Saturday, February 18, 2006

Obediência cega

Em 490 a.C. os atenienses lutavam contra os persas na planície de Maratona, a cerca de 40 km de Atenas. Vencida a batalha, o general ateniense Milcíadis enviou o soldado Fidípides a Atenas para informar da vitória. Ele correu os 40 quilômetros sem parar e quando chegou à cidade só teve fôlego para dizer uma unica palavra: "vitória". Em seguida caiu morto.

É em homenagem a este episódio que a corrida recebeu o nome de Maratona.

Friday, February 17, 2006

Efeito especial

Imagine que você é pai ou mãe de um adolescente japonês calmo, tímido e paranormal.

Agora imagine esse garoto quebrando vidros à distância, aumentando o volume do aparelho de som sem se levantar do sofá... e transformando a casa numa fogueira.

É que esse adolescente emite o que chamam de "energia termocinética luminosa", incandescente, de 124 graus celsius, a 250k/h, com potencial para destruir tudo à sua volta.

É só imaginação, certo?

Certíssimo.

Só imaginação de psicólogos, mestres de acupuntura, familiares etc.

Como diz um amigo: andam vendo muito filme e desenho animado ruim.

Tenho de concordar.

Thursday, February 16, 2006

Quem matou Bob Crane?

Assisti recentemente à série "Guerra, Sombra e Água Fresca" (Hogan's Heroes) . Continua tão boa quanto eu me lembrava, dos primeiros tempos da TV a cabo. Trata-se do dia-a-dia de um grupo de prisioneiros em campo de concentração nazista, durante a segunda guerra. Um cenário bastante improvável para uma comédia, mas que consegue ser ainda mais divertida que M.A.S.H., outra comédia sobre a guerra.

O líder dos prisioneiros vigiados pelo sargento Schultz (um alemão que finge não ver nada) e pelo coronel Klink (o comandante do campo, que de fato não vê nada) é o coronel Hogan, interpretado pelo ator Bob Crane. Apesar de estar preso, Hogan consegue extrair informações do coronel Klink e repassar aos aliados. O modo como o faz é a principal atração do seriado.

Americano típico, bastante religioso, pai de família exemplar, do tipo que encontra tempo para levar os filhos à escola, bom marido, bom vizinho, figura simpática e equilibrada, Bob Crane só ocupou grande espaço na mídia em duas ocasiões: durante o período de exibição do seriado e quando foi encontrado morto em um quarto de hotel, em 1978, em circunstâncias até hoje não esclarecidas. Ele havia sido espancado severamente e estrangulado com um fio elétrico.

O amigo John Carpenter foi preso, acusado e posteriormente inocentado por falta de provas. Apesar disso, a polícia tem certeza de que ele é o autor do crime.

Agora que medicina forense está tão avançada, por que ainda não conseguiram entender o que aconteceu com Bob Crane?

Wednesday, February 15, 2006

Data da invenção da geladeira

Republicando:
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Estou impressionada com o número de entradas neste blog nas últimas semanas com um mesmo objetivo: saber qual é a data da invenção da geladeira.

Sinceramente, não entendo.

Em todo caso, resolvi fazer uma pesquisa e informar a data. O link que pode ser acessado clicando no título informa que a geladeira foi inventada em 1876 por um certo Carl von Linde. Ao menos, a patente é dele.

No mesmo link há, digamos, um histórico da geladeira (que lamentavelmente ignora o Bacon).

E é só.

Mas, afinal, por que tanto interesse pela invenção da geladeira?

Monday, February 13, 2006

Strawson

Morreu nesta data, 13.02.2006, Peter Strawson, filósofo da linguagem, com 86 anos. Autor de Individuals, livro que trata da ontologia dos nomes próprios. Só para iniciados.

Vá pela sombra, Strawson.

Sunday, February 12, 2006

Clube da luluzinha

Olha só... Nunca foi tão fácil ser bruxa. Basta encontrar um site, ler tudo a respeito e principalmente comprar tudo a respeito.

Olha aí o que você pode encontrar:

Caldeirão. Aquele, da poção mágica. O da Madame Min, lembra? Pois é. Se preferir um caldeirão com tampa, custará R$ 230,00. Mas, se quiser deixar a tampa na loja, o caldeirão sairá pela bagatela de R$ 190,00.

Defumadores, caso queira defumar tudo o que não fizer parte do jantar.

Chifres, caso já não tenha.

Penas, caso já não tenha, também.

Pentáculos. Não sei o que são, mas se você é bruxa, certamente sabe.

Camisetas, prá todo mundo saber que você é mesmo uma bruxa. É que hoje isso é motivo de admiração.

Well.

Está precisando de um espelho negro para potencializar tudo isso? Pois acabou de encontrar.

Que coisa maravilhosa.

Demorou, mas até as bruxas se renderam ao poder inexorável do mercado.

Saturday, February 11, 2006

Visão fantasmagórica de mundo

Me contaram, na semana passada, que tenho um encosto.

Eu até já imaginava, porque nem sempre consigo o que quero, o que significa que há um espírito desencarnado me atrapalhando, mas fiquei surpresa com a descrição do tal encosto: trata-se de um homem negro, não sei se velho ou novo, de cara amarrada, que grila quando falam dele e que não larga do meu pé de jeito nenhum.

Nunca viram nada parecido.

Isso é bom ou ruim?

E agora, o que faço?

Devo ter medo?

É preciso respeitar o encosto, o que quer que isso signifique?

Devo me acostumar com ele?

Pedir prá ir embora?

Arrumar outro encosto, um pastor ou um médium, pra tirar o primeiro?

Êta vida complicada!

Não me disseram o que fazer a respeito.

Friday, February 10, 2006

A Idade Média se recusa a partir

Você quer acreditar em Deus.

Esforça-se.

Diz a si mesmo, cem vezes, que Deus existe e é pai.

Reza três vezes ao dia, pedindo a Deus que o ajude a acreditar nele.

Faz tudo o que está a seu alcance

E nada; não tem jeito, a coisa toda continua parecendo balela.

Pois eu sei do que você precisa!

Preste atenção, que é sério: você precisa de uma certeza racional da existência de Deus.

Sim, a fé já morreu.

O jeito agora é tentar encontrar uma lógica que prove a impossibilidade do universo sem um criador, e pronto!

Lá vem ela, a faceira, célere e alegre fé, correndo atrás da certeza científica!

Ou o contrário, mas vamos deixar prá lá, né?

Mas onde encontrar a fé, isto é, a certeza científica da existência de Deus?

Faça o curso "Prova Científica da Existência de Deus". Clique no título.

Depois, sossegue.

Bem, não exatamente. O curso é para engenheiros.

Thursday, February 09, 2006

A-lá o Alá

Venderam a Virgem. Aquela, com "v" maiúsculo. A única que continuou virgem após um parto normal (Jesus nasceu, né?). Essa mesma. Vendida. Por 28 mil dólares.

Esse foi o preço pago pela torrada com a santa.

Mas vamos ao que interessa: eis que os árabes aprenderam a técnica.

Encontraram o ovo de Alá. Um ovo que, segundo dizem, tem o nome "Alá" escrito.

É a resposta divina às caricaturas, dizem.

Vale muito, dizem.

Simbólica e materialmente, eu digo.

Tuesday, February 07, 2006

A invenção da geladeira (2)

Eu preciso dizer: o post "Bacon e o dia da geladeira" não é sério. É claro que eu utilizo uma informação verdadeira (Bacon de fato morreu como consequência do experimento que descrevi), mas não há outra ligação entre Francis Bacon e a invenção da geladeira. Ele é apenas o pai da idéia. A idéia vaga. O princípio.

Então, a quem interessar possa: a geladeira foi inventada por Carl von Linde em 1876.

Para maiores informações, tente o site indicado pelo título.

Monday, February 06, 2006

Perguntinha básica (3): John Locke

Por que um personagem de Lost tem nome de filósofo?

Coincidência?

Sunday, February 05, 2006

Feitos sob encomenda

Estou animada com a nova moda da TV americana: séries sobre a medicina forense. O número delas na TV aberta é impressionante: Medical Detectives, Crossing Jordan, Enigmas da morte, C.S.I., C.S.I. Miami, Forensic Files, Peacemakers, Authopsy, NCIS, Real Life Detectives etc etc. Não vejo todas, mas o que tenho visto é muito interessante. Não pelas histórias, porque não passam de novelas, mas pelo que revelam: é muito difícil ser bandido, hoje. A ciência pode tudo.

Thursday, February 02, 2006

A invenção da geladeira (1)

Estou impressionada com o número de entradas neste blog nas últimas semanas com um mesmo objetivo: saber qual é a data da invenção da geladeira.

Sinceramente, não entendo.

Seja como for, como há tanto interesse em torno desse assunto, resolvi fazer uma pesquisa e informar a data. O link que pode ser acessado clicando no título informa que a geladeira foi inventada em 1876 por um certo Carl von Linde. Ao menos, a patente é dele.

No mesmo link há, digamos, um histórico da geladeira (que lamentavelmente ignora o Bacon).

E é só.

Mas, afinal, por que tanto interesse pela invenção da geladeira?

Wednesday, February 01, 2006

Ano bom

Começou no último dia 29 o Ano do Cachorro, do horóscopo chinês.

A previsão é de um período mais tranquilo que os últimos doze meses, o Ano do Macaco.

Considerando que o Ano do Macaco foi o ano de Roberto Jefferson, José Dirceu e Lula, entre outros, acho que a gente pode confiar na previsão.

Tuesday, January 31, 2006

Besteirol (5): O burger dominante

Concretamente, o estudo de hamburgers feito por minha classe envolveu não só inglês e filosofia em nosso uso da palavra escrita e lida e análise conceitual, mas incluiu também os aspectos econômicos, no estudo das relações entre bens que introduziram os hamburgers no mercado, história e sociologia na avaliação do que era a dieta diária antes do aparecimento dos hamburgers e das ciências da saída em termos do valor alimentício do burger dominante.

Ira Shor, professor da City University, de Nova York.

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In: O Melhor do Besteirol - As 597 Asneiras Jamais Ditas

Monday, January 30, 2006

Besteirol (4): Arte mimética

De Michael Curtiz, diretor de cinema de Hollywood:

- Agora, cavalgue em todas as direções. (dirigindo Gary Cooper).

- Vocês não poderiam se aproximar um pouco mais para lá?

- Movam-se todos para aqui e para ali... em desordem.

- Separem-se juntos e em grupos. E não se juntem muito em grupos pequenos.

- É chata do começo ao fim, mas muito divertida. (comentando uma comédia).

- Cale a boca! Você está sempre me interrompendo no meio de meus erros!

- Não fale comigo enquanto estou interrompendo.

- Quando eu quiser sua opinião, eu lhe dou a minha.

- Se lhe contasse a verdade, eu seria um hipócrita.

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In: O Melhor do Besteirol - As 597 Asneiras Jamais Ditas

Sunday, January 29, 2006

Besteirol (3): Mãos à obra

Construção de uma cadeia:

1. Considerando etc., etc., este conselho resolve: que uma nova cadeia seja construída.
2. Que a nova cadeia seja construída com os materiais da velha cadeia.
3. Que a velha cadeia seja usada até que a nova esteja pronta.

Resolução da Junta de Conselheiros do estado do Mississipi, em meados de 1800.


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In: O Melhor do Besteirol - As 597 Asneiras Jamais Ditas

Saturday, January 28, 2006

Besteirol (2): Concorrência difícil

De Sir Boyle, deputado inglês:
- Respondo na afirmativa com um enfático “não”.
- Se ja mais chegar a uma milha de nossa casa, poderia fazer a fineza de parar aí para passar a noite?
- Milhares deles eram carentes até das coisas que possuíam.
- A taça de nossos problemas está transbordando, mas, infelizmente, ainda não está cheia.
- Felizmente os rebeldes não tinham armas de fogo, exceto pistolas e lanças.
- Um homem não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, a menos que seja uma ave.
- Eu lhe disse para fazer um mais comprido que o outro e, em vez disso, você fez um mais curto que o outro – o contrário.
- Metade das mentiras que nossos adversários dizem sobre nós não é verdade.
As melhores de Ronald Reagan:
- Não acredito que uma árvore seja uma árvore e, se viu uma, viu todas.
- Quem viu uma sequóia, viu todas elas.
- Agora estamos tentando fazer com que o desemprego aumente, e acho que vamos ter êxito.
- Seres humanos não são animais e não quero ver sexo e diferenças sexuais tratados tão causal e amoralmente como cães e outros animais os tratam.
- Os Estados Unidos têm muito a oferecer à terceira guerra mundial.
- Por que subsidiaríamos a curiosidade intelectual?


- Sou filosoficamente contra qualquer aumento de tarifas, mas isso não significa que não vou apoiá-las. Joseph Alexander, prefeito da Virgínia).

- Não há manual que ensine a boa capacidade de julgamento. Eu posso cometer um ou dois erros, mas só depois de pensar maduramente sobre eles. (Marion Barry, prefeito de Washington).

- O morto tinha um problema de fala. (Prefeito de uma província de Portugal, apresentando características identificadoras quando da busca do corpo de um homem que se afogara).

- As ruas são seguras na cidade da Filadélfia. As pessoas é que as tornam inseguras. (Frank Rizzo, prefeito da Filadélfia).

- Tirando os assassinatos, Washington tem uma das taxas de criminalidade mais baixas do país. (Marion Barry, prefeito de Washington).

- Por que judeus e árabes não podem se reunir e discutir a questão como bons cristãos? (Arthur Balfour, estadista britânico).

- Esse patife ordinário devia ser escoiceado até à morte por um asno – e eu sou o indicado para fazer isso. (John Parker, senador por Massachussets, referindo-se a certo candidato ao Congresso).

- Este é o pior desastre que aconteceu na Califórnia desde que fui eleito. (Pat Brown, governador da Califórnia, comentando uma inundação local).

- Recebemos ontem de manhã vultosa soma de uma fonte desconhecida, cuja imensa generosidade é conhecida de todos nós. (Leon Daudet, líder francês).

- Quando um grande número de pessoas não consegue encontrar trabalho, o resultado é o desemprego. (Calvin Coolidge, presidente americano).

- Este é um grande dia para a França! (Nixon, no enterro de De Gaulle).

- Senhoras e senhores, se essa medida de coerção for aprovada, nenhum homem na Irlanda poderá falar sobre política, a menos que seja surdo e mudo. (Lord Russell, membro do parlamento inglês).

- Mantenho todas as minhas declarações errôneas. (Dan Quayle, candidato a vice-presidente dos Estados Unidos).

- Se digo uma mentira, é porque penso que estou dizendo a verdade. (Phil Gaglardi, ministro canadense).

- Se deixarem que esse tipo de coisa continue acontecendo, o pão e a manteiga dos senhores serão puxados debaixo de seus pés. (Ernest Bevin, ministro britânico).

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In: O Melhor do Besteirol - As 597 Asneiras Jamais Ditas

Friday, January 27, 2006

Besteirol (1) : O campeão de Hollywood

Verdade seja dita. Dizer asneiras em Hollywood não é lá grande coisa, mas ser campeão de asneiras Hollywood, isto sim é um grande feito. Samuel Goldwyn, o megaprodutor, detém o título há mais de 50 anos, mesmo estando morto há anos.

- Em qualquer dia, prefiro um idiota sabido a um gênio burro.
- Por que chamá-lo de Joe? Todo Tom, Dick e Harry é chamado de Joe.
- Li parte do texto até o fim.
- Um contrato verbal não vale o papel em que está escrito.
-
Quando perguntado pela secretária se poderia destruir alguns velhos arquivos: pode, mas antes tire uma cópia.
- Cavalheiros, incluam-me fora disso.
- Nossas comédias não devem ser objeto de riso.
- Você está em parte cem por cento certo.
- Frances tem as mãos mais belas do mundo. Qualquer dia destes mandarei fazer um busto delas.
- Tive uma idéia extraordinária esta manhã, mas não gostei dela.
- Só uso sapatos novos depois de amaciá-los durante cinco anos.
- O homem que consulta um psiquiatra devia mandar examinar a cabeça.
- Eu fui até onde a mão do homem nunca pôs o pé.
- O sexo sobreviverá a todos nós.

- Um hospital não é lugar para se estar doente.
- Se eu caísse morto agora, seria o homem vivo mais feliz.
- Quando alguém disser algo interessante, aplauda. Você fará duas pessoas felizes.
- Vamos criar alguns novos clichés.
- Eu admito que nem sempre tenho razão, mas nunca me engano.
- Eu só posso dar a você um talvez definitivo.
- Ao filho, quando casou: "Graças a Deus. A vida de solteiro não é para homem solteiro".
- Mas esse é nosso ponto fraco mais forte!
- Eu só posso dizer isso em duas palavras: im -- possível.
- O preço era excessivo, mas valia cada centavo.
- Eu acho que eles deveriam escrever uma autobiografia só depois de mortos.
- Atualize esse diálogo para algo do século dezenove.
- Cavalheiros, ouçam-me lentamente.

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Veja também: O Melhor do Besteirol - As 597 Asneiras Jamais Ditas

Thursday, January 26, 2006

Enterro no estômago

Diz uma passagem do tratado anônimo Dissoi Logoi, de mais ou menos 400 a.C.:

"Os Massagetas esquartejam seus pais e os comem, e acham que o ato de enterrá-los em seus filhos é a forma mais bela de homenageá-los".

Puxa. Não sei que povo é esse, mas o mesmo costume é também narrado por Heródoto em sua História. Tratava-se de um ritual fúnebre: o morto devia ser servido no jantar. Family only.

Eu não quero ser desagradável, mas preciso perguntar sobre os aspectos práticos da coisa toda. Alguém tem de pensar nisso.

E se não houvesse filhos?

Se o morto fosse criança, que faziam com ele?

O que faziam com os ossos? Enterravam no estômago dos animais?

Quantas panelas seriam necessárias para cozinhar um homem de 1,70m, mais ou menos?

Aliás, os mortos eram cozidos?

E se houvesse só duas pessoas na família? Teriam carne prá semana inteira, mas e aí, o que faziam? Salgavam o morto?

Aliás, será que serviam o morto temperado?

E se o morto já estivesse, digamos, em decomposição?

E se estivesse meio passado, por exemplo, com 90 anos?

E se fosse só pele e osso?

E se estivesse doente?

E se?

Wednesday, January 25, 2006

No Orkuts for me

Definitivamente, não me entendo com o Orkut. Quando tento acessá-lo, tenho de enfrentar um programa caprichoso, que parece não gostar muito de minha senha, já que pede confirmação pelo menos duas vezes. Feito o login, é hora de navegar... e lá vem a mensagem: no donuts for you.

É verdade que a mensagem de erro agora está em português, mas é verdade também que continuo sem donuts.

Sim, com um pouquinho de paciência é possível que lá pela décima tentativa eu consiga alguma coisa. Mas não sou tão paciente assim.

Em todo caso, o site é sempre tão movimentado, até onde posso perceber, que desconfio ser a única a não ganhar donuts.

Tuesday, January 24, 2006

A bolha protetora da EcoSport

Presenciei, há alguns dias, um episódio lamentável na porta de minha casa: primeiramente surgiu um rapaz de bicicleta, sendo perseguido à curta distância por uma EcoSport preta. Exatamente na frente de minha casa a EcoSport atropelou o rapaz de bicicleta, propositalmente.

Sim, atropelou.

Em seguida o motorista, que estava sozinho, desceu do carro, bateu no ciclista (sim, aquele que tinha sido atropelado há um minuto), perguntando onde estava o toca-fitas do carro e, como o rapaz dizia não saber de nada, o dono da EcoSport obrigou o ciclista a entrar no carro e arrancou, levando-o junto.

Pelo que entendi, porque foi tudo muito rápido, o motorista esperava que o rapaz atropelado (cambaleante, por sinal) o levasse até a porcariazinha de um toca-fitas que teria acabado de roubar.

Avisamos a polícia.

Quando chegou, a primeira coisa que o policial disse, depois de escutar a história e ver a bicicleta torta, é que o dono do carro devia ter feito o serviço direito (leia-se: devia ter matado o ciclista). E acrescentou que, se tivessem sorte, esse bandido iria aparecer morto na manhã seguinte. Menos um, disse. Menos um, concordaram os outros policiais.

Tive a nítida impressão de que o mundo deveria fazer eco com os policiais: ah, sim; menos um. Pois é, um bandido a menos nas ruas.

Acrescente-se um "aleluia"?

Tentei argumentar que ninguém pode agir contra a lei, como havia feito o dono do carro. O policial me respondeu que a lei em vigor é velha demais; não funciona. Melhor matar mesmo.

Cá entre nós, a falange vermelha (acho que o nome era esse) não dizia exatamente isso? Se todo mundo agir do mesmo modo, os policiais não terão de caçar ladrão de galinha, mas isso é tudo?

Mas o bandido era mesmo bandido? Muito provavelmente. Afinal, estava de bicicleta.

A história toda, como disse, aponta para uma circunstância bem simples: o ciclista roubou, junto com outra pessoa, o toca-fitas da EcoSport. O dono viu e saiu em perseguição dos dois. Um dos supostos ladrões veio parar em minha rua, fugindo da perseguição, mas não estava com o toca-fitas. Então o dono do carro o obrigou a acompanhá-lo mesmo ferido (ainda que não gravemente) em perseguição ao companheiro, para resgatar o objeto roubado.

Certo. Acho que entendi.

A grande ironia é que chamamos a polícia para que ajudasse de algum modo o ciclista.

Monday, January 23, 2006

Egoísmo esclarecido

Quanto menos racional for o homem, com mais frequência deixará de perceber que o que prejudica os outros também lhe faz mal, porque o ódio ou a inveja o cegam. Portanto, embora eu não pretenda que o egoísmo esclarecido seja o mais elevado padrão moral, afirmo que, se se tornasse comum, tornaria o mundo imensamente melhor do que é.

Bertrand Russell, Ensaios Céticos.

Sunday, January 22, 2006

Mitologias (8): Hécate é passado

No começo do livro O Banquete, de Platão, Sócrates menciona as Hecatéias, festa popular que acontecia uma vez por mês, em homenagem à deusa Hécate.

O ritual consistia basicamente em deixar alimentos nas entradas e nos portões da cidade para alimentar os viajantes. Além, é claro, de música e dança.

Fiquei curiosa a respeito da deusa Hécate, uma divindade menor.

Ela é a deusa da escuridão.

Hmmm. Gostei.

Três cabeças, roupas negras, habitante das profundezas do Hades.

Fascinante.

É a deusa protetora dos cães. Sempre acompanhada de três cachorros.

Nossa. Vou me converter ao paganismo hoje mesmo.

Mas então descobri que, como ela é a deusa dos cães, as hecatéias incluíam o sacrifício de um cachorro à deusa.

Não entendi porque é preciso sacrificar um cachorro por mês à deusa protetora dos cães para que ela continue protegendo os cães.

Horrível.

Minha carreira de convertida ao paganismo chegou ao fim antes mesmo de começar.


Saturday, January 21, 2006

Mitologias (7): ...e Zeus criou a mulher

Pois é.

Zeus criou os homens, feitos do mais puro barro do Olimpo (ou da terra mesmo, tanto faz), mas não deu muito certo, não. Eles eram mesmo arrogantes e desprezavam seus criadores.

Lá pelas tantas, e quatro gerações de hominídios depois, Prometeu, tio e conselheiro de Zeus, roubou o fogo dos deuses e deu aos homens.

Não havia nada que Zeus pudesse fazer: os homens aprenderam rapidamente a usar o fogo, ficaram independentes e acharam novamente que não precisavam de zeuses.

O que fazer? pensou Zeus.

O que fazer?, repetiram os deuses.

Era preciso que os homens tivessem um problema, um grande problema, do qual nunca se livrassem... e alguém teve a brilhante idéia: inventa a mulher, ué.

Genial!

Zeus criou uma mulher perfeita, mas garantiu que tivesse um defeito: ela era muito curiosa. O rei dos deuses entregou a Pandora (a mulher) uma caixa, que ela deveria guardar e jamais abrir.

Pandora resistiu por três dias e três noites.

Ao final, abriu a caixa e todos os deuses que tinham sido aprisionados por Zeus ali dentro saíram apressados: a dor, a doença, a fome, a miséria, a angústia, a inveja, o ódio, a traição, a desonestidade, a morte, a infelicidade, a tristeza, o fracasso etc etc.

Só uma deusa ficou na caixa e recusou-se a sair: Elpís, a esperança.

Friday, January 20, 2006

Mitologias (6): Alma gêmea

E por falar em Zeus, eis aí um sujeito que tem tudo: poder, riqueza, imortalidade, mulheres, inteligência, esperteza, malícia, força, uma esposa ciumenta, filhos legítimos e ilegítimos, domínio sobre o céu e a terra e, claro, muito, muito tédio.

Para aliviar um pouco o tédio, Zeus achou que devia criar uma espécie animal um pouco mais evoluída: os seres humanos.

No início não havia homens e mulheres; apenas seres humanos gigantes, feitos do mais puro barro, que começaram a se sentir muito superiores aos demais animais e caíram no erro fatal de julgar que não havia deuses: eles eram deuses, porque reinavam absolutos na terra.

Zeus ficou contrariadíssimo. Ninguém pode ser deus se não é adorado, né?

Então Zeus ordenou a Apolo que recolhesse todas as criaturas arrogantes e as deitasse sobre uma superfície lisa. Em seguida, Apolo cortou um a um, pela metade. A primeira metade, moldou como homem. A segunda, como mulher.

Então Apolo devolveu todos à terra, tomando cuidado para que as metades jamais voltassem a se encontrar. Assim, os humanos seriam sempre seres insatisfeitos, procurando a metade perdida. Se a encontrassem, tornar-se-iam um só novamente, seriam arrogantes outra vez e negariam os deuses.

Melhor deixá-los incompletos, procurando a alma gêmea.

Wednesday, January 18, 2006

Mitologias (5): Fôlego divino

Em mais uma dessas minhas ocupações inúteis e divertidas, fiz uma pesquisa sobre a descendência de Zeus e encontrei o seguinte:


Com Mnemósine - as 9 musas:
Clio – História
Talia – Teatro (Comédia)
Calíope – Eloqüência
Melpômene - Teatro (tragédia)
Euterpe - música
Plohymnia - Poesia lírica
Erato - poesia de Amor
Urânia - Astronomia
Terpsícore - Dança


Com Deméter:
Perséfone

Com Hera:
Hefestos
Ares
Ilítia
Hebe


Com Têmis:
Astréia
Horas
Moiras


Com Alcmena:
Héracles

Com Eurinome: as 3 Graças
Aglaia
Eufrosina
Talia


Com Leto:
Apolo
Ártemis


Com Métis:
Atena

Com Sêmele: Dioniso

Com Dânae:
Perseu

Com Maia:
Hermes

Com Electra:
Dárdano
Iásião


Com Egina:
Éaco

Com Antíope:
Anfião
Zeto


Com Taígete:
Lacedêmon

Com Plouto:
Tântalo

Com Io:
Épafo

Com Calisto:
Arcas

Com Carme:
Britomártis

Com Europa:
Minos
Radamanto
Sarpedão


Com Níobe:
Argo
Pelasgo


Com Leda:
Helena
Pólux
Cástor


45 ao todo, mas a lista não é definitiva. Pode aumentar. Afinal, Zeus não está morto.

Tuesday, January 17, 2006

Ué...

Foi em vão que procurei livros de cozinha na Biblioteca de Dijon.

Gaston Bachelard, filósofo e cientista francês.

Monday, January 16, 2006

Estudante profissional

Estudo! Sou unicamente o sujeito do verbo estudar. Pensar: a tanto não ouso.

Gaston Bachelard

Sunday, January 15, 2006

A maldição da corrente

Antes de haver internet, lembro-me de receber cartas que me prometiam riqueza instantânea ou garantiam fracasso iminente, dependendo única e exclusivamente do modo como eu agiria em relação a elas: se as repassasse a dez, vinte pessoas, ótimo; ficaria rica. Se as ignorasse, perderia o emprego. Se apenas as esquecesse em algum canto, teria algum aborrecimento de menor importância. Mas, se eu me atrevesse a destruí-las, então algo terrível me aconteceria.

Um papel, algumas linhas escritas, e eis o sagrado.

Na era da internet, com a facilidade de envio e o custo zero, as correntes se multiplicaram. O discurso, no entanto, é o mesmo, apelando primeiro para a curiosidade do leitor; depois para o seu interesse, acenando com alguma vantagem; depois para o medo, prometendo algum prejuízo e, por fim, o que interessa a quem criou a corrente: o pedido para que seja reenviado.

Pronto! Só isso, e recebo pelo menos uma dessas bobagens por semana. Fico me perguntando se quem me envia acredita no que leu (no caso de ter lido, claro).

Suponho que o fato de ter recebido a corrente atesta que ela tem, no mínimo, o poder de se multiplicar. E de se manter no domínio do sagrado, alimentada pela lógica do "por via das dúvidas", mas isto significa ter medo do que um pedaço de papel pode fazer. Ou melhor, um e-mail.

No fundo, ninguém espera que a corrente traga felicidade, mas todo mundo que a reenvia de boa fé acredita secretamente que ela possa trazer infelicidade.

A boa notícia é que, hoje, quebrar a corrente só exige dois toques do mouse. Três, para confirmar.

Saturday, January 14, 2006

Alguém me ama

Definitivamente, alguém me ama. Tanto, que quer me ajudar a administrar minha conta bancária.

Toda semana recebo cartões que não abro, fotos que não vejo, mensagens que não leio. Mas nem precisa; o título já diz tudo: mal redigido, com erros de português e o invariável alguém que ama você-bolinha de gude-caixinha de fósforo.

Agora começou a circular outro spam da mesma natureza: alguém do meu passado quer rever antigos amigos. Para que eu saiba de quem se trata, já que não me lembro do nome (o que é natural), devo clicar no link e ver as fotos. Pronto, não é necessário mais nada para ter um programinha instalado em meu computador.

Será possível que alguém ainda caia nesse tipo de coisa? Há alguém, em sã consciência, que abre arquivos indicados por mensagens obviamente falsas?

Sim, né. Caso contrário, estes e-mails não seriam enviados. E, de qualquer modo, basta abrir o e-mail para que o programa já seja instalado. O melhor mesmo é enviar todo mundo que te ama muito direto prá lixeira, sem pensar duas vezes. Garanto que não vai se arrepender.

Friday, January 13, 2006

Cadê eu, cadê eu?

O filósofo Severino Cemitério informa:

"A razão do temor à morte é a repugnância do indivíduo em tornar-se transparente a si mesmo".

Soren A. Kierkegaard. Equilíbrio entre os estágios ético e estético no desenvolvimento da personalidade. In: Ou, ou.

Thursday, January 12, 2006

O verdadeiro nefelibata

Há uma cabeça nas nuvens.

Será um pássaro?

Um avião?

Um helicóptero?

Um urubu?

Talvez o super-homem?

O duende verde?

Zeus?

Urano?

Quem sabe o Faetonte?

A coruja de Minerva?

Não.

É apenas um ET, dizem.

Mas o que há com certeza é uma nuvem na cabeça.


Wednesday, January 11, 2006

Nefelibata (4): nativo de Stratus

As nuvens do tipo Stratus compõem o céu cinza, formando uma camada baixa, uniforme, semelhante ao nevoeiro, que pode produzir chuvisco. Consequentemente, os nativos deste signo têm forte tendência à melancolia, à depressão e à tempestade em copo d'água.

Embora sua característica mais marcante seja mesmo o apreço pelo sofrimento, os nativos de Stratus tendem a reduzir tudo a preto e branco. A disposição lacônica e reservada de um Stratus não nos permite ir além de uma análise superficial de seu temperamento e caráter.

Previsões para 2006: Alegre-se, Stratus. Os céus lhe prometem uma boa dose de nevoeiros e chuviscos para o ano. Em maio, Mercúrio estará em oposição a Marte, o que lhe garantirá o sofrimento inútil a que tem direito, mas o inferno astral só virá mesmo a partir de agosto, quando o Sol se alinhará em conjunção com Vênus. Exercite a paciência, Stratus, e todos os seus desejos serão realizados.

Cor: grafite

Vinho: tinto

Pedra: pomes

Tuesday, January 10, 2006

Educação moral e cívica

Relendo o Emílio, de Jean-Jacques Rousseau, encontrei esta pérola:

O mestre: Não se deve fazer isso.
A criança: E por que não se deve fazer isso?
O mestre: Porque é ruim.
A criança: Ruim! O que é ruim?
O mestre: O que lhe proíbem.
A criança: Que mal existe em fazer o que me proíbem?
O mestre: Punem você por ter desobedecido.
A criança: Eu faço as coisas de um jeito que ninguém fica sabendo.
O mestre: Vão espioná-lo.
A criança: Eu me esconderei.
O mestre: Vão fazer-lhe perguntas.
A criança: Eu mentirei.
O mestre: Não se deve mentir.
A criança: Por que não se deve mentir?
O mestre: Por que é ruim, etc.

Monday, January 09, 2006

Serviço de inutilidade pública

Na lista de testes inúteis que mencionei aqui, faltava este: que tipo de ídolo americano é você?

"De cantar no chuveiro a dançar no carro, todos nós somos algum tipo de ídolo americano. Descubra qual é o seu."

Muito bem. Agora só me resta fazer o teste. Em inglês, claro.

E la nave va.

Sunday, January 08, 2006

Índex

A propósito de Eram os deuses astronautas?, lembrei dos livros proibidos de minha infância e adolescência, dos livros "recomendados" e dos que ninguém me viu ler. E fiz uma lista:

Livros proibidos:

- Eram os deuses astronautas?, de Erich Von Daniken: primeiro na lista dos proibidos, mas nem precisava. É inocuo.
- Doutor Jivago: sim, por incrível que pareça, fui proibida de lê-lo. A censura doméstica o considerava imoral. Li, claro, mas só lembro de ter chorado muito. Mais nada.
- O egípcio, de Mika Waltari: este, sim, fez diferença. Ainda tenho uma viva lembrança do momento em que o egípcio encontrou o deus morto.
- O Capital, de Karl Marx: esse nem era necessário proibir, porque eu não o leria de qualquer modo. Nunca me interessou o bastante.
- Madame Bovary, O amante de Lady Chatterly, Anna Karenina, Moll Flanders, Bola de Sebo, Manon Lescaut: tudo muito imoral, segundo me disseram. Li, né.
- ...E a Bíblia tinha razão, de Werner Keller: cometia o pecado de tentar explicar os milagres da Bíblia à luz da ciência. Li, reli e mantenho em conserva.

Livros recomendados, que não precisaria ter lido:

- Pollyanna e Pollyanna moça, de Eleanor H. Porter - A praga do "jogo do contente" atormentou minha infância e adolescência. Eu achava que, se tentasse olhar o lado bom das situações adversas, tudo estaria bem.
- O pequeno príncipe. Li a biografia de Saint Exupèry constante do livro "De Proust a Camus", de André Maurois, e desenvolvi uma certa antipatia pelo homem. Só li "O pequeno príncipe" porque estava ficando chato não conhecer. Até os amigos me recomendavam. Mas não tenho talento para a doçura e já estava contaminada pela biografia do autor. Não consegui nem achar lindo.
- Coração de Vidro, de José Mauro de Vasconcelos: esse livro me deixou muito triste. Não é de se admirar que o autor acabasse se matando. Sensível demais. Doído demais.

Livros que ninguém me viu ler:

- Giovanni, de James Baldwin: para quem também lia Bárbara Cartland, este livro foi absolutamente chocante. Até então, nunca me passara pela cabeça que o amor entre dois homens pudesse ser romântico.
- Temor e Tremor, de Kierkegaard: o único livro que tive de fechar. Só retomei a leitura anos depois. Senti o edifício balançar seriamente, e eu nem tinha entendido direito.

Saturday, January 07, 2006

Atlântida, eugenia e nazismo: tudo a ver

Platão, o filósofo grego, conta-nos de uma civilização extinta no passado remoto, detentora de grande conhecimento, sabedoria, justiça social e riqueza.

Atlântida pode ser relacionada facilmente com as cinco raças de Hesíodo: houve no passado uma raça superior à nossa, mais próxima da divindade.

É aí que entra o nazismo: a espécie humana já foi superior ao que é hoje, já foi uma "raça" intelectual, moral e esteticamente superior. Onde? Em Atlântida, claro!

Não é invenção minha. Himmler, um dos generais de Hitler, achava que os arianos vieram da cidade perdida e se empenhou árduamente na tarefa maluca de descobrir, entre os alemães, algum descendente dos antigos habitantes de Atlântida.

Hitler não foi o único maluco do III Reich.

Lamentavelmente esse mito, por mais inocente que pareça, já deu ensejo a um romantismo tosco, excludente, às vezes brutal, que começa invariavelmente com uma única premissa: a recusa da condição humana.

Aliás, todo romantismo começa com a recusa da condição humana.

Friday, January 06, 2006

Nefelibata (3): nativo de Cumulonimbus

Associado à presença de nuvens escuras, prenúncio de tempestades, chuvas fortes, raios, granizo, furacões e tornados, o signo de Cumulonimbus é, naturalmente, o mais furioso do zodíaco. O nativo deste signo tem um temperamento explosivo, irascível, sanguíneo, colérico, ciumento, vingativo e sujeito tanto a rompantes de entusiasmo quanto a acessos de fúria sem razão aparente. Cumulonimbus tem pouca propensão a doenças como a depressão e a úlcera gástrica, mas deve tomar cuidado com a pressão arterial.

Conselho: Nem tudo está perdido, Cumulonimbus. Em 2006, tente exercer maior controle sobre seu temperamento.

Animal: touro

Pedra: ardósia

Thursday, January 05, 2006

Mulher de preto

Adoro filmes góticos, aqueles com fantasmas, segredos, casas velhas e abandonadas. Encontrei um muito bom: The woman in black.

Uma mulher idosa, que vivia sozinha em uma casa isolada, morre. O advogado envia um assistente para cuidar do velório e fazer um levantamento do patrimônio. Mas nada acontece como previsto.

Embora esteja repleto de todos os clichês do gênero, é um bom filme, que tem o mérito de dispensar o final feliz. A atmosfera é opressiva; o medo que o jovem advogado sente chega a ser palpável.

Apenas entretenimento, mas bom entretenimento.

Wednesday, January 04, 2006

Aula de charlatanismo do Dr. Faniken

Na adolescência, qualquer coisa que tivesse letras me encantava, mas eu tinha um fascínio especial pela aura de segredo que o livro Eram os deuses astronautas? possuía. Absolutamente fascinante e intrigante, mas inacessível para mim. Ninguém em minha família leria, ou me permitiria ler, um livro considerado "maldito", o que o tornava ainda mais fascinante.

Um dia, consegui o livro emprestado e o devorei em poucas horas, achando que ia encontrar grandes mistérios da humanidade revelados. Ledo engano. Tudo não passava de um amontoado de abobrinhas, mediocridade, charlatanismo e sensacionalismo. É que eu já não acreditava em Papai Noel (embora o Elvis ainda fosse importante para mim).

Os amigos achavam tudo possível. Eu achava que tinha perdido tempo.

Na semana passada esbarrei, por acaso, em um documentário sobre o livro, em DVD. Confesso que pensei em comprar, recuperei o bom senso em seguida e já o perdi outra vez. Vou mesmo comprar o DVD (só o DVD). Eram os deuses astronautas? não instrui, mas diverte.

A teoria mais estapafúrdia do Dr. Fon Faniken, de que me lembro (e também a mais evidentemente falsa), é a que envolve os habitantes de Atlântida: a cidade teria existido e abrigado a civilização mais avançada que já passou sobre a Terra. O segredo de tanto sucesso? A cópula!

Explico: os habitantes de Atlântida teriam sido abduzidos (y otras cositas más) por astronautas vindos do espaço. Enquanto engravidavam as terráqueas, eles ensinaram aos homens tudo o que sabiam.

Só não ensinaram os humanos a preservar a sua descendência (dos E.T.'s), já que Atlântida desapareceu. Mas sabe-se lá. De repente até ensinaram e eu é que não fiquei sabendo.

Quanto a mim, aprendi muita coisa com Erich Von Daniken, mas não sobre extraterrestres. Basicamente, aprendi algo sobre best sellers.

Tuesday, January 03, 2006

Tenha fé

Assisti recentemente ao Fator Desconhecido, do canal Discovery, programa que pretende abordar objetivamente fenômenos paranormais, comunicação com os mortos e bobagens do gênero.

A umbanda foi um dos assuntos tratados: mulheres enlouquecidas ensaiando uma dança da chuva, caindo no chão e tentando engrossar a voz. Nada disso me interessa particularmente. O que me chamou a atenção foi o argumento, de uma das mulheres filmadas, de que ela recebeu um espírito porque não poderia provocar o efeito do transe em si mesma, porque não tem lembrança do fato e porque estava inconsciente.

Supondo a semi-inconsciência e a falta de memória, o que isso prova?

Que não acreditamos no homem.

O argumento é o seguinte: o ser humano não é capaz de gerar esses fenômenos sem ajuda externa. Logo, a causa não é humana.

Mas tenha fé.

Tenha muita fé.

Monday, January 02, 2006

Fantasma residual

Às vezes os espíritos vão embora, mas deixam resíduos.

Quer saber se está diante de um fantasma, ou de resíduos de fantasmas?

Fácil, fácil.

Observe se a aparição faz sempre as mesmas coisas. Fantasma tem personalidade, tem vontade, se entedia, quer variedade. Portanto, se o seu fantasma emite sempre os mesmos sons, à mesma hora, muito provavelmente ele já foi embora. Só ficaram os resíduos.

Tente se comunicar com o espírito. Se ele não responder, pode ter certeza: ele não está lá.

É só resíduo. Algo como a presença das estrelas no céu, compreende? O que vemos é o passado do céu. Assombrações repetitivas são apenas resíduos do passado.

Simples assim.

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O assunto é sério. Clique no título.

Sunday, January 01, 2006

Nefelibata (2): nativo de Cirrus

As nuvens do tipo Cirrus são finas, delicadas, fibrosas, formadas de cristais de gelo. Portanto, as pessoas nascidas sob esse signo são elegantes, de gestos contidos, voz baixa, tez delicada. De boa estatura, geralmente altos e longilíneos, os nativos de Cirrus têm a certeza de que foram reis em outra encarnação. Seu marcado interesse pela aparência às vezes os leva a fazer julgamentos apressados. A delicadeza de trato dos nativos do sexo masculino frequentemente sugere um coração gay. O mesmo não acontece com os nativos do sexo feminino.

Conselho: em 2006, tente olhar além das aparências, Cirrus. A verdade gosta de se esconder.

Pedra: ametista

Cor: verde

Vento: Zéfiro

Saturday, December 31, 2005

Serviço de utilidade pública

Hoje é o último dia do ano. Eu poderia escrever "Feliz 2006" e ilustrar minha alegria saltitante com uma gif engraçadinha.

Poderia, mas vou continuar falando de bebida mesmo.

Algumas verdades sobre o álcool:

1. O champagne embebeda mais que o vinho, por causa das borbulhas. Elas enviam o álcool direto para o cérebro;
2. O álcool não é estimulante;
3. Você não vai ficar mais bêbado se misturar bebidas diferentes, mas certamente terá uma boa ressaca;
4. Álcool não eleva a temperatura do corpo;
5. É verdade: após alguns drinks, Tiririca vira Gianechini e Dercy Gonçalves vira Ana Paula Arósio;
6. Beber água junto com o álcool realmente evita a ressaca;
7. Vinho barato garante ressaca mais cara;
8. A barriga de cerveja não tem nada a ver com a cerveja.

Confira essas informações no site indicado no título, link "Quiz".

Friday, December 30, 2005

O álcool foi descoberto ou inventado?

Descoberto, conforme este link http://www.bbc.co.uk/science/hottopics/alcohol/index.shtml.

Acredita-se que o álcool surgiu da fermentação da água da chuva em frutas. Alguém teria esbarrado inadvertidamente em uma fruta meio madura, meio podre, caída da árvore, que havia sobrevivido a pelo menos uma chuva, e resolveu experimentar.

Bem, é o que se conta. Acredite se quiser.

O site também informa que os Babilônios já tinham, em 4300 a.C., uma bebida similar à cerveja. Na Grécia, o vinho fazia parte da refeição diária e, na Idade Média, bebia-se vinho como substituto da água, que frequentemente era contaminada.

Thursday, December 29, 2005

Bebendo muito?

Você desconfia que está passando do limite? Suspeita que pode estar bebendo demais, mas não tem muita certeza? Gostaria de saber? Apenas saber, sem compromisso?

Pois então clique no título.

Observe o teste.

Há uma pergunta no mínimo curiosa: Em qual destes países é mais provável encontrarmos mulheres abstêmias? a: Irlanda - b: Inglaterra - c: País de Gales.

O que isso tem a ver com o mistério a ser desvendado pelo teste "Estou bebendo demais?"?

Na verdade, o teste é sobre, digamos, "conhecimentos gerais" que envolvem o ato de beber... mas nem tanto. Você precisará ter algum conhecimento sobre Bridget Jones (o filme ou o diário, tanto faz) para acertar a resposta.

Pura perda de tempo. Coisa prá se fazer em fim de ano mesmo.

Tuesday, December 27, 2005

Thanks, but no thanks

Para não ser acusada injustamente de querer mudar o mundo, achei que devia pelo menos fazer uns ajustes no Papai Noel. É que não acredito em bons velhinhos, não levo os duendes a sério e acho insuportável o ar bonachão e o "ho-ho-ho".

Especialmente o "ho-ho-ho".

Enfim.

A primeira providência que o tal Noel devia tomar é emagrecer. Urgentemente.

É bom perder também os pneuzinhos.

Sugiro também mudar as músicas, que ninguém aguenta mais o "jingle bells-noite feliz-so this is Xmas".

Mas como nada é perfeito, ainda não está bom não. O tal Noel pode até ficar legal se pintar o cabelo, fizer a barba, raspar o bigode, fizer umas três lipo, malhar um pouquinho, tomar banho (isso é muuuuito importante), cortar o cabelo de vez em quando, retirar 3/4 do estômago (pode aconselhar-se com o Roberto Jefferson, que já foi Papai Noel), fizer uma plástica no nariz, não usar vermelho (nem cor-de-rosa, please!), não aparecer só uma vez por ano, não vir sempre às escondidas, emagrecer uns trinta quilinhos, ser mais alto, não usar pompom na touca (jamais!), não viver sempre de pijama, aparecer com mais frequência, demorar um pouquinho mais, ser menos discreto e mais seletivo, menos papai e mais Noel.

Aí pode até ser um Natal com Noel.

Monday, December 26, 2005

Papai Noel

Ainda no espírito do natal, quis saber que nomes o Papai Noel tem no mundo todo.

Não é lindo?

Então.

Encontrei isso aí:

Santa Claus (Estados Unidos)
Santa (Itália)
Deda Mráz (República Tcheca)
Pai Natal (Portugal)
Moş Crăciun (Romênia)
Weihnachtsmann (Alemanha)
Daidí na Nollag (Irlanda)
Le Père Noël (França e Canadá)
Papa Noel (Espanha, México e África do Sul)

Família:

A esposa, Mrs. Claus, que jamais põe os pezinhos no hemisfério sul e um priminho russo, o tal Ded Moroz.

Não é mesmo uma gracinha?

Sunday, December 25, 2005

Então é natal?

Se há algo realmente chato em fim de ano é ter de dizer "Feliz Natal" a todo mundo que encontro. Se não disser, tenho algum problema, claro.

Não é a época que acho chata, pelo contrário; chata é essa obrigação de dizer "Feliz Natal", "Boas Festas", "Felicidades", "Feliz ano novo", "Que todos os sonhos se realizem", "Feliz 2006", caixinha de fósforo, bolinha de gude, elefante cor-de-rosa e coisas do gênero.

Va lá: eu desejo tudo isso ao mundo inteiro, inclusive as bolinhas de gude, mas tenho uma preguiça danada de dizer. A gente tem de ficar repetindo esse mantra o dia inteiro, por três semanas, mais ou menos, prá todo mundo que vê: o funcionário da loja, o gerente do banco, o lixeiro, o taxista, a família, os amigos, os colegas de trabalho etc e tal. É gente demais no mundo. Será que ninguém pensa nisso?

Bem, eu penso.

Supondo uma cidade com um milhão de habitantes. Em três semanas circulando por aí, vamos supor que eu passe por, digamos, 50 mil pessoas diferentes (exagero? É só imaginar um shopping em véspera de natal). Destas, com apenas 20%, no máximo, eu mantenho algum contato circunstancial. Destas ainda, com 5% eu tenho um contato mais próximo, ainda que ocasional e, do número restante, apenas 1% eu posso dizer que conheço. Se eu somar a esse número os contatos via internet, posso chegar ao seguinte: tirando dos 50 mil iniciais os 2o% que existiram de algum modo para mim e com os quais cheguei a falar (ainda que fosse apenas "bom dia" e "feliz natal"), tenho 10 mil. A estes, somam-se os contatos da internet; digamos, umas 50 pessoas. Então eu tenho de dizer "feliz natal" 10.050 vezes. Multiplicando o número por 2, já que também tenho de dizer "Feliz ano novo", a soma chega ao absurdo de 20.100 vezes!

Credo. Não quero isso prá mim, não. Se eu dividir este resultado pelo número de segundos do dia, vou descobrir que parte do meu tempo e energia está sendo investido em dizer frases repetitivas, vazias, sem significado, puramente por obrigação social e para não parecer, digamos, esquisita.

Então, prá resolver o assunto de vez e não ter de desejar Feliz Natal a mais ninguém, repasso:

"Boas Festas...

B... ...estas!"

Ops! Engasguei.

É o vinho.

Saturday, December 24, 2005

Radiografia de lula

O projeto é ambiciosíssimo e está apenas nos seus primórdios: recolher as migalhas dos discursos lulistas, tão brilhantemente repetidos por esse país afora. Mas, apesar das dificuldades, propomo-nos a registrar humildemente neste humildíssimo brogue os discursos de nosso grande metalúgico, o maior da história depois de Lech Walesa:

ou seja,

neste país

sabe

nesse país

ou seja

em nosso país

sabe

para que a gente possa

ou seja,

para poder

sabe

para poder

ou seja

fazer com que

sabe

para poder fazer com que a gente possa

ou seja

que a gente possa

sabe

no sentido de fazer com que a gente possa

ou seja

nesse país.

Friday, December 23, 2005

Os filósofos e os porcos (3): Heráclito

De Heráclito de Éfeso, filósofo grego, sobre os porcos: porcos em lama se comprazem, mais que em água limpa.

Thursday, December 22, 2005

Os filósofos e os porcos (2): Sócrates

Da sabedoria popular: melhor um porco vivo que um Sócrates morto.

É. Pois é.

Wednesday, December 21, 2005

O gene da dislexia

Encontraram o gene da dislexia.

Sim, os cientistas identificaram um gene que passa de geração a geração em família com uma estatística bem alta de pessoas com dificuldade de leitura.

Suspeita-se que o gene DCDC2, cuja função ainda não foi demarcada com certeza, seria o responsável pelas conexões que permitem a leitura normal. O que se sabe até agora é que em pessoas disléxicas há partes deste gene que estão faltando.

Tuesday, December 20, 2005

É, asfalto.

Olha só. Descobri que múmia significa, originalmente, asfalto.

Monday, December 19, 2005

Ô vontade!

Nedeljko Ilincic, bósnio de 75 anos, jura que se casou 162 vezes. Diz que pretende casar-se mais umas cem vezes.

Imagine. Não dá tempo. E, depois, divórcio sai caro. Ou ele considera "casar" namorar uma semana?

Sunday, December 18, 2005

Cruzadas (7): Tá bom, já entendi

O rei inglês Ricardo Coração de Leão, na verdade um francês que não falava uma palavra de inglês, precisava derrotar Saladino para recuperar Jerusalém.

Informado de que os hashashin, xiitas liderados pelo Velho da Montanha, lutavam contra Saladino, Ricardo enviou seu irmão Henri de Champagne ao castelo onde o Velho da Montanha vivia, para negociar alguma espécie de acordo que destruiria Saladino e beneficiaria a ambos.

Sinan, o Velho da Montanha, achou que devia mostrar aos cruzados que seus homens lhe devotavam total fidelidade e obediência. Para tanto, ordenou que se atirassem da torre, um a um.

No terceiro homem, Henri de Champagne conseguiu convencer Sinan de que havia entendido o recado. Imagine. O doido ia matar o exército inteiro -- seu próprio exército -- só prá mostrar que com ele não se brinca.

Entendi não. Desconfio que Henri também não entendeu. Imagino que ele tenha retornado e dito ao irmão, Ricardo: "Vá por mim: é melhor negociar com Saladino".

Em todo caso a história, a acreditar nos cronistas árabes da época e nos relatos dos cruzados, é verdadeira, por mais absurda que pareça.

Saturday, December 17, 2005

Mitologias (4): O jantar está servido

Há, na mitologia grega, uma certa tendência à repetição de comportamentos em uma mesma família.

Tântalo, como já disse, serviu o filho Pélops aos deuses. O neto de Tântalo chamava-se Atreu, e seria o pai de Agamemnon e Menelau, reis vitoriosos na guerra contra Tróia, mas isso não importa.

O que interessa é que Atreu e seu irmão Tiestes, incitados pela mãe, mataram um tal Crisipo, filho bastardo de Pélops. Foram obrigados a fugir. No exílio, caíram nas boas graças do rei de Tirinto que, ao morrer, foi sucedido por Atreu. Logo depois morreu Pélops e Atreu também se tornou rei de Micenas.

Tiestes ficou um tanto indignado. Afinal, ele também tinha direitos. Para se vingar, seduziu a mulher de Atreu e tentou roubar-lhe o trono. Fracassou, mas o ódio entre os irmãos já era um fato.

Pouco tempo depois Tiestes pediu perdão a Atreu, que o convidou para um jantar... em que Tiestes descobriu que seus filhos é que estavam sendo servidos como prato principal.

Atroz, diz-se, vem daí. De Atreu.

Friday, December 16, 2005

Cruzadas (6): Achachin

Qualquer semelhança com fatos ou pessoas da atualidade não será mera coincidência.

Ao final do século 12, um certo religioso chamado Sinan, "O velho da Montanha", liderava uma seita de fanáticos, literalmente treinados para matar e morrer.

Os fanáticos dessa cheita causavam verdadeiro horror pela crueldade com que matavam e pela facilidade com que dispunham de suas vidas.

Qual é o chegredo de tanta corachem?

Haxixe, ora!

Antes de chaírem para o martírio, os jovens tinham uma visão do paraíso com o uso de hashish (haxixe, ou maconha), em uma cherimônia religiosa destinada a entregar ao deus a sua alma e permitir que ele dirigisse suas ações a partir de então.

Daí, dizem, a palavra assassinos (originalmente hashashin, seguidores do haxixe ou, se se quiser, maconheiros).

Thursday, December 15, 2005

Mitologias (3): O suplício de Tântalo

Tântalo era um sujeito estranho. Seu desejo de agradar aos deuses - e testá-los - era tão grande que os convidou para um jantar em que o prato principal era seu filho, Pélops. Quando os deuses começaram a se servir e perceberam o que estava acontecendo, ficaram indignadíssimos com o anfitrião e não hesitaram em puni-lo severamente: Tântalo passaria a eternidade com fome e sede. Quando tentasse beber água, o rio fugiria. Quando estivesse prestes a alcançar uma macieira, ela fugiria, deixando-o sempre com fome e sede.

Wednesday, December 14, 2005

Errei

O inferno não é exatamente como o descrevi. É que nunca estive lá, e conto só o que me contaram, entende?

Enfim.

Um amigo observou que há seis rios no Hades, e não cinco, como eu afirmei. De fato encontrei mais um, o Erídano, como se pode ver no mapa linkado no título.

Assim, revisando:

1. Cocito, ou Rio das Queixas;
2. Aqueronte, ou Rio das Lamentações;
3. Periflegetonte, ou Rio de Chamas de Fogo;
4. Lethe, ou Rio do Esquecimento;
5. Estige, ou Rio do Ódio;
6. Erídano, localizado ao norte do Hades.

Mas então continuei pesquisando e encontrei este link http://historylink102.com/greece2/underworld.htm
que menciona apenas cinco rios.

E fiquei confusa.

Que inferno.

Monday, December 12, 2005

Pigmaleão revisto (1): Corno, não!

Arnolfo tinha uma idéia fixa: não ser corno jamais. Para isso, bastava não casar, não namorar, não coisa-nenhuma. Mas aí não tem filhos etc e tal. Ruim, né? Então o jeito é garantir que a futura mulher nunca o traia.

É verdade, existe aquela solução das Mil e uma noites, matar a mulher logo após a noite de núpcias, mas isso é radical demais e hoje dá cadeia. Melhor tentar algo mais natural: escolher uma criança pobre e pagar à família pra educá-la pura, sem vaidade, sem malícia, sem maldade e sem qualquer contato com a sociedade. Perfeito. Quando a jovem estiver em idade de se casar, será tudo como planejado.

Quase.

Arnolfo não prestou atenção em um detalhezinho, uma coisinha de nada, fatal para o sucesso do plano: a mocinha era mesmo muito ingênua. Bobinha. Inocente. Tolinha. E caiu na primeira conversa fiada. Não por maldade, mas porque era boba mesmo.

Arnolfo forjou o destino que queria evitar. Fazer o quê.

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Esta é a história da peça Escola de Mulheres, de Moliére (1622-1673). Divertidíssima.

Friday, December 09, 2005

Ciumento, eu?

Se há algo que se possa dizer a respeito do filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860) é que ele não era ciumento. De jeito nenhum.

Como quase toda a Europa culta, Schopenhauer admirava Lord Byron, o poeta inglês, não exatamente pela qualidade de sua poesia, mas sim pela aura de liberdade, coragem e idealismo que o cercava.

No ano de 1808 o filósofo soube que o poeta estava em Veneza. Não pensou duas vezes: viajou à Itália somente para conhecê-lo, levando consigo uma carta de apresentação de Goethe. Byron, uma celebridade, não recebia qualquer um.

Tudo acertado, o filósofo descobriu que o poeta costumava cavalgar em um parque, em Veneza, a certa hora do dia. À mesma hora, dirigiu-se ao local acompanhado de sua amante italiana, Tereza.

Caminharam pelo parque até que avistaram Byron se aproximando, a certa distância. O momento pelo qual esperara durante tanto tempo finalmente chegara... e então Tereza fez um comentário besta, do tipo "esse homem lindo que vem aí é o poeta que você quer conhecer?"

Pronto. Byron passou, sem ter idéia do que acontecia. Schopenhauer conta que arrependeu-se amargamente. Teria sido melhor perder a namorada que perder a oportunidade de conhecer o poeta.

Pouco depois Byron estava morto, o filósofo já tinha outra amante e Tereza... quem é mesmo Tereza?

Thursday, December 08, 2005

Nefelibata (1): Primeiros Analíticos

É uma verdade universalmente conhecida que nossos temperamentos e inclinações naturais estão intimamente relacionados com a situação do céu no momento do nascimento.

Pois bem. Também acho. A presença ou ausência de nuvens no instante do nascimento é determinante na formação da personalidade.

Pensando nisso, desenvolvi uma teoria científica sobre a relação necessária entre nuvens, céu, parto e vida futura, que apresentarei em mais de uma sessão de análise.

Então.

Para tornar minha apresentação mais didática, vou associar cada um dos estados celestes (que chamarei de signos) a um filme, novela, seriado ou qualquer outro veículo de comunicação de massa.

Assim:

1. Céu com nuvens do tipo stratus: A insustentável leveza do ser;
2. Céu com nuvens do tipo cirrus: Dom Casmurro;
3. Céu com nuvens do tipo nimbus: As mil e uma noites;
4. Céu com nuvens do tipo cumulus: O último samurai;
5. Céu com nuvens do tipo cirrustratus: Agonia e êxtase;
6. Céu com nuvens do tipo altocumulus: O poderoso Chefão;
7. Céu com nuvens do tipo altostratus: Eu sei o que vocês fizeram no verão passado;
8. Céu com nunvens do tipo stratocumulus: Pimpinela Escarlate;
9. Céu com nuvens do tipo nimbustratos: Sansão e Dalila;
10. Céu com nuvens do tipo cumulonimbus: O som e a fúria;
11. Céu sem nuvens: A escolha de Sofia;
12. Céu com estrelas: O manto sagrado.

Pronto! Agora você já pode dizer como estava o céu no momento de seu nascimento. Se não souber, é só fazer o seguinte cálculo:

h + l + d
________ . e
lg . lt

sendo:

hora do nascimento = h
local de nascimento = l
data de nascimento = d
estação do ano = e
longitude = lg
latitude = lt

Wednesday, December 07, 2005

É tudo verdade, ora

Só porque exprimo as coisas tais como elas são, terei de ouvir de novo que minha filosofia é desesperadora, preferindo, as pessoas, que eu dissesse que Deus fez tudo segundo o melhor. Que essas pessoas, então, se dirijam à igreja, e deixem os filósofos em paz. Ou pelo menos que não exijam que os filósofos disponham suas doutrinas de forma a corresponder aos seus anseios. Isso quem faz são os filosofastros e os trapaceiros, aos quais podem-se encomendar doutrinas conforme ao gosto.

Arthur Schopenhauer, Dores do Mundo.

Tuesday, December 06, 2005

Questão irrelevante (1): o cuco

Quem teria inventado o relógio cuco?

Sobretudo, por que?

Monday, December 05, 2005

Periflegetonte e o vulcão

Sim, Periflegetonte é o rio de chamas de fogo do inferno.

O que isso tem a ver com vulcão?

Ora...

O inferno fica embaixo da terra, certo? No inferno há um rio que é puro fogo, certo? Ninguém impede o curso de um rio, certo? Especialmente um rio de fogo, certo?

Então está explicado: o rio às vezes quer sair do inferno. O que faz? Testa a superfície até encontrar um jeito de passar por uma montanhazinha... só prá ir virar pedra lá na frente.

.....................

É mais ou menos assim que os gregos explicavam os vulcões. Mais prá menos.


Sunday, December 04, 2005

Bacia hidrográfica do inferno

Apresentei aqui, há um tempo atrás (13 de maio, precisamente) o mapa do Hades, a região dos mortos. Mas ainda faltava uma coisa: a descrição (platônica, claro) de cada um dos cinco rios que irrigam o inferno. É... cinco rios irrigam o inferno.

Quem pode dizer em sã consciência que nunca, jamais, em tempo algum vai precisar saber disso? Ninguém, né?

Então vamos lá:

1. Cocito, ou Rio das Queixas: reclame de tudo; assim você se sentirá mais à vontade em seu novo habitat.
2. Aqueronte, ou Rio das Lamentações: dê uma paradinha aí prá lamentar ter ido parar no meio do inferno.
3. Periflegetonte, ou Rio de Chamas de Fogo: desse, é melhor fugir.
4. Estige: rio menor, que tem como maior mérito dar ensejo à formação do Rio de Fogo, o Periflegetonte.
5. Lethe, ou Rio do Esquecimento: se chegar até esse rio, você já tirou a sorte grande. Aproveite prá mergulhar e esquecer tudo... até mesmo que tirou a sorte grande.

Saturday, December 03, 2005

Cruzadas (5):Terry Jones

Terry Jones, um dos fundadores do grupo Monty Python, é especialista em Idade Média. Ele atuou, dirigiu e escreveu roteiros de filmes do grupo (basicamente três: A vida de Brian, Rei Artur e o Cálice Sagrado e O sentido da vida). Em 1995, escreveu e apresentou a série da BBC sobre as cruzadas, em quatro episódios (Crusades), motivo de polêmica até hoje. Jones não esconde o desprezo pela visão de mundo medieval e, particularmente, pelas cruzadas. Tudo o que se refere às cruzadas é motivo de riso. De qualquer forma, vale a pena ver.

Friday, December 02, 2005

Poster metafísico

Encontrei uma página na internet que vende, segundo anuncia, pôsteres metafísicos. Os melhores, diz o anúncio.

O curioso é o metafísico da história: pirâmides do Egito, esfinge, Taj Mahal, Stonehenge, sistema solar, flor, ruínas da Acrópole, coisas assim. Até a imagem de uma abdução por alienígenas pode ser encontrado na página.

Então uma bula papal é metafísica?

Thursday, December 01, 2005

Cruzadas (4): O Ricardinho vem aí

E por falar em Ricardo Coração de Leão: ele não poupava esforços para inspirar o medo em seus adversários. Por onde passava, deixava um rastro de sangue.

Suas crueldades eram tão conhecidas que o medo permaneceu muito tempo na memória dos muçulmanos.

As mães, para disciplinar os filhos, diziam: "Se não obedecer, o Ricardo vem te pegar".

Wednesday, November 30, 2005

Cruzadas (3): A marcha das crianças

Ano de 1217. Há pouco mais de um século o vaticano convocava seus fiéis para lutar pela Terra Santa, o que significava basicamente expulsar os ímpios de Jerusalém. Nesse momento, o ocidente amargava um fracasso retumbante após quatro cruzadas. Nem mesmo toda a carnificina que promoveram no Oriente foi suficiente para garantir a vitória.

Era preciso uma injeção de ânimo e fé, e o vaticano deu prova de entender bem do assunto: alegou que os cruzados não recuperaram Jerusalém (e com ela o Santo Sepulcro) porque eram pecadores. Claro, eram adultos e adultos pecam até em pensamento. Somente alguém puro de espírito poderia devolver a Terra Santa aos cristãos.

Quem é puro de coração nessa terra? As crianças, claro.

Então o problema todo consistia em convencer as crianças e seus pais de que Deus precisava delas - coisa, aliás, facílima - e eis o absurdo dos absurdos: cinqüenta mil crianças marchando para Jerusalém, arma em punho e adulto aproveitador ao lado, marchando para lutar contra os muçulmanos, armados sobretudo de pureza.

Muita pureza, que acabou na morte precoce e na escravidão.

Quem não morreu foi vendido como escravo.

Tuesday, November 29, 2005

Cruzadas (2): Chovendo cabeças

Os cruzados haviam tomado Jerusalém, transformado quase todos os seus habitantes (judeus e muçulmanos) em cadáveres, criado o Reino de Jerusalém e nomeado Godofredo de Bouillon seu governante.

No entanto, o exército de Saladino, o grande líder sarraceno, estava tendo vitórias importantes sobre os cristãos, na cidadezinha de São João D’Arce, porto do Reino de Jerusalém. Seu propósito claro era a retomada da cidade.

Ricardo Coração de Leão, rei inglês (1157-1199), o grande herói cruzado, dirigiu-se em 1191 ao porto de São João D’Arce, sitiado há vários meses pelos cristãos, cujo exército se encontrava enfraquecido e desanimado.

Eis a situação: o sítio já se estendia por longos meses e, embora cercados, os habitantes de Arce não davam mostras de que se renderiam. Os muros da cidade eram resistentes o bastante para serem derrubados e Saladino não tardaria a enviar mais tropas para combater os cristãos. Ou seja, se esperassem um pouco mais até a rendição da cidade (já que, sitiada, os habitantes sofriam com a falta de alimentos e água e não tardariam a se render), enfrentariam as tropas competentes de Saladino. Se desistissem, estariam a um passo de perder novamente Jerusalém. Só havia uma coisa a fazer: obrigar os habitantes de Arce a se entregar.

Os recém-chegados, Ricardo e o rei da França, Felipe Augusto, construíram enormes catapultas, mas o que lançaram à cidade não foram pedras ou tochas. Ricardo ordenou que os habitantes das regiões circunvizinhas, miseráveis que não puderam se abrigar dentro da cidade, fossem degolados um a um. De hora em hora uma cabeça era atirada por sobre o muro, com o auxílio da catapulta.

Imagino o terror dos habitantes de Arce, sob uma chuva de cabeças. Em pouquíssimo tempo renderam-se todos.


Monday, November 28, 2005

Cruzadas (1): A Cruzada dos Mendigos

Todo mundo queria resgatar Jerusalém, ocupada pelos sarracenos: os ingleses, os alemães, os franceses, os italianos, os padres, os nobres, as crianças, os gansos e os mendigos.

Um tal Pedro Eremita, um padre fanático, achou que a conquista de Jerusalém era sua missão. Com a ajuda dos miseráveis de Cristo, haveria de conseguir.

Afinal, o Reino de Deus é dos pobres de espírito e de bolso, certo?

Certíssimo. Pedro Eremita reuniu, em 1096, uma multidão de fiéis miseráveis armados de paus, pedras, facas, facões, enxadas, panelas, estilingues, etc. e rumou em direção à Terra Santa... e ao Santo Sepulcro: foram todos massacrados pelos turcos.

Sunday, November 27, 2005

Relógios parados

Li em algum lugar que relógios parados estão absolutamente certos duas vezes ao dia.

É verdade, mas o mesmo vale para relógios quebrados.

Isto significa também que relógios que funcionam podem nunca estar certos, o que é verdade também, mas é uma idéia curiosa achar que estar parado no tempo significa acertar vez ou outra (ainda que na maior parte das vezes esteja errado) e mover-se significa a possibilidade de errar sempre.

Saturday, November 26, 2005

Catalogando aparições (1): Cristo

Ao escrever o último post, pensei: por que não fazer uma lista das aparições de Cristo, Maria, Elvis e Papai Noel?

Juntas, talvez elas soem como o que realmente são: fantasias tolas, com um tempero de insanidade e megalomania.

Eis as do campeão, Jesus de Nazaré, vulgo INRI:

- batata frita
- armário
- mancha em parede de banheiro
- tronco de árvore
- pão de forma
- cortina
- pedra
- folha de árvore (desenhado por formigas)
- peixe
- ostra
- sanduíche

E as últimas:

- Caminhonete (vide link do último post)
- Osso de peixe (http://www.nbc4.tv/news/5190133/detail.html)
- Janela (http://www.nbc4.tv/news/4541162/detail.html)
- Raio-X de dente (http://www.nbc4.tv/news/3968497/detail.html)

Repetindo: raio- x de dente.

Atenção: Cristo apareceu no raio-x de um dente.

O que ele pode estar querendo nos dizer?

Quanto a Maria, Elvis e Papai Noel, deixo para outro dia.

Friday, November 25, 2005

Ói nóis aqui travêis!

Ei-lo que volta, em toda sua glória: Cristo retornou aos tapetes, banheiros, pães-de-queijo e quetais. Desta vez, deu o ar da graça no vidro de uma caminhonete, e já apareceram 150 peregrinos para ver o milagre. Ô glória!

Bom é que a face de Jesus é desenhada pela poeira.

Essa caminhonete nunca mais vai ser lavada, mas aposto que vai ser vendida. No e-bay. Quem sabe na Amazon. Talvez até no Mercado Livre.

Só quero saber quando é que Cristo vai aparecer em um espelho. Isto seria interessante para a psicologia. Vai-se direto ao ponto.

Thursday, November 24, 2005

Assassinados ilustres

Estava interessada em obter informação sobre Alan Berg, o radialista de Detroit assassinado por um ouvinte, em 1984, e encontrei uma página no mínimo bizarra: trata-se de uma lista de pessoas assassinadas. Do Brasil, constam Chico Mendes, Sérgio Vieira de Melo e Dorothy Stang. Interessante.

Wednesday, November 23, 2005

Os filósofos e a felicidade (3): ser ou não ser

Considerado o fundador do ceticismo, o filósofo grego Pirro de Élida (365 - 275 a. C.) tinha uma receita infalível para a felicidade:

Misture duas colheres de impassibilidade com três xícaras de ausência de crenças. Junte à massa três copos de ausência de opiniões, uma pitada de controle das sensações e tempere com a convicção de que cada coisa “é e não é”. Ou seja, de que não há nada definitivo. Cozinhe em fogo brando por toda a vida.

Eu não experimentei, mas acho que funciona. Especialmente a última parte.

Tuesday, November 22, 2005

Vitória de Pirro

Pirro (318 a.C. - 272 d.C.), cujo nome significa "ruivo", foi um grande general, rei do Épiro e da Macedônia e ofereceu alguma resistência a Roma.

Em uma batalha contra os romanos, Pirro venceu, mas perdeu 3500 homens, uma parcela considerável de seu exército.Quando o saudaram pelo sucesso, disse: "mais uma vitória como esta, e estou perdido".

Muito bem dito, mas ele não chegou a ganhar novamente para saber se tinha razão. Pouco tempo depois, em uma batalha nas ruas de Argos, uma velha que se encontrava no alto de um edifício o acertou com uma telha. Pirro ficou desacordado tempo o suficiente para ser morto pelo adversário.

Monday, November 21, 2005

Brigando pela sombra e perdendo o essencial

Encontrei por aí:

Um viajante alugou um asno para levá-lo a um lugar distante. O dia estava muito quente, o sol brilhava em plena força, e o viajante resolveu parar para descansar. Para amenizar o calor, refugiou-se à sombra do asno.

O dono do asno achou que o aluguel só dava direito ao uso do animal e não da sombra. O viajante alegava que tinha pago pelo asno e, portanto, pela sombra.

A disputa ficou acirrada e logo passou aos tapas e socos.

Enquanto brigavam, o asno fugiu.

Sunday, November 20, 2005

Filho de Miguelangelo, sim. Por que não?

Joseph Doherty, um londrino de 21 anos, foi condenado a pagar duas mil libras de indenização por ter colorido o vagão de um trem com sua arte.

Preconceito?

Falta de sensibilidade artística?

Seja como for, o juiz não apenas condenou o grafiteiro, como também lhe deu uma bela bronca: Doherty podia achar que era o filho de Miguelangelo, mas não passava de um vândalo, sujando a cidade com rabiscos feios.

A resposta de Doherty foi surpreendente: ele reproduziu, durante o julgamento, a Criação de Adão de Miguelangelo usando apenas spray e um quadro.

O juiz não se deixou convencer: "Os grafiteiros podem até ser talentosos, mas o que fazem é ilegal. E estão muito distantes de Miguelangelo".

Doherty vendeu seu Miguelangelo por 800 libras.

Saturday, November 19, 2005

Briga de filósofos (2): Voltaire X Rousseau

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778 ) enviou a Voltaire (1694-1778) um exemplar de seu Discurso sobre a origem da desigualdade entre os povos, em que argumentava contra a civilização, a ciência e as letras e defendia o retorno a uma condição natural em que os homens viveriam como animais.

Voltaire respondeu: "Recebi, senhor, vosso novo livro contra a espécie humana, e agradeço-vos a remessa... Ninguém foi tão espirituoso como vós ao tentar nos transformar em animais; ler o vosso livro faz com que sintamos vontade de andar de quatro. No entanto, como abandonei essa prática há cerca de sessenta anos, acho que me é infelizmente impossível voltar a adotá-la".

Sobre o Contrato Social de Rousseau, Voltaire diz: "Jean-Jacques se parece tanto com um filósofo quanto um macaco com um homem".

E ainda: "Jean-Jacques é o cão de Diógenes que ficou louco".

Placar: Voltaire 3, Rousseau 0.

Friday, November 18, 2005

ET cearense

E não é que encontraram um crânio de ET em Quixadá, no Ceará, há duas semanas atrás?

O mais provável é que se trate do crânio de um animal terrestre, que tenha nascido com alguma deformação. Em todo caso, os ufólogos, que dizem não descartar nenhuma possibilidade, acham que é mesmo um extraterrestre, falecido talvez durante o pouso do disco voador. Mas pode ser também um chupa-cabra que morreu de fome no nordeste. Sabe-se lá.

Wednesday, November 16, 2005

Mitologias (2): A cama de Procusto

Procusto era um bandido com uma idéia fixa: queria que todos fossem do seu tamanho. Exatamente a mesma altura. Para isso, aguardava nas estradas até que aparecessem viajantes, roubava-os, sequestrava-os e os obrigava a deitar em sua cama. Se fossem maiores que a cama, serrava as extremidades das pernas; se fossem menores, esticava os membros, puxando-os com cordas, até que chegassem ao comprimento exigido.

O mito não conta, mas o provável é que ninguém conseguisse sobreviver à cama de Procusto.

Tuesday, November 15, 2005

Mitologias (1): Pigmaleão e Galatéia

Em um belo dia um escultor de grande talento visualizou, na pedra, as formas de uma mulher perfeita. Trabalhou incansavelmente até esculpir a imagem que visualizara. Concluído o trabalho, apaixonou-se pela mulher. Tudo o que desejava era fazê-la viver, para que pudesse amá-la.

Durante dias e noites pediu à deusa Afrodite que desse vida à sua escultura, que fizesse viver seu ideal. Tanto implorou, que a deusa o atendeu: a pedra transformou-se em carne e ossos e a mulher ideal ganhou vida. Pigmaleão, o escultor, deu à sua deusa encarnada o nome de Galatéia.

Dizem alguns que eles se casaram e foram felizes para sempre. O homem e seu ideal.

Engraçado que essa história seja uma das poucas com final feliz da mitologia grega.

Monday, November 14, 2005

Automedicação (2): hidropsia

O filósofo grego Heráclito de Éfeso (séc. VI a.C.) era uma figura estranha. Aristocrata, ainda novo desligou-se da família e da cidade e mudou-se para uma gruta. Alimentava-se só de vegetais e convivia apenas com animais e crianças.

Lá pelos sessenta anos, o tipo de vida que levava começou a pesar. Heráclito arrumou uma doença chamada "hidropsia", espécie de barriga d´água. Retornou à cidade, à procura de um médico, mas ao invés de perguntar quem poderia curá-lo da hidropsia, quis saber se havia alguém na cidade que seria capaz de "transformar um aguaceiro numa seca".

Não foi entendido, claro, e teve de se automedicar.

Pois bem. Heráclito receitou a si mesmo deitar sob o sol quente e cobrir-se de esterco. A idéia era aquecer o corpo o bastante para que a água em excesso do interior secasse. Em dois dias estava morto, sem que se tenha certeza da causa da morte.

De todo modo, verdade seja dita: ele conseguiu se livrar da doença.

Sunday, November 13, 2005

O belo e o feio

Ainda sobre Bollywood: apesar de retratar a Índia, um país onde há muita pobreza, não há feiúra no filme a que assisti. As pessoas são belas, muito bem vestidas, vivem bem (apesar de se dizerem pobres), viajam pelo mundo, são felizes e não têm conflito. Ou seja, tudo perfeito e ilusório.

Já o cinema árabe, ao menos o que tenho visto, destaca a pobreza, a mesquinhez, a pequenez e, ao mesmo tempo, a grandeza diante da adversidade. O retrato do país é, via de regra, centrado na pobreza e na feiúra. As pessoas são feias, mal vestidas, ignorantes. As ruas são vielas sujas, sem asfalto. A esperteza e o oportunismo reinam. É tudo muito feio.

Não há o que discutir: os filmes árabes, se comparados aos indianos de Bollywood, são infinitamente superiores. Mas qual é o critério que me permite fazer essa afirmação? O realismo? Desde quando o realismo virou um certificado de qualidade da arte?

Quando foi que começamos a cansar da mentira e a exigir a verdade?

Saturday, November 12, 2005

Eu e Bollywood: história de um tédio

Bollywood e eu não nos entendemos bem. Não sei o que dizer. Talvez eu esperasse algo como o bom cinema iraniano, mas o que encontrei foi um musical bem ao estilo da Hollywood dos anos 50, o que sempre detestei e planejo continuar detestando.

Eu tolero quase tudo no cinema, menos dramas familiares e filmes em que, do nada, alguém começa a cantar ou a dançar.

Imagine esse diálogo:

Alguém diz

-- Quando viajará?

Outro alguém responde, com voz de soprano, começando stacatto e terminando pianíssimo:

-- Não irei, não irei, não irei... Laralaralá, laralaralá... meu lugar é aqui... laralaralá... sempre foi... larali... sempre será... laralá... la... ra... lá...

E isso é tudo? Ledo engano!

Outra pergunta boba, e lá vem novamente Pavarotti ou Maria Callas, responder com uma cantoria besta de dez minutos. Ninguém merece. Por que não contam a história, simplesmente?

Enfim. Bollywood é a indústria do cinema de Nova Delhi, quase tão popular quanto Hollywood. Para consumo interno. Agora que já sei disso, posso voltar a assistir aos filmes iranianos. Sem culpa.

Friday, November 11, 2005

Automedicação (1): gagueira

O tebano Demóstenes, que viveu no século IV a.C., uma das maiores figuras da Grécia, possuía um talento extraordinário para assuntos de guerra. A derrota do grande exército de Esparta para Tebas deveu-se ao gênio de Demóstenes.

No entanto, ele tinha uma dificuldade: era gago. Um problema realmente sério, na Grécia Antiga.Os gregos tinham grande amor pela beleza dos discursos e tendiam a apoiar quem se expressasse bem. Um gago que tentasse convencer a Assembléia de que era suficientemente competente para conduzir um exército jamais seria bem sucedido. Não conseguiria sequer se fazer ouvir. Seria necessário, antes, curar a gagueira, tarefa impossível para a época.

Mas Demóstenes curou a si mesmo com uma estratégia que, segundo consta, ele mesmo criou: todos os dias, deslocava-se para o alto de uma colina, enchia a boca de pedras e discursava para o vale (a fim de que o eco o informasse dos progressos). Alguns anos, e estava curado.

Tornou-se um dos grandes oradores da Grécia e o melhor estrategista que seu país conheceu.

Thursday, November 10, 2005

Teste de QI

E por falar em animais, eis outro teste: no site indicado no título você será informado sobre técnicas para testar a inteligência de seu animalzinho de estimação. Com essa informação, claro, você poderá valorizá-lo ainda mais (é parecido com você em lealdade e inteligência) e - por que não? - torná-lo mais dócil e servil. Afinal, para que servem os animais?

A diferença entre este teste e os demais que mencionei aqui é que este tem - ou pretende ter - um caráter científico. Ou seja, supõe-se que contenha alguma verdade e seja útil.

Wednesday, November 09, 2005

Perguntinha Básica (3)

Por que os elefantes precisam de orelhas tão grandes, se ouvem com os pés, o rabo e a tromba?

Ahá! Encontrei um furo na teoria evolucionista!

Tuesday, November 08, 2005

Você sabe o que é um Kraken?

Kraken é um monstro marinho lendário, da mitologia nórdica. Uma criatura semelhante à Cila, da mitologia grega: gigantesca, cheia de tentáculos, que tem como único objetivo devorar tudo o que encontra pela frente.

A gente sabe que a Cila é uma fantasia, mas os Krakens existem. Eles teriam aparecido pela primeira vez na Noruega, no século XII, e seriam do tamanho de uma ilha.

É, uma ilha. Pequena, certamente.

Exageros à parte, os Krakens seriam lulas gigantes, que chegam a 20 metros (sim, 20 metros!) e são bastante agressivas.

Não é de admirar que se criassem tantas histórias em torno do animal.

Monday, November 07, 2005

O paraíso dos testes

Para quem gosta de testes (ou não resiste a eles), eis um prato cheio: no link indicado no título há todo tipo de teste, desde "que tipo de vaca é você" até "você é paranormal?"

Não deu prá saber que tipo de vaca eu sou, porque o link não abriu, mas fiquei sabendo que não sou nem um pouco paranormal, porque minha mente está "muito materializada", o que quer que isso signifique.

Veja alguns dos testes da página:

--Que instrumento musical você é?

--Que comida de pobre você é?

--Que inseto você é?

--Que carro você é?

--Que personagem da turma do Chaves você é?

--Que animal de estimação você é?


--Que música do Los Hermanos é você?

--Que ingrediente da Coca-Cola você é?

--Que chocolate você é?

--Que personagem de Julia Roberts você é?

--Que prostituta do cinema você é?

--Que tipo de Bridget você é?


--Que aniversariante do dia nove de março você é?

--Você está com mais sono do que deveria?

--Que bicha famosa é você?


Pois é. Sabendo usar, não vai faltar.

Sunday, November 06, 2005

Aconteceu

Acredite se quiser: uma cobra de 2,5 m entalou em um vaso sanitário em Kuala Lumpur, na Malásia.

Ao final, salvaram-se todos.

Saturday, November 05, 2005

O Cristo do armário

Cristo realmente gosta de aparecer. Desta vez, Jesus e dois discípulos deram as caras no guarda-roupa de uma família romena, na época do natal. Disse a mulher que, quando viu as imagens, fez o sinal da cruz e começou a rezar em seguida. Depois contou aos amigos, e passaram a rezar juntos diante das imagens.

Ao ler a reportagem, fiquei imaginando a rua inteira de joelhos, diante do guarda-roupa, rezando.

Bizarro.

Insólito.

Já dizia Heráclito de Éfeso: "... e também a estas estátuas eles dirigem suas preces, como alguém que falasse a casas..."

Friday, November 04, 2005

Carreguei muita pedra nessa vida

Descobri que fui homem na última encadernação, vivi no Canadá em torno de 1750 e fui ator e músico.

Muito bem.

Minha missão para a vida atual é a de cultivar e distribuir o amor, a alegria e a felicidade.

Hã.

Empolguei e quis saber a vida passada da família inteira (sem conhecimento deles, claro): um viveu na Escócia em 1310, outro em Sumatra em 850, outro ainda foi filósofo, outro foi fazendeiro.

Meu pai acredita que foi escravo no Egito Antigo e ajudou a transportar pedras para a construção de uma pirâmide. É sério, ele tem certeza disso. Diz que sabe. Não, não é espírita. Nunca foi. Apenas sente que viveu no Egito. Diz que tem tudo a ver.

Mas como assim, "tudo a ver"?

Quando pesquisei a vida passada de meu pai e encontrei "África Central, 1550", ele ficou ligeiramente decepcionado.

Tudo bem, eu disse. Esta é só a última encadernação.

E la nave va.

Thursday, November 03, 2005

Olhe o passo do elefantinho

Pegadas gigantes em Bollington, Manchester, renovaram a crença de que existe mesmo o tal BigFoot (vulgo Pé Grande). O curioso é que as pegadas foram encontradas poucas horas depois de uma ovelha ser morta por algum animal predador.

Por enquanto, só pegadas.

Sou capaz de apostar toda a fortuna que não tenho como o tal Pé Grande jamais vai aparecer, mas continuaremos encontrando as pegadas.

Wednesday, November 02, 2005

Observe os animais

Há algum tempo atrás eu disse, neste blog, que os hieróglifos podem ser lidos em qualquer direção: da esquerda para a direita e da direita para a esquerda. É verdade. Agora descobri que a direção correta da leitura de um texto específico é indicada pelas figuras de animais: se elas estiverem voltadas para a esquerda, leia-se da esquerda para a direita. Se estiverem voltadas para a direita, leia-se da direita para a esquerda.

Ah. Então era isso.

Tuesday, November 01, 2005

Óbvio ululante

Assisti, hoje, a um documentário do National Geographic sobre o Santo Sudário. A conclusão, nós já sabemos, é de que a peça data do final da Idade Média, entre 1.400 e 1.500 d.C. A novidade é o enfoque na tese de que o Sudário teria sido fabricado por Leonardo da Vinci (portanto, durante o século XVI), sob encomenda. O rosto que aparece na mortalha seria do próprio Leonardo.

Tudo bem, pode ser. Não é uma hipótese absurda. Em todo caso, o que importa é que, se o Sudário fosse verdadeiro, então todos aqueles que dizem ter visto Jesus teriam como reconhecê-lo.

Eu quero dizer: se um rosto aparece em uma batata frita, por que sabe-se com certeza que é Cristo? Esta é uma pergunta que sempre me fiz. A resposta é óbvia para qualquer católico: porque este rosto é o mesmo do santo sudário, ora!

Craro, craro. Óbvio ululante, como diria o Nelson Rodrigues.

Mas a verdade é que eu não tinha percebido isso.