Locke: "Basta!"
C´mon.
As últimas palavras de Nelson, o almirante que venceu a batalha de Trafalgar, também são incríveis: "Cumpri o meu dever. Agradeço a Deus". Puxa. Que bom cristão.
Tenho uma sugestão para as últimas palavras de Henrique VIII: "Matei Ana por nada".
As últimas palavras de Alexandre, o Grande: "Água, água!"
Enfim, a última palavra de todos nós, pessoas comuns: "Ai". Faz mais sentido.
C´mon.
As últimas palavras de Nelson, o almirante que venceu a batalha de Trafalgar, também são incríveis: "Cumpri o meu dever. Agradeço a Deus". Puxa. Que bom cristão.
Tenho uma sugestão para as últimas palavras de Henrique VIII: "Matei Ana por nada".
As últimas palavras de Alexandre, o Grande: "Água, água!"
Enfim, a última palavra de todos nós, pessoas comuns: "Ai". Faz mais sentido.
Tuesday, March 07, 2006
Ow, eu também quero!
Tem gente fazendo viagem astral. Sem pagar passagem, hospedagem, nadinha. Vai e volta.
Dá até prá falar com Jesus, nessas viagens.
Ou melhor, dá até prá falar com quem falou com ele.
Ou melhor ainda, o que dá realmente prá fazer é comprar o livro escrito por quem viajou até Jesus Cristo, falou com ele e voltou para concluir o que deixou inacabado: ficar rico vendendo a história por 12,50 euros.
Dá até prá falar com Jesus, nessas viagens.
Ou melhor, dá até prá falar com quem falou com ele.
Ou melhor ainda, o que dá realmente prá fazer é comprar o livro escrito por quem viajou até Jesus Cristo, falou com ele e voltou para concluir o que deixou inacabado: ficar rico vendendo a história por 12,50 euros.
Sunday, March 05, 2006
Latina proverbia
Encontrei uma página na internet com provérbios latinos. Interessantíssimos.
Eis alguns, para citar apenas os que começam com a letra "o":
O fallacem hominum spem!
Quem espera, desespera.
Oblata occasione, vel iustus perit.
Arca aberta, o justo peca.
Obscurum vestis contegit ampla genus.
Com bom traje se encobre ruim linhagem.
Obsequatur denti superambula lingua dolenti.
Lá vai a língua, onde grita o dente.
Obsequium amicos, veritas odium parit.
Mal me querem minhas comadres, porque lhes digo verdades.
Occasio furem facit.
A ocasião faz o ladrão.
Oculus animi index.
Os olhos são o espelho da alma.
Oculus domini saginat equum.
O olho do dono engorda o cavalo.
Omne ignotum pro magnifico.
O desconhecido sempre parece sublime.
Omnia qui reticet, munera pacis habet.
Quem cala não quer barulho.
Omnia tempus revelat.
O tempo corre e tudo descobre.
Omnis potestas impatiens consortis erit.
Mandar não quer par.
Omnium malorum origo otium.
A ociosidade é a mãe de todos os vícios.
Optat ephippia bos piger, optat arare caballus.
Ninguém está contente com sua sorte.
Optimi natatores saepius submerguntur.
O melhor nadador se afoga.
Otio qui nescit uti, plus negotii habet, quam qui negotiosus in negotio.
Homem lento jamais tem tempo.Idle folks have the least leisure.
Ovem lupo commisisti.
Não dês ovelhas a guardar ao lobo.
Mas o melhor mesmo é este:
Odi feminas litteratas.
Mulher que fala latim não tem bom fim.
Eis alguns, para citar apenas os que começam com a letra "o":
O fallacem hominum spem!
Quem espera, desespera.
Oblata occasione, vel iustus perit.
Arca aberta, o justo peca.
Obscurum vestis contegit ampla genus.
Com bom traje se encobre ruim linhagem.
Obsequatur denti superambula lingua dolenti.
Lá vai a língua, onde grita o dente.
Obsequium amicos, veritas odium parit.
Mal me querem minhas comadres, porque lhes digo verdades.
Occasio furem facit.
A ocasião faz o ladrão.
Oculus animi index.
Os olhos são o espelho da alma.
Oculus domini saginat equum.
O olho do dono engorda o cavalo.
Omne ignotum pro magnifico.
O desconhecido sempre parece sublime.
Omnia qui reticet, munera pacis habet.
Quem cala não quer barulho.
Omnia tempus revelat.
O tempo corre e tudo descobre.
Omnis potestas impatiens consortis erit.
Mandar não quer par.
Omnium malorum origo otium.
A ociosidade é a mãe de todos os vícios.
Optat ephippia bos piger, optat arare caballus.
Ninguém está contente com sua sorte.
Optimi natatores saepius submerguntur.
O melhor nadador se afoga.
Otio qui nescit uti, plus negotii habet, quam qui negotiosus in negotio.
Homem lento jamais tem tempo.Idle folks have the least leisure.
Ovem lupo commisisti.
Não dês ovelhas a guardar ao lobo.
Mas o melhor mesmo é este:
Odi feminas litteratas.
Mulher que fala latim não tem bom fim.
Saturday, March 04, 2006
Infância do mundo
Tenho assistido de vez em quando a séries antigas (antigas mesmo, das décadas de 60 e 70), e fico me perguntando: fui eu que perdi a inocência, ou foi o mundo? É que tudo parece tão inocente, tão ingênuo, tão puro...
Há algo de mais inocente que a falta de caráter desajeitada e efeminada de um Dr. Smith e a bondade inata e masculina de um Will Robinson?
Onde foi parar o Crepe Suzette? E o robô?
Dá prá acreditar na amizade sincera e pueril entre o Batman e seu menino-prodígio?
Quem é capaz de ignorar a doutrinação de um Almirante Nelson-bullshista, o bom cristão racional e correcional?
Dá prá assistir a um Colt-não-sei-das-quantas (de Duro na Queda, mas vá por mim, esqueça) abandonar as suas mulheres lindíssimas e arrumar outras mulheres lindíssimas, sem ver o que isso realmente significa?
Quem pode assistir a "Jeannie é um gênio" sem entender o que se diz nas entrelinhas?
Quem ainda não percebeu que Starsky e Hutch eram mais do que parceiros no combate ao crime?
Supermáquina? Homem de seis milhões de dólares? Mulher biônica? Panteras? Gatões? A família Walton? A família Robinson? A família Dó-Ré-Mi? Zorro? Noviça voadora, cujo único pecado era voar?
Ah, fala sério!
O mundo envelheceu, perdeu a inocência. Não se faz mais seriados como antigamente. Ainda bem.
Há algo de mais inocente que a falta de caráter desajeitada e efeminada de um Dr. Smith e a bondade inata e masculina de um Will Robinson?
Onde foi parar o Crepe Suzette? E o robô?
Dá prá acreditar na amizade sincera e pueril entre o Batman e seu menino-prodígio?
Quem é capaz de ignorar a doutrinação de um Almirante Nelson-bullshista, o bom cristão racional e correcional?
Dá prá assistir a um Colt-não-sei-das-quantas (de Duro na Queda, mas vá por mim, esqueça) abandonar as suas mulheres lindíssimas e arrumar outras mulheres lindíssimas, sem ver o que isso realmente significa?
Quem pode assistir a "Jeannie é um gênio" sem entender o que se diz nas entrelinhas?
Quem ainda não percebeu que Starsky e Hutch eram mais do que parceiros no combate ao crime?
Supermáquina? Homem de seis milhões de dólares? Mulher biônica? Panteras? Gatões? A família Walton? A família Robinson? A família Dó-Ré-Mi? Zorro? Noviça voadora, cujo único pecado era voar?
Ah, fala sério!
O mundo envelheceu, perdeu a inocência. Não se faz mais seriados como antigamente. Ainda bem.
Friday, March 03, 2006
Contratam-se filósofos
Uma piada velha, mas bem atual:
"- O que você diz a quem é graduado em filosofia?
- Um Bic Mac com fritas, por favor. "
"- O que você diz a quem é graduado em filosofia?
- Um Bic Mac com fritas, por favor. "
Thursday, March 02, 2006
Grande Shakespeare
A vida é uma história cheia de som e fúria, contada por um idiota, significando nada.
Macbeth
Macbeth
Wednesday, March 01, 2006
...e a Bíblia tinha razão
Parece que a história de Jonas é verdadeira.
Tão verdadeira, que aconteceu novamente em 1845, com um tal James Bartley, pescador.
Segundo contam, Bartley caiu no mar e foi engolido por uma baleia. Trinta e seis horas depois, seus companheiros capturaram o animal (o mesmo), o mataram, abriram o estômago e, vejam só!, lá estava Bartley, branco e enlouquecido, mas vivo.
Interessante, não?
Demais.
Eu não fazia idéia de que há oxigênio em estômago de baleia, ou que alguém possa sobreviver a trinta e seis horas sem ar.
É o poder da fé.
Mas interessante mesmo é o fato de que esta história é contada por fundamentalistas bíblicos.
Então.
Tão verdadeira, que aconteceu novamente em 1845, com um tal James Bartley, pescador.
Segundo contam, Bartley caiu no mar e foi engolido por uma baleia. Trinta e seis horas depois, seus companheiros capturaram o animal (o mesmo), o mataram, abriram o estômago e, vejam só!, lá estava Bartley, branco e enlouquecido, mas vivo.
Interessante, não?
Demais.
Eu não fazia idéia de que há oxigênio em estômago de baleia, ou que alguém possa sobreviver a trinta e seis horas sem ar.
É o poder da fé.
Mas interessante mesmo é o fato de que esta história é contada por fundamentalistas bíblicos.
Então.
Tuesday, February 28, 2006
Corra, que tá barato
Well, nem tanto.
Uma pesquisa científica esteve à venda no e-bay, pelo lance inicial de 250 mil dólares.
Você pode achar que é muito, mas é porque você não sabe o valor de uma pesquisa. Especialmente, o valor de 20 anos de pesquisa.
Alguém sabe, e comprou.
Tô morrendo de inveja. Colin Andrews, o feliz vendedor, ficou pelo menos 250 mil dólares menos pobre. E com pesquisa!
Dá até prá fazer uma boa poupança, enquanto vai montando outra pesquisa prá vender.
Como a vida humana é curta, eu aconselharia o cientista a reduzir o tempo de maturação do produto para dez anos. O preço vai à metade, mas para compensar é só excluir os colaboradores (do crédito, ao menos).
Só mesmo americano para transformar tudo em dinheiro, sem culpa.
Preciso aprender essa técnica.
Uma pesquisa científica esteve à venda no e-bay, pelo lance inicial de 250 mil dólares.
Você pode achar que é muito, mas é porque você não sabe o valor de uma pesquisa. Especialmente, o valor de 20 anos de pesquisa.
Alguém sabe, e comprou.
Tô morrendo de inveja. Colin Andrews, o feliz vendedor, ficou pelo menos 250 mil dólares menos pobre. E com pesquisa!
Dá até prá fazer uma boa poupança, enquanto vai montando outra pesquisa prá vender.
Como a vida humana é curta, eu aconselharia o cientista a reduzir o tempo de maturação do produto para dez anos. O preço vai à metade, mas para compensar é só excluir os colaboradores (do crédito, ao menos).
Só mesmo americano para transformar tudo em dinheiro, sem culpa.
Preciso aprender essa técnica.
Monday, February 27, 2006
O que a escada tem a ver com o céu?
Perguntei por perguntar. É claro que tudo a ver.
Em Santa Fé, Novo México, Estados Unidos, há 130 anos, as freiras de um convento recém-construído queriam ir para o andar superior, mas não havia escada.
Diante da estupidez do arquiteto, só mesmo um bom milagre.
Elas rezaram durante nove dias, pedindo a Deus a escada (ou melhor, o carpinteiro que a faria).
Afinal de contas, é preciso ir ao andar superior.
Mas eis que um carpinteiro surge à porta, assim, do nada, para construir a escada de graça... e sem suporte.
Clique no título e veja o milagre da capela Loretto.A escada é realmente um milagre da engenharia.
Pois então.
O ser humano seria capaz de fazer algo tão impressionante? Em um convento? Com exatos 33 degraus? Claro que não! Claro que é obra divina.
Mas a escada não leva ao céu, não. Só ao andar superior.
.....................................
Mais fotos em
http://www.lorettochapel.com/stair.html
Descobri que há um filme sobre o milagre da escada. Informe-se em http://us.imdb.com/title/tt0152588/.
Em Santa Fé, Novo México, Estados Unidos, há 130 anos, as freiras de um convento recém-construído queriam ir para o andar superior, mas não havia escada.
Diante da estupidez do arquiteto, só mesmo um bom milagre.
Elas rezaram durante nove dias, pedindo a Deus a escada (ou melhor, o carpinteiro que a faria).
Afinal de contas, é preciso ir ao andar superior.
Mas eis que um carpinteiro surge à porta, assim, do nada, para construir a escada de graça... e sem suporte.
Clique no título e veja o milagre da capela Loretto.A escada é realmente um milagre da engenharia.
Pois então.
O ser humano seria capaz de fazer algo tão impressionante? Em um convento? Com exatos 33 degraus? Claro que não! Claro que é obra divina.
Mas a escada não leva ao céu, não. Só ao andar superior.
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Mais fotos em
http://www.lorettochapel.com/stair.html
Descobri que há um filme sobre o milagre da escada. Informe-se em http://us.imdb.com/title/tt0152588/.
Sunday, February 26, 2006
Espaguete Voador
Olhe atentamente para o céu. Procure nas nuvens, nas estrelas. Acredite e verá. Sim, ele existe, o monstro espaguete voador.
O grande profeta da religião monstrista anuncia para breve o lançamento do Evangelho segundo o MEV (Monstro Espaguete Voador).
Até lá, experimente informar-se melhor sobre o monstrismo no site indicado no título deste post. Mas prepare-se. Há de tudo na página, desde camisetas com o Monstro Espaguete a releituras de Da Vinci e Miguelangelo.
É possível até comprar um santinho MEV no e-bay. Sem pé nem cabeça.
Experimente. Você só corre o risco de se tornar um novo massafari.
--------------------
Brincadeira, claro, criada por quem acha que o Design Inteligente é só mais uma bobagem sofisticada. Segundo informa o site, o monstrismo massafari já foi matéria até da Superinteressante, no Brasil.
O grande profeta da religião monstrista anuncia para breve o lançamento do Evangelho segundo o MEV (Monstro Espaguete Voador).
Até lá, experimente informar-se melhor sobre o monstrismo no site indicado no título deste post. Mas prepare-se. Há de tudo na página, desde camisetas com o Monstro Espaguete a releituras de Da Vinci e Miguelangelo.
É possível até comprar um santinho MEV no e-bay. Sem pé nem cabeça.
Experimente. Você só corre o risco de se tornar um novo massafari.
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Brincadeira, claro, criada por quem acha que o Design Inteligente é só mais uma bobagem sofisticada. Segundo informa o site, o monstrismo massafari já foi matéria até da Superinteressante, no Brasil.
Saturday, February 25, 2006
Upgrade malsucedido
Amor é sentir com todo o ser a existência de outro ser.
Simone Weil
.............................
Puxa. E eu que pensava que ela era filósofa!
Mas venhamos e convenhamos, há um quê de metafísico na frase, não há?
Então.
De qualquer forma, com uma visão de mundo assim tão doce, assim tão jovem, Simone Weil bem que podia ter publicado pela Harlequin.
Simone Weil
.............................
Puxa. E eu que pensava que ela era filósofa!
Mas venhamos e convenhamos, há um quê de metafísico na frase, não há?
Então.
De qualquer forma, com uma visão de mundo assim tão doce, assim tão jovem, Simone Weil bem que podia ter publicado pela Harlequin.
Friday, February 24, 2006
Pois é (2)
Muita gente se espantaria se visse os elementos que formam essa tão propalada consciência:
temores de ordem humana, medo dos homens, 1/5
temores religiosos, 1/5
vaidade, 1/5
preconceitos, 1/5
hábito, 1/5.
Arthur Schopenhauer, filósofo alemão.
temores de ordem humana, medo dos homens, 1/5
temores religiosos, 1/5
vaidade, 1/5
preconceitos, 1/5
hábito, 1/5.
Arthur Schopenhauer, filósofo alemão.
Thursday, February 23, 2006
Wednesday, February 22, 2006
Marte ataca
Nelson Rodrigues bem poderia dizer que esta é a rebelião dos crédulos fundamentais.
Assim como há um sem-número de séries que giram em torno da medicina forense, um observador mais atento (ou seja, aquele que passa a maior parte de seu tempo diante da TV) pode dizer com segurança que está acontecendo uma verdadeira invasão de séries com temática sobrenatural na TV americana.
Só para citar algumas: Psychic Detectives, Fantasmas, Contos de Vidas Passadas, Fator Desconhecido (que parecia ser séria), The 4400, Assombrações (que estréia dia 16, mas o nome e a chamada já dizem tudo), Psychic Witness, OVNI´s, Supernatural, Missing.
Será que o Bush tem algo a ver com isso?
Assim como há um sem-número de séries que giram em torno da medicina forense, um observador mais atento (ou seja, aquele que passa a maior parte de seu tempo diante da TV) pode dizer com segurança que está acontecendo uma verdadeira invasão de séries com temática sobrenatural na TV americana.
Só para citar algumas: Psychic Detectives, Fantasmas, Contos de Vidas Passadas, Fator Desconhecido (que parecia ser séria), The 4400, Assombrações (que estréia dia 16, mas o nome e a chamada já dizem tudo), Psychic Witness, OVNI´s, Supernatural, Missing.
Será que o Bush tem algo a ver com isso?
Tuesday, February 21, 2006
O cientistas e a metafísica
- Nós somos cientistas, por conseguinte, procuraremos fazer uso das demonstrações. E as demonstrações de que necessitamos levarão em conta as observações, mas não lhe reconhecerão autoridade definitiva. Elas sustentarão a existência de um mundo independente daquele do qual nos falam as observações disponíveis, mas apto a sustentar uma refutada tese particular.
- Mas isso é metafísica!
- Precisamente! A gente pode escolher: fazendo ciência de um modo produtivo, é possível apoiar-se na fé ou na razão. Nesse último caso precisaremos nos tornar metafísicos, porquanto a metafísica é definida como uma disciplina que não se baseia na observação, mas examina as coisas independemente daquilo que a obervação parece nos dizer. Numa palavra, a boa ciência tem necessidade de argumentos metafísicos para continuar a se desenvolver; hoje ela não seria o que é sem essa dimensão filosófica.
Paul Feyerabend. Fantasia platônica. In: Diálogos sobre o conhecimento.
- Mas isso é metafísica!
- Precisamente! A gente pode escolher: fazendo ciência de um modo produtivo, é possível apoiar-se na fé ou na razão. Nesse último caso precisaremos nos tornar metafísicos, porquanto a metafísica é definida como uma disciplina que não se baseia na observação, mas examina as coisas independemente daquilo que a obervação parece nos dizer. Numa palavra, a boa ciência tem necessidade de argumentos metafísicos para continuar a se desenvolver; hoje ela não seria o que é sem essa dimensão filosófica.
Paul Feyerabend. Fantasia platônica. In: Diálogos sobre o conhecimento.
Monday, February 20, 2006
Pode me roubar
Em 1802 Thomas Bruce, Conde de Elgin (1766-1841) obteve autorização do sultão de Constantinopla para retirar os frisos de mármore do Partenon e levá-los para a Inglaterra. Lorde Elgin comprou um navio só para transportar as obras. Desde então a Grécia trava uma batalha diplomática com a Inglaterra para recuperar as obras, mas é pouco provável que isso aconteça. Os ingleses alegam que elas estão melhor guardadas em Londres.
Sunday, February 19, 2006
Qual é a lógica?
Quando me perguntam se acredito em Deus e respondo que sou agnóstica, sou confrontada, invariavelmente, com a minha completa ausência de bom senso:
"Então como é que você explica isso ou aquilo?"
ou
"Quando acontece alguma coisa, você recorre a quê?"
Confesso que não entendo essa lógica. Qual é a relação entre necessidade, vontade, crença e existência objetiva?
O argumento implícito nas perguntas é o seguinte:
Quem não acredita em Deus não tem respostas para os enigmas da existência;
Ora, é preciso haver respostas.
Por conseguinte, é preciso crer em Deus.
Logo, Deus existe.
Ou ainda:
A crença em Deus nos ajuda em momentos difíceis
Ora, todos nós passamos por momentos difíceis na vida
Portanto, todos nós precisamos da ajuda de Deus
Logo, Deus existe.
Será que ninguém percebe como esse argumento é tolo? Esta lógica do eu quero, eu preciso, eu acredito, então acontece é própria da infância.
Isto não significa, claro, que eu tenha alguma coisa contra a existência de Deus (muito ao contrário) ou que ele não possa existir de fato. O que não faz sentido é a afirmação, ainda que implícita, de que Deus existe porque é preciso que exista.
Acrescente-se ainda que a desconfiança ou a ausência de crença não pressupõem, em nenhum grau, a obrigatoriedade de se oferecer resposta a todos os enigmas do universo. Eu posso duvidar e conviver com a ausência de respostas, não posso?
Ou não?
"Então como é que você explica isso ou aquilo?"
ou
"Quando acontece alguma coisa, você recorre a quê?"
Confesso que não entendo essa lógica. Qual é a relação entre necessidade, vontade, crença e existência objetiva?
O argumento implícito nas perguntas é o seguinte:
Quem não acredita em Deus não tem respostas para os enigmas da existência;
Ora, é preciso haver respostas.
Por conseguinte, é preciso crer em Deus.
Logo, Deus existe.
Ou ainda:
A crença em Deus nos ajuda em momentos difíceis
Ora, todos nós passamos por momentos difíceis na vida
Portanto, todos nós precisamos da ajuda de Deus
Logo, Deus existe.
Será que ninguém percebe como esse argumento é tolo? Esta lógica do eu quero, eu preciso, eu acredito, então acontece é própria da infância.
Isto não significa, claro, que eu tenha alguma coisa contra a existência de Deus (muito ao contrário) ou que ele não possa existir de fato. O que não faz sentido é a afirmação, ainda que implícita, de que Deus existe porque é preciso que exista.
Acrescente-se ainda que a desconfiança ou a ausência de crença não pressupõem, em nenhum grau, a obrigatoriedade de se oferecer resposta a todos os enigmas do universo. Eu posso duvidar e conviver com a ausência de respostas, não posso?
Ou não?
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